De toda a equipe.
Nazarethe Fonseca nasceu em São Luis do Maranhão e atualmente mora em Natal, no Rio Grande do Norte. Começou a escrever aos 15 anos, após um sonho que se tornaria seu primeiro livro, uma trama policial. É autora da saga Alma e Sangue, iniciada com O despertar do vampiro e seguida por O império dos vampiros e O pacto dos vampiros, que chegou às livrarias muito antes dos dentuços de Stephanie Meyer e está sendo transformada em uma série de curtas-metragens para Internet. Também publicou contos nas coletâneas Necrópole: Histórias de Bruxaria, Anno Domini e Meu Amor é um Vampiro. É autora do blog Alma e Sangue e concedeu por e-mail a entrevista abaixo para o Canto dos Livros, onde fala sobre sua carreira, influências, mercado e seus vampiros, claro.
Canto dos Livros: Conte-nos como começou e está sendo a sua carreira de escritora.
Nazarethe Fonseca: Comecei com a publicação do meu primeiro livro O Despertar do Vampiro, em 2001, que, posteriormente, deu origem à saga Alma e Sangue. De lá até aqui, posso dizer que tem sido bastante árduo. Escrever no Brasil é fácil, o difícil é publicar. O mercado está cheio de escritores tanto nacionais como estrangeiros, o espaço existe, mas as grandes editoras não apostam em títulos nacionais com facilidade. É preciso sorte e provar que é capaz de emplacar um livro.
CL: Quais obras/ autores influenciaram na criação de seus livros? Qual a importância dos clássicos Anne Rice e Bram Stoker?
NF: Acho que tudo o que eu já li, e leio, me influência de algum modo. A lista para citar é enorme, e nem todos os livros e escritores estão dentro do universo da fantasia. Mas sim, gosto muito de Anne Rice e Bram Stoker, eles conseguiram mudar a história do vampiro no mundo.
CL: Enfrentou dificuldades por não estar nos chamados grandes centros (sul e sudeste)?
NF: Não, quando preciso vou a São Paulo e tento ver os fãs que sempre buscam autógrafos. Eu gosto muito do Norte e do Nordeste, acho São Paulo uma cidade realmente vibrante, talvez vivesse bem nela, mas morar em Natal é estar perto de raízes mais antigas.
CL: Dentre as muitas alternativas de publicação e divulgação existentes, quais considera mais efetivas?
NF: Na publicação, o livro físico. Já publiquei livro na internet e postava os capítulos toda semana. Também já tive uma web-novela no Portal Feminice, mas acho que o público ainda prefere ter o livro em mãos. Para divulgação, a web tem seu espaço garantido como um dos veículos de maior amplitude e rapidez.
CL: Qual foi o impacto que o sucesso da série “Crepúsculo”, de Stephenie Meyer, teve no seu trabalho?
NF: Eu já vendia a série Alma e Sangue e continuo vendendo. A série Crepúsculo fez o público jovem descobrir um tipo de vampiro e outros autores. Os mais curiosos foram a fundo e buscaram outros livros, outros autores. E isso abriu o mercado, aumentou as vendas, gerou oportunidades que já existiam e nunca foram exploradas. Muitos livros do gênero foram publicados desde então. Eu continuei com minha série sem alterações.
CL: No livro Alma e Sangue a história se passa em São Luis do Maranhão, sua cidade. No pocket book lançado posteriormente, Kara e Kmam – uma saga de alma e sangue, a trama ocorre em Paris. Você conhece a França? Como foi o processo de escrever uma história ambientada em um lugar que você provavelmente não conhece tão bem quanto sua cidade natal?
NF: Posso dizer que conheço a França com os olhos da Alma. A França dos meus livros é a de 1572 e dos séculos seguintes, até os dias atuais. Sempre tive grande interesse na França porque São Luis sofreu colonização francesa, temos palavras em francês incorporadas em nossa língua, e por ai vai. Os meus leitores costumam dizer que caminharam com os personagens dos livros pelas ruas de Paris, devido à riqueza dos detalhes. Não achei difícil, no livro A Rainha dos Vampiros, por exemplo, estou na Rússia, e no O Pacto dos Vampiros estive em Barcelona. Sinto que sempre estou viajando.
