Mais conhecida pela sua versão cinematográfica, dirigida Stanley Kubrick, Laranja Mecânica é uma grande obra também da literatura. Escrito pelo inglês Anthony Burgess, o livro aborda a violência praticada por gangues de jovens, como ela interfere na sociedade – também responsável pelo problema – e a forma como os sistemas políticos se aproveitam disso tudo.
A história é dividida em três partes. Na primeira, o jovem Alex – personagem principal e narrador da trama – e seus amigos Pete, Georgie e Tosko andam pela cidade cometendo atrocidades. Divertem-se espancando mendigos, brigando com outras gangues, estuprando mulheres e invadindo casas para agredir os residentes. Em uma destas invasões, o desfecho acaba sendo infeliz para Alex, que, sozinho, acaba preso.
A segunda parte da história se passa no presídio. Alex se torna um detento de boa conduta, porém com uma grande vontade de conseguir sua liberdade o mais rápido possível. Por isso se candidata e é escolhido para ser cobaia de um novo experimento, desenvolvido por cientistas, que promete eliminar a violência que há nas pessoas. O tratamento consiste em imobilizar o “paciente” de maneira com que ele não consiga sequer piscar os olhos e expô-lo a filmes com diversas cenas brutais.
Ao final do tratamento, realizado com êxito, Alex é devolvido à sociedade, mas, ao chegar a sua casa, encontra seu quarto ocupado por um inquilino de seus pais. Sem ter para onde ir, começa a vagar pelas ruas até ser espancado por um grupo de velhos após um deles reconhecê-lo como o delinquente que era. Sem conseguir reagir, devido à repugnância à violência que o tratamento lhe impusera, o jovem só é salvo com a chegada da polícia, que o leva para um lugar afastado da cidade e também o agride.
Todo machucado, Alex consegue achar uma casa, pede auxilio e é ajudado por pessoas do partido opositor ao governo, que tentam usar o jovem como uma prova de como os mandatários do país maltratam os humanos. A partir deste ponto, tanto dirigentes da oposição quanto da situação governamental buscam utilizar Alex de acordo com seus próprios interesses.
Alguns pontos da narrativa chamam bastante atenção, como a forma que o personagem principal acaba passando de criminoso para vitima de todo um sistema. Além disso, a violência de Alex contrasta com sua paixão pela música clássica, que acaba tendo um papel primordial na história.
Também merece destaque o cuidado que Burgess teve ao criar diversas palavras para construir o dialeto dos jovens da história. A mais recente versão em português do livro, publicada em 2004 pela editora Aleph, traz um interessante prefácio, escrito por Fábio Fernandes – tradutor da obra – contando como o escritor criou estas gírias e o trabalho para adaptá-las ao português.
As gírias criadas por Burgess deram origem até a dissertações de linguística. Pena que no filme isso não tenha sido tão bem explorado.
Verdade, Lelo. O tratamento dado às gírias no filme fica bem aquém do livro.
Valeu!
Porra, agora sim uma resenha de livro. Melhorou muito mesmo. É isso aí, em frente!
Posta alguma coisa nova, cacete!