Ao longo da história da humanidade, a criatividade foi uma arma essencial para que o homem se mantivesse vivo. Mais fraco que a maior parte de seus predadores, o ser humano sempre dependeu da sua inteligência para criar armas que garantissem o continuamento da espécie. Com o passar do tempo, essas invenções deixaram de ser apenas mecânicas e passaram a mudar as formas que o homem se relaciona com seus semelhantes e com a própria natureza ao seu redor. É dando um panorama da criatividade ao longo da história que a jornalista e PhD em Ciências da Comunicação Monica Martinez inicia Tive uma ideia! – O que é criatividade e como desenvolvê-la. A obra, que será lançada no dia 19 de abril (mais informações abaixo), é um recorte das pesquisas que a autora realizou para seu pós-doutorado. Mas a obra não é academicista, quando a escrita ameaça tomar um tom muito acadêmico, a escritora consegue trazê-la – com uma comparação, por exemplo – para uma linguagem mais fácil de se assimilar.
Tive uma ideia! Levanta questões pertinentes ao processo criativo, como o quanto sair da zona de conforto e não realizar somente o óbvio – e, consequentemente, enxergar além do óbvio – ajuda a criarmos soluções para os problemas. As fontes de conhecimento onde as pessoas podem adquirir sabedoria também são lembradas. Monica as classifica em cinco: mítico-religiosa, filosófica, científica, artística e cotidiana (a sabedoria popular) e, em um gesto de tolerância raro a muitos cientistas que querem nos fazer acreditar que somente a ciência é sábia, trata com o mesmo respeito tanto o Big Bang quanto o mito (não confundir mito com mentira, por favor) da criação divina da Terra.
Antes de falar da criatividade na prática, Monica já alerta o leitor: “O novo costuma assustar muito as crenças estabelecidas”. Ou seja, qualquer pessoa inventiva irá encontrar barreiras pela frente, mas há como superá-las, é claro, e algumas dicas para isso são dadas no livro. Quanto ao processo criativo – sim, as ideias, na maior parte das vezes, são resultados de um processo, não de um lampejo de genialidade –, ao longo da obra pesquisas de diversos estudiosos do assunto são mencionadas. Partindo de uma teoria formatada por Michael Ray e Rochelle Myers, Monica propõe sua própria teoria sobre as etapas de uma criação, dividida em sete partes: Gatilho, Reunião de Informações, Digestão do Material, Incubação ou esqucimento do problema, Inquietação ou angústia, Insight ou inspiração súbita e Implementação.
O livro também quebra alguns mitos. Talvez o mais importante deles seja o de que a criatividade é algo exclusivo de gênios. Nada disso. Contudo, aqueles que costumam ter ideias normalmente têm alguns aspectos em comum. “Há um diferencial significativo entre os criadores e as pessoas que se situam na média. Os grande idealizadores, por exemplo, não ficam paralisados se percebem que o mundo ainda não está pronto para suas ideias”, relata a obra. Eles também não costumam pensar apenas em ser grande ou rico, mas em algo a mais, em um propósito maior. As pessoas criativas costumam estar motivadas e sua vontade de realizar algo é maior do que as barreiras externas existentes. E, por mais batido que isso seja, eles aprendem com as falhas.
Apesar da qualidade da obra, um parágrafo poderia ser revisto. Em certo momento Monica escreve sobre como atingir um patamar criativo: “Todas as vias de acesso são aceitáveis, com possível exceção das drogas, inclusive o álcool, sobretudo em jovens, pelo poder de causar danos irreversíveis ao cérebro”. Parece um discurso politicamente correto demais. As drogas foram (e ainda são) elementos importantes para o processo de composição e para a criatividade de muitos artistas, por exemplo. Tire o LSD dos Beatles e não teríamos Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band, um dos álbuns mais influentes e inovadores da história da música. Claro que as drogas causam danos ao cérebro, contudo, a opção de utilizá-las ou não (sem levar em conta aspectos legais) cabe a pessoa e a escolha deve ser respeitada.
Contudo, essa questão não interfere, de maneira alguma, na qualidade da obra, que pode ser muito útil para que os leitores passem a colocar mais suas ideias em prática, algo essencial nos dias de hoje. Afinal, a criatividade não está presente somente nas grandes invenções e inovações da humanidade, mas em pequenos gestos que realizamos e que melhoram nosso cotidiano.
Apesar de, naturalmente, haver muito do universo científico e acadêmico em Tive uma Ideia!, ela é feita para qualquer tipo de pessoa. Pode ser valiosa tanto para um pesquisador da USP quanto para o manobrista do estacionamento da esquina.
Livro: Tive uma ideia! – O que é criatividade e como desenvolvê-la
Autora: Monica Martinez
Editora: Paulinas
Páginas: 80

Fiquei empolgado com o livro, e já quero reservar o meu!!!
Pena q só tem 80 págs, tenho certeza q dará vontade de quero mais!!!
Assim q o ler, volto aqui pra comentar!!!
Só pela autora já vale a pena! hahahah
Já quero o meeeeeu!!!!
Vai estar disponível em alguma livraria online? Não dá pra ir em são paulo só pra comprar o livro. rsrs
Oi, Sheylla. Com certeza estará disponível em lojas virtuais, é só dar uma pesquisada após o lançamento.
Um abraço.
Rodrigo
[...] E ele já foi resenhado pelo Canto dos Livros, é só clicar aqui. [...]
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