Por Alberto Nannini
Nossas ações e nossa compreensão do universo se baseiam na noção espaço-tempo: tudo o que não esteja inserido nas três dimensões espaciais (largura – comprimento – altura), e na dimensão temporal, (que pode ser dividida também em três: passado – presente – futuro), se torna uma abstração. Por exemplo, entender a teoria do “Universo de 10 Dimensões”, ou pensar em conceitos como a infinitude, nos deixam com aquela sensação de “…hã?”, de vazio.
É aí que uma ilustração pode ajudar. Por exemplo, entendemos as formas no espaço pela perspectiva: uma mangueira vista de cima de um prédio é uma linha; de muito perto, é um tubo; de dentro, é um túnel. Desta forma, uma das hipóteses para explicar como seria um universo de 10 dimensões é que as outras dimensões estariam “enroladas” num espaço diminuto e ficariam imperceptíveis a nós. Justamente como no exemplo da visão da mangueira, cuja forma “muda” conforme a escala e a proximidade. Fica bem mais fácil de entender.
Assim, há algumas analogias, ilustrações e afins que possibilitam um entendimento quase instantâneo de uma determinada proposição. Mais que isso, para não-especialistas compreenderem alguns postulados científicos, somente por meio de uma delas. E há também alegorias tão bem construídas que podem revelar um conhecimento digno dos estudos mais rigorosos.
É o caso do livro “Planolândia”, de Edwin Abbot Abbot. Foi publicado pela 1ª vez na Inglaterra, em 1884!! A história parece bastante simples: num mundo de duas dimensões, mora A. Quadrado. As mulheres são triângulos (ironização da ideia de inferioridade delas), e a “complexidade” e o status dos seres da Planolândia têm relação com o número de lados e simetria de suas figuras. Há inclusive uma evolução: a tendência é que um ser quadrado, unido à sua esposa triangular, tenham como filho um pentágono ou um hexágono, que gerarão, por sua vez, heptágonos ou octógonos. Logo, os círculos são os mais perfeitos, e ocupam, não à toa, os cargos políticos e eclesiásticos. E há ainda muitas outras ironias do tipo.
Num dia qualquer, está A. Quadrado em sua casa, quando percebe um círculo lá dentro. Por pertencer a uma casta inferior, A. Quadrado o reverencia, mesmo sem entender como ele lá entrou. O que ele não sabe é que o círculo, na verdade, é uma esfera, que vinda da “Espaçolândia”, entrou por acaso na Planolândia, e só pode ser vista na sua secção dentro dela (para visualizar, imagine uma folha “virtual” feita de luz, como o raio emitido por um leitor de código de barras, e passe pelo espaço dela uma bola transparente; a parte iluminada da bola, dentro do espaço desta “folha”, será um círculo).
Por mais que a Esfera lhe explique, A. Quadrado não entende a “dimensão adicional” que há na Espaçolândia. Aí então, a Esfera lhe leva para uma jornada. Primeiro, conhecer a “Linhalândia”, onde todos os seres são segmentos de uma reta. Então, A. Quadrado começa a entender: para os seres da Linhalândia, que veêm apenas um de seus lados, ele é apenas uma linha – sua largura ou seu comprimento – já que eles não conseguem ver ambos ao mesmo tempo.
Em seguida, vão até a “Pontolândia”, onde o ser é um ponto, e ele é tudo (o que isso lembra?) e não entende nada que esteja fora dele. Mesmo as vozes de A. Quadrado e da Esfera ele acha vir dele mesmo.
Visitando, finalmente, a “Espaçolândia”, A. Quadrado, vendo cubos, compreende a tridimensionalidade, e, quando retorna para sua casa, tenta explicá-la aos seus conterrâneos, em vão.
A Esfera o visita novamente, e ele se diz preparado para ir à próxima dimensão, além da Espaçolândia, onde os cubos terão 16 arestas, ao invés de 8, e assim igual e sucessivamente a todos os outros seres. O resultado é que a Esfera se indigna, dizendo ser impossível haver mais dimensões além das conhecidas, e A. Quadrado termina seus dias internado num hospício, vendo seu sol plano nascer igual a ele próprio.
