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Casos filosóficos

Por Rodrigo Casarin

A filosofia está na moda. Em uma rápida visita à livraria é possível encontrar livros que usam ideias de Platão para combater o estresse, Sun Tzu para orientar empresários, Maquiável para quem quer se achar malvado e poderoso, lições de Sócrates, enfim, uma grande variedade de títulos que transformam (e muitas vezes distorcem) os pensamentos de grandes filósofos em máximas fáceis que podem ser aplicadas conforme o interesse do leitor.

Seguindo a linha de títulos que simplificam a filosofia para que o leitor dito comum tenha acesso a ela, a Civilização Brasileira, que pertence ao Grupo Editorial Record, lançou Casos Filosóficos, um apanhado de curiosidades sobre alguns dos maiores pensadores da história com algumas pinceladas de suas ideias. O autor da obra é Martin Cohen, professor e escritor especializado em filosofia, que já escreveu outros livros sobre o assunto e desde 1995 é editor da revista inglesa “The Philosopher”.

Apesar da obra não se aprofundar nas ideias de nenhum dos filósofos, ela é uma boa opção para quem busca um conhecimento raso sobre pensadores, o que já pode ser mais do que muitos intelectuais que se gabam de conhecer a fundo a filosofia mas não sabem mais do que algumas ideias ou frases isoladas e descontextualizadas de nomes da moda, como Sartre ou Foucault.

Além disso, o leitor poderá perceber o quanto esses grandes nomes da história eram pessoas comuns, repletas de defeitos e de posições condenáveis nos dias de hoje. Há filósofos que defendiam a escravidão, que estavam no embrião do nazismo, que apoiavam as condutas extremistas da igreja… Enfim, uma porção de posturas comuns às pessoas de determinados lugares em determinadas épocas, comuns às pessoas médias em qualquer momento da história. E aí mora um dos problemas de Cohen em Casos Filosóficos, não explicar para o leitor que o que é condenado hoje podia ser a coisa mais banal do mundo em outros tempos. Não dá para condenar o que alguém fazia há 3 mil anos levando em conta os valores atuais.

Casos Filosóficos vale pela diversão e pela curiosidade, mas pouco pela filosofia em si. A melhor forma de se aprofundar no pensamento de Aristóteles, Pitágoras, Agostinho, Spinoza, Kant, Hegel, Marx ou Russel, dentre outros, continua sendo a leitura de suas obras ou, ao menos, de obras de autores que se preocupem mais com as ideias dos filósofos do que com as particularidades de suas vidas.

Começa hoje e vai até o dia 22 de julho, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, a exposição Jorge Amado e Universal, sobre um dos nomes mais importantes da história da literatura brasileira. Estive ontem na festa de abertura da mostra e gostei do que vi. Destaque para a sala sobre as prostitutas nas obras do escritor baiano – com néons espalhados pelas paredes e textos escondidos em caixas – e para as cartas que Jorge recebia de amigos como José Saramago, Carlos Drummond de Andrade e Érico Veríssimo. Recomendo a visita, sem dúvidas.

Clube da prosa – abril

Confira aqui a entrevista que fizemos com o autor.

Clique na imagem para ampliá-la.

Confira aqui a entrevista que fizemos com Renato Modernell.

Novidades na área

Viagens na minha terra

Almeida Garrett

Viagens na minha Terra é considerado o marco inicial da moderna prosa portuguesa. A obra, que na Coleção L&PM Pocket traz introdução biobibliográfica de Jane Tutikian, faz parte da lista de leituras obrigatórias para o vestibular Fuvest 2013.

Ao lado de Alexandre Herculano, Almeida Garret compartilhava o projeto de, a partir da literatura, conceber uma cultura nacional que se revelasse como herdeira das tradições do país. Uma literatura portuguesa nova, com o que de melhor caracterizasse o povo luso. Em 1843, Garrett começou a publicar Viagens na minha Terra naRevista Universal Lisbonense, mesclando suas impressões da viagem ao vale de Santarém à narração novelesca em torno de Carlos, Frei Dinis e Joaninha.