CL: Você já deu declarações afirmando que a história de Kara e Kmam ainda tem muitos capítulos pela frente. Como você estruturou a narrativa desde o começo para que ela tivesse solidez para manter vários livros em sequência?
NF: Eu trabalho um livro após o outro. Baseio parte no que já escrevi, parte nos sonhos que tenho, e a outra nas ideias que surgem ao correr da trama. Gosto de dizer que no fim tudo se encaixa como num quebra cabeças, ou como uma colcha de retalhos. Geralmente tenho um caderno onde copio as cenas e depois as levo para o computador. Às vezes acontece de sobrar cenas que uso em outras histórias e ocasiões.
CL: O que acha do mercado de literatura mítica e de fantasia no Brasil?
NF: Está em crescimento, os escritores estão ganhando espaço e firmando seus nomes no mercado. Não sou pessimista, acho que como intelectuais e artistas, se investirmos em nossas ideias e projetos, conseguimos espaço dentro da sociedade.
CL: Como se deu esse processo de reedição do livro? A ideia de reescrever alguns capítulos, por exemplo, partiu de você ou da editora? Qual a participação do Eric Novello, como copidesque, no trabalho? Como é a relação com esse tipo de profissional? Qual a importância na qualidade final do trabalho?
NF: Sai de uma editora e entrei na Aleph. O livro precisava de revisão, e nada mais justo com o público que esperava a continuação, que o primeiro livro trouxesse novidades. Eu adorei a ideia e junto ao escritor, roteirista e tradutor Eric Novello fizemos o copidesque do livro. O trabalho compensou e hoje o livro é um artigo digno de ser comprado. Todo escritor precisa estar em busca de melhorar, e eu não sou diferente, sempre reescrevendo e reinventando. Eu sou a favor do copidesque, não abro mão. Minha relação é a melhor possível, mas só entrego meus livros para quem confio. O Eric Novello é uma dessas poucas pessoas, ele já conhece meu texto como ninguém.
CL: Num mundo tão conectado, onde o contato com os fãs e leitores é mais imediato do que jamais foi, via Twitter, e-mails e outros, houve alguma sugestão ou pedido deles que mudou o que você escrevia?
NF: Não, apesar de receber muitos e-mails com pedidos de que minha personagem principal, Kara Ramos, engravidasse (risos). Eu sou fiel aos meus personagens e a suas histórias. Adoro ver suas sugestões, mas prefiro surpreendê-los com algo que não pensaram ainda.
CL: Você gostava de ler quando criança? De que forma uma criança pode ser incentivada à leitura?
NF: Livros de aventura e de magia, e de monstros como eu costumava chamar. Acho que quando a mãe está grávida e lê para o bebê, certamente o seu filho criará o hábito da leitura. Eu cresci numa casa com livros e revistas por todos os lugares, então foi fácil primeiro descobrir as cores e imagens, e depois as letras. Eu aprendi a ler em 15 dias, estava com seis anos.
CL: Quais os próximos passos do seu trabalho?
NF: Terminar a série Alma e Sangue com o livro A Rainha dos Vampiros e me dedicar a um novo livro que já tem quase cem páginas, e que acredito que seja minha próxima série. Fantasia, claro.
[...] This post was mentioned on Twitter by Anny Lucard, Nazarethe. Nazarethe said: Entrevista com @nazarethe no Canto dos Livros: http://migre.me/3Vvp3 beijos mordidos! [...]
Parabéns à autora, pelo trabalho q vem sendo reconhecido e pela simpatia q demonstrou nas respostas! (desde os tempos de ínicio de Orkut, aliás, Nazareth era assim!)
Estes dias, li em algum lugar alguém dizendo q se Nelson Rodrigues tivesse escrito em inglês, ele teria o reconhecimento de um Hemingway. Não é um ufanismo nacionalista, já q leio e gosto mto de diversos autores estrangeiros, mas a verdade é q muitas vezes relegamos nossos autores à obscuridade, qdo alguns deles são mto melhores q os equivalentes estrangeiros.
Então, vc, fã de Crepúsculo, precisa conhecer a saga de Kara e Kman!
Abraços!
Beto
[...] entrevistas, tivemos o prazer de falar com os escritores Nazarethe Fonseca, Lehgau Z Qarvalho, Marcelo Maluf, Cristina Cezar, Ferréz, Paulão de Carvalho e Renato [...]