De início, esta formidável analogia já abala algumas convicções “sólidas”: aquilo que conhecemos pode ou estar errado ou ser apenas a superfície. Aliás, isso vem sendo confirmado pela ciência, desde que ela foi criada. Conceitos tidos como “absolutos” foram e continuam sendo revistos: o tempo não “flui” de maneira uniforme, a luz pode ser “dobrada”, uma partícula pode estar em dois lugares ao mesmo tempo, e por aí vai.
Daí que não há nenhuma razão para se acreditar que não possa haver outras dimensões, ainda que só nos movimentemos nas quatro conhecidas. E proposições que contrariem cabalmente aquilo que conhecemos não podem ser automaticamente descartadas, porque a verdade pode ser bastante “contraintuitiva”.
Isso abre muito espaço para a “pseudo-ciência”, o que é uma discussão à parte. Mas até essa auxilia a construção do nosso conhecimento, deliciosa e inquietantemente provisório.
Além do livro citado, tenho mais duas indicações para aprofundar este assunto:
“Planolândia“, Edwin Abbot Abbot, Ed. Conrad (já achei este livro à venda por R$9,90!);
“Incríveis Passatempos Matemáticos”, Ian Stewart, Ed. Zahar, e
“Almanaque das Curiosidades Matemáticas”, idem.
Por isso, queridos, se receberem uma visita de um “ser fantasmagórico”, que provavelmente apareceria “do nada”, se materializaria e depois iria sumindo, tente não se assustar: provavelmente é algo ou alguém da 5ª Dimensão, entrando, por acaso, no nosso pobre plano só tridimensional.
[ P.S.: Pretendo retomar esta postagem, com outras alusões que podem ser feitas com trechos destes livros, explicando como a Planolândia me ajudou a entender as potências numéricas e a equação x°=1, e abordando implicações teológicas (!!!) nos conceitos de perspectiva, proporção e, se der, também nos extravagantes fractais! Ufa! ]
Pô, post ABSURDO, Betão!
Eu piro nessa física mais moderna, que não contempla tanto os conceitos mais antigos e abrange temas que transcendem a própria física.
Esse assunto de dimensões, a própria teoria das cordas… dá pra passar anos falando sobre e ainda será tão incrível quanto “inexplicável” aos nossos olhos condicionados ao mundo tridimensional.
abraço!
Valeu, Gugu!!!
Cara, é difícil tornar “legível” um assunto que se liga a tantas coisas! “Briguei” mto com este post, queria fazer 1500 “links” e ficava confuso até para os meus padrões, notoriamente caóticos! rsrs Aí, foquei, e aí está! Ufa!
Ando numa fase bem “Física/Matemática” de curiosidade, (será q é pq namoro uma professora de ambas matérias? rsrs), e tb adoro relacionar as novas teorias a perguntas mais abrangentes, do campo da filosofia. Dá pra ir longe!
Agora, imagina a gte conversando sobre isso, devidamente “calibrados” com cerveja da melhor espécie? Aí sim, hein! rsrs
Reunião de pauta Já!!!
Abração, véio, saudade de vc!
Beto!!! Simplesmente sensacional…ao ler seu post, fiz uma pequena viagem através das perspectivas e dimensões, de tudo o que nos cerca e de nós mesmos. Na minha opinião, extrapolou a matemática e a física…Grande beijo, Lu
Lú!!!
Bom te ler aqui!!! Mto obrigado pelo prestígio!!!
Creio ter entendido perfeitamente o q vc quis dizer, pq eu tb fiz e faço esta “viagem”, e tive dificuldades para passar para o papel só a resenha do livro, sem me alongar mto em comentários, impressões e conexões! Como vc, acredito q extrapola, e muito, o campo das duas ciências citadas, e realmente permeia a tudo q nos cerca, inclusive e principalmente a nós mesmos.
Espero conseguir retomar este post e ligá-lo de maneira coerente à religiosidade!
