Hoje começa a Flip, a famosa Festa Literária Internacional de Paraty e, obviamente, eu adoraria estar lá. Gostaria de ver, principalmente, as mesas do Miguel Nicolelis e Luiz Felipe Pondé, Pola Oloixarac e valter hugo mãe (que prefere ter seu nome gravado todo em letras minúsculas mesmo) e Joe Sacco. Contudo, infelizmente, minha presença em Paraty, que já estava programada e quase toda acertada, teve que ser cancelada.
Amo literatura, mas odeio ter o meu dinheiro extorquido. E é isso que fazem com o público que frequenta a Flip: extorsão. Começa pelas hospedagens na cidade. O albergue mais barato que achei cobrava R$60 por dia em um quarto coletivo para mais sete pessoas, sendo que, para outras datas, uma vaga do mesmo tipo não sai por mais de R$30. Ora, o que os albergues e hotéis passam a ter durante a Festa que justifique cobrar 100% (pelo menos) a mais nos serviços que oferecem? Isso é um grande oportunismo, isso sim. Pior ainda, a maior parte deles oferece hospedagem apenas para quem realizar reserva para os cinco dias do evento, ou seja, se você chegar na quinta e for embora no sábado (três dias) tem que pagar os cinco de qualquer maneira. E imagino que essa superinflação momentânea acabe atingindo toda (ou boa parte) da cadeia turística da cidade.
Contudo, o pior não está na hospedagem, mas na venda dos ingressos. Para assistir a uma mesa pessoalmente, R$40; para assistir de um telão, R$10. Para piorar, na compra do ingresso você é obrigado a pagar mais 20% de taxa de conveniência para a empresa responsável pela comercialização dos bilhetes e mais R$8 em cima de cada ingresso para poder retirá-lo nas bilheterias. Ou seja, o que era R$40 passa a custar R$56; o que era R$10, tem o preço real de R$20. Quem for assistir tudo pessoalmente vai ter que desembolsar R$1120; pelo telão, R$400.
E quem pode pagar R$40 (que na verdade é R$56) para assistir a uma palestra/ debate/ entrevista? Apenas quem tem dinheiro, claro, o que torna o evento automaticamente elitista. E aí pode haver o argumento de que há a opção do telão. Claro que há, mas ela também está longe de ser barata, ainda mais sabendo que todas as mesas serão transmitidas ao vivo pela Internet, de graça (e essa é uma iniciativa ótima. Nesse ponto, parabéns organização da Festa!).
Penso que um evento como a Flip deveria se preocupar em possibilitar que a literatura realmente esteja ao alcance do brasileiro comum, não apenas dos mais endinheirados. Sei que a realização da Festa custa bastante dinheiro, contudo, não faltam empresas dispostas a associar suas marcas a um acontecimento literário desse porte. Então, que façam com que elas paguem a conta, para que todas as camadas da população possam ter acesso a ele.
A Literatura não combina com elitização, e espero que não façam do maior evento literário do país algo destinado apenas aos mais abonados. Contudo, infelizmente, os primeiros passos para que isso aconteça já foram dados.
Oi Rodrigo!
Que pena que você não vai. Entendo sua revolta e acho que está certo em muitas colocações. Mas posso lhe garantir que não tenho dinheiro e este é o quarto ano que vou. Vale a pena, vale muito. Nos três anos anteriores aproveitei as minhas férias e o dinheiro delas. Claro, no mês seguinte fiquei enforcada, mas feliz. Este ano não pude tirar férias no mês da Flip, não iria, mas a presença de Joe Sacco me fez repensar e resolvi ir no final de semana. Consegui hospedagem para duas noites, a R$ 75,00 a diária, o que dará um valor de R$ 150,00. Já paguei metade, quando chegar lá pago mais R$ 75,00. A passagem é R$ 47,00, num total de R$ 94,00, ida e volta. Comprei ingressos para duas mesas, a do Joe Sacco, no autor, no valor de R$ 40,00 (comprei direto no Ponto de Venda da Fnac, então não paguei a taxa), e a do João Ubaldo, mas telão, no valor de R$ 10,00. Lá decido se compra mais alguma, também dependendo da disponibilidade, mas há també atividades gratuitas e todo o clima bom da cidade. Para comer, tenho TR, não sei se aceitará por lá, mas geralmente faço refeições leves, em restaurantes por quilo, gastando uma média de R$ 25,00 por dia, um pouco mais ou menos. Bom, ao todo, acho que vou gastar desta vez pouco menos de R$ 400,00, somando tudo. É uma graninha, sem dúvida, mas não muito para um evento deste porte. E continuo dizendo: vale a pena!
Oi, Cecilia. Não duvido que valha a pena. Contudo, aquela pessoa que ganha um ou dois salários mínimos por mês e ainda tem que garantir a vida dos filhos e, talvez, da mulher, tem condições de ir? É nesse ponto que pego. Mas que bom que você vai, e, se quiser, escreva como foi para nós. Bjs.
Desculpe Rodrigo, mas é evidente que uma pessoa que ganha um ou dois salários mínimos por mês e tem que garantir a vida da família não vai nem querer pensar em Flip, debates, Oswald de Andrade, Paraty, etc.
Enquanto a educação no Brasil continuar o que é, o máximo que uma pessoa nessas condições vai querer é passar o final de semana vendo um futebol ou tomando uma cervejinha com os amigos.
Afinal, ele também tem o direito de descansar um pouco, certo?
Certo, Maria. Mas isso não pode servir como argumento para cobrar o que andam cobrando nas coisas, certo?
OLÁ.
EXTORSÃO JÁ FAZ PARTE DA CULTURA DE ALGUNS MAUS BRASILEIROS.
ISSO É UMA VERGONHA.
ABS DO BETOCRITICA.BLOGSPOT.COM
[...] e O filho da mãe, de Bernardo Carvalho. Falamos de quando o Carnaval e a Literatura de encontram, criticamos a Flip, falamos do lançamento do Luzir, de como os personagens marcam os leitores e dos livros indicados [...]