Colocando frente a frente o Frei Dinis, representante do velho Portugal, absolutista, e Carlos, representante da renovação e do liberalismo, o autor trabalhou duas de suas paixões, a política e a literatura, deixando para sempre sua marca como renovador das letras e partícipe do cenário político português do século XIX.

O inventário De Julio Reis
Fernando Molica
No início do século XX, o compositor paulista Julio Reis (1863-1933) luta para brilhar na capital federal e se desespera com as mudanças na música. Décadas depois, Frederico, filho do maestro, tenta impedir que seu pai seja esquecido e se dedica, até o fim da vida, a resgatar sua memória e sua obra. Neste romance, o escritor Fernando Molica, bisneto de Julio Reis, conta ficcionalmente a história do músico, de seu filho e de um tempo de grandes transformações.

 

O fio da palavra
Bartolomeu Campos de Queirós
Nesta narrativa poética, o último livro de Bartolomeu Campos de Queirós para a Editora Record, o autor tece, costura e arremata por meio de palavras cheias de musicalidade o ofício do escritor. Qual é o processo pelo qual o texto passa e a motivação de quem o faz existir, como é o planejamento, de onde surge a inspiração… Em uma verdadeira declaração de amor à escrita, acessível a leitores de qualquer idade, o poeta, que morreu em janeiro de 2012, enche as linhas com belas metáforas sobre o ato de escrever e a própria vida.

 

O faraó
Boleslaw Prus
Publicado em mais de 20 idiomas, O faraó, de Boleslaw Prus, ganha tradução de Tomasz Barcinski. A adaptação cinematográfica do romance monumental do escritor polonês concorreu ao Oscar de melhor filme estrangeiro, em 1966. A trama ambientada no Egito Antigo conta a ascensão do faraó fictício Ramsés XIII e seu embate com a casta sacerdotal para a diminuição dos privilégios da classe. Por fim, o jovem perde a disputa para seus inimigos e fracassa em proporcionar uma vida melhor para o povo egípcio. O faraó é a segunda publicação da Coleção Fanfarrões, libertinas e outros heróis, organizada por Marcelo Backes e dedicada a grandes obras ainda inéditas no Brasil.

 

O clube Dante
Matthew Pearl
Um poema épico com mais de sete séculos pode não parecer material para uma trama literária empolgante. Mas Matthew Pearl consegue o feito. Fã do escritor italiano – e ele mesmo ganhador do Prêmio Dante do Dante Clube da América -, converteu o intenso interesse acadêmico num thriller que chegou ao topo da lista do New York Times na primeira semana após seu lançamento. Um sucesso de público e crítica já traduzido para mais de trinta idiomas.

 

O último Dickens
Matthew Pearl
Um romance sobre a última e inacabada novela de Dickens. Um suspense histórico repleto de personagens reais, que reflete a criteriosa pesquisa de Matthew Pearl sobre a era vitoriana. Das guerras do ópio até o florescimento do mercado editorial e da imprensa, o autor recria uma época de transformações também nas relações pessoais. Um thriller brilhante, que envolve, ainda, misteriosos aspectos da vida de conhecidos ícones da literatura moderna. Após retratar as dificuldades da tradução de A divina comédia para o inglês em sua estréia literária, Matthew agora foca em O mistério de Edwin Drood, o famoso romance em que Dickens trabalhava quando de sua morte.

 

A brincadeira favorita
Leonard Cohen
Romance de estreia de Leonard Cohen, A brincadeira favorita não apenas se alinha à poética musical do cantor e compositor, mas a amplia. Lançado em 1963, quatro anos antes de seu primeiro disco, o livro segue a trajetória de Lawrence Breavman, desde a adolescência em Montreal no final dos anos 40 a suas aventuras afetivas e literárias em Nova York, em meados dos 50. Narrado em terceira pessoa, o livro é dividido em capítulos curtos, caracterizados por cortes cinematográficos, humor sofisticado e densