Por Igor Antunes Penteado
Certa vez eu ouvi uma fábula que dizia mais ou menos o seguinte: havia um sujeito que era tão aficionado por soluções mirabolantes que, quando se deparava com uma porta fechada, derrubava a parede ao invés de procurar a chave. Isso, é claro, trata-se de uma metáfora para demonstrar o quanto nós, muitas vezes, quebramos a cabeça para tentar solucionar um problema cuja resposta é tão óbvia que, na verdade, o problema nada mais é do que a falta de atenção ao óbvio.
A obviedade é uma questão de perspectiva. Algo que é óbvio pra mim pode não ser para os colegas deste blog, assim como também pode não ser pra você que está lendo. E vice-versa. Mas é exatamente essa a grande sacada. Estar atento a coisas que, de tão óbvias, ficam mascaradas na nossa frente, pode tornar as nossas vidas muito mais fáceis. Treinar o cérebro para resolver problemas com soluções óbvias acaba por desenvolvê-lo, também, na solução de tarefas mais sofisticadas, que aí sim exigem toda inventividade da qual somos capazes.
Esse é exatamente o tema de um livreto – se é que posso assim chamá-lo – lançado no início do século passado, mas que se mantém atual de uma maneira incrível (como todo bom livro, diga-se). Mas não é só o caráter atemporal de Adams Óbvio que o faz ser tão instigante. Nas pouco mais de trinta páginas do conto – mesmo em diferentes impressões, ele não varia muito disso –, o autor Robert R. Updegraff mostra como as soluções mais simples podem ser – e na maioria das vezes o são mesmo – as mais eficazes.
O enredo gira em torno de um publicitário que, desde cedo, faz sucesso no mundo dos negócios por sua capacidade de enxergar não além daquilo que todos os outros enxergam, mas justamente por enxergar aquém. De tão óbvias, as ideias do personagem principal sempre geram como resposta a famosa indagação “nossa, como não pensei nisso antes?”, mas fazem-no chegar ao mais alto nível da empresa justamente por essa capacidade.
Apesar de ser a história de um publicitário, Adams Óbvio tem uma capacidade incrível de ampliar o ponto de vista de todos, não só sobre o mundo dos negócios, mas sobre qualquer profissão, exatamente pela mensagem universal e atemporal que sua história carrega: o óbvio pode ser a melhor saída – ou entrada, como na fábula do início deste texto –, basta você encontrar a chave!
Excelente, Gugu! Não conhecia este livreto!
Já vi filmes com enredo parecido com este, mas nada como ir às origens, né!
Aliás, o óbvio quase sempre me escapa: muitas vezes, aquilo q é uma solução simples fica invisível a mim, q estou tentando enxergar além. Ou seja, consigo abstrair, mas me perco nos detalhes e nas coisas práticas.
Este artigo também me lembrou a “Navalha de Occam”, que diz mais ou menos o mesmo, e torna até engraçado ler os “malabarismos” q todas as pessoas, nós inclusive, criamos para enganar aos outros e a nós mesmos.
Abraço!
[...] o ano falando sobre religião, depois procurou um limite aceitável para o incentivo à leitura, descobriu o óbvio, falou sobre assassinos em série e trocou figurinhas com Homem comum, do Philip Roth, e Carta a [...]