Grande beijo, querida, saudade de vc e da “tchurma”!
Beto
Oooi, Beto!
Tive muita curiosidade quando li seu e-mail a respeito do blog e quis conhecer essa sua vertente. Fantástica! Adorei e vou virar fã!
Cabra bom, viu, esse sim!
Bjos!
Mari
Oi, Mari!!!
Essa sim, viu! Tanto no campo da imitação da Marilia Gabriela, quanto no campo da leitura de blogs, é “uótima!” Taí! rsrs
Q bom q gostou! Espero mesmo q vc visite sempre o nosso blog, estamos preparando novidades! E planejo um próximo post na esteira deste, aguarde!
Bjão!
Beto
Muito interessante, muito mesmo.
Realmente, esta seria uma discussão para horas e horas, pela complexidade total deste assunto, mas se for pra fazer a tal reunião de pauta, tô dentro!!! rsrsrsrs
E qdo for retomar o assunto através de implicações religiosas, acredito que a discussão será ainda mais longa, cheia de possibilidades, de teses e teorias, etc e etc…bora lá!
bjs
Oi, Mú!
Q bom q gostou! Isso se deve a vc, q me deixou cair de cabeça qdo eu era pequeno! Hahahaha Mentira!
Vc me fez descobrir uma coisa: “cerveja da melhor espécie” torna palatável desde reuniões de pauta até discurso do Fidel Castro! E é com elas q devemos discutir isso, certo? Certamente, no meu próximo post, terei isso em vista, qdo eu pedir pra vc ler, já estarei com uma aberta (espero grandes elogios! rsrsrs)
Falando sério, a discussão q se abre é ampla e cheia de possibilidades, justamente meu tipo predileto de discussão!
Obrigado pelo apoio em tudo! Volte aqui sempre!
Bjs!!!
Nê
Oi,lindo!!!
Foi através desse livro,com suas dimensões espaciais, que um dia em uma conversa maravilhosa que tivemos sobre o número binário,você definiu as potências numéricas de uma maneira sensacional,nesse dia,enlouquecemos juntos,rrsrsrs,foi ótimo!!!!Com certeza esse é um excelente assunto para vc abordar em uma próxima postagem.
Namorar alguém tão maluquinho,não é fácil,rsrsr
Beijos,te amo!!
Oi, Linda!!!
Pois é, vc que aguenta minhas “loucuras”, né! Aqui, tá tudo editadinho para ser lido… Agora, ninguém imagina o que eu dizia para vc (ou sozinho, como todo maluco q se preze) até chegar a estas conclusões! Algo como “a potência de zero é Deus, como o Tudo em q não há nada fora, por isso q acho os planos geométricos legais, dá para visualizar, como se colocássemos laranjas lado a lado, se bem q as laranjas não são iguais, até aí os quarks tb não, e o Bóson de Higgs é a laranja de Deus, mas o q eu estava falando mesmo??” KKKKKKKKK Só vc pra me aguentar mesmo!!!
MAs vc lembrou bem, a “semente” deste post foi aquela discussão maravilhosa q tivemos! Espero q tenhamos muitas mais daquelas! Vc sempre me ins-Pira! (pegou?? rsrsrs)
Bjs, Menina Maluquinha! Te amo!
Beto.
É realmente seu texto proporciona uma “viagem”. Comecei a ler e as figuras aparecem.
Confesso que sempre fui preguiçosa pra ciências,e etc. Mas seu texto me fez lembrar quando estava no Ensino Fundamental e começamos a conhecer algumas teorias, e essas teorias estudavamos como assertivas.
Hoje, sempre fico surpresa quando essas teorias são quebradas e surgem novas descorbetas e os livros de ciências, biologia são mudados. Não faz muito tempo que terminei o ensino fundamental e algumas delas já mudaram E é aí, pra mim, que “o mundo da ciência” começa a ficar interessante.
Querido, super beijo.
Oi, Má!!!
Bom te ler aqui! Até te gosto um pouquinho! rsrs
Obrigado, querida! Sabe q eu tb sempre fui assim? Aquela coisa de “fórmulas” de Física q eu não entendia para q servia nunca me seduziu, até eu ler, por conta própria, alguns livros e autores q falam sobre isso e as outras matérias de Exatas!
Ou seja, eu acho q, havendo curiosidade de Saber, é só uma questão de encontrar uma maneira onde as informações e teorias estejam explanadas de maneira mais simples e direta.
A Ciência, Má, é muito sedutora, qdo conseguimos entender a dimensão (!?) da nossa FALTA de conhecimento, e entendemos tb quão absurdo e inacreditável podem ser os 1ºs passos q damos para suprir esta falta, há apenas uns 8.000 anos. Tão excitante e maravilhoso como nossas melhores obras de ficção!!!
Bj, querida, saudade! Pouca, mas saudade!
Bé
Oi padrinho,
Adorei…. sou sua fã. Indiquei o blog para umas pessoas que também gostam muito de leitura.
Parabéns e muitos beijos.
Madrinha
Oi, Madrinha!!!
Obrigado pela “audiência” e mais ainda pelas indicações!!! Espero lê-la sempre aqui, comentando!!!
Estamos bolando novidades, queremos cativar nossa seleta audiência, e expandi-la!
Bjão, querida, obrigado de novo, e sua afilhada aguarda sua visita, viu! rsrs
E aí, Beto!
Passei pra deixar meus sinceros “parabéns” pelo seu post!
A questão do “Planolândia” é bem complexa e vai muito “além da nossa vã filosofia”, como dizem por aí.
Realmente, por mais que estudemos ou procuremos entender o sentido das coisas, não podemos afirmar categoricamente que temos total razão. Quando pensamos que já sabemos tudo, surge uma nova informação ou teoria e bummm…. lá se vai nossa crença por água abaixo… E isso ocorre em diversas áreas, desde as ciências, passando pela medicina, religião, política e o próprio direito…
Eu até hoje não sei se o café é herói ou bandido pra nossa saúde!!
O importante é estarmos sempre abertos a aprender novas coisas (tendo, é claro, um mínimo de senso crítico!).
Não deixe de me avisar sobre seus próximos comentários!!
Bjsss e até amanhã!
Oi, Vanê!!!
Obrigado!!! Q bom q gostou!!!
Realmente, é o q conversávamos estes dias, um visionário pode ser tido como louco, já q somos meio “cegos” para enxergar ou estimar o porvir. Muita coisa já caiu, e muito mais coisa ainda vai cair! E o pior é q não saberemos com certeza se a pesquisa publicada é isenta ou não, pq imagine um cientista escrevendo sobre os benefícios do café, tendo sua pesquisa patrocinada pela Nestle, digamos, q tem enorme interesse na área?
Mas é o q vc disse, estármos sempre abertos a novidades – munidos de um bom “filtro” pra saber o q é relevante – minimiza esta nossa “cegueira”!
Espero lê-la sempre aqui! Só não conversaremos sobre isso com o resto do povo no Outback! HAHAHA
Bjão, bom findi!!!
[...] depende da perspectiva[1]. Olhar algo de diferentes planos muda totalmente a percepção. Na verdade, vai ainda muito mais [...]
Êba!! Papo doido com cerveja? Estou dentro, Beto, me chama também! Só me avisa quando, para eu poder combinar com a babá do Leo! Rs. Adorei o post. É delicioso ler isso enquanto me vejo sentada dentro de um cubo pretensamente real. Eu sei que a qualquer momento uma esfera pode entrar pela minha janela. Minha janela está sempre aberta. Às vezes, vejo-a entrar sem saber se é sonho ou realidade, se é que existe alguma linha entre esses dois planos. Obrigada, meu querido amigo guardador de rebanhos. Beijo, inté!
Cris
[...] sua coluna, o Beto falou de Planolândia e visitantes de uma quinta dimensão, perspectiva, resenhou o Muito longe de casa, de Ishmael Beah, racionalizou sobre Deus e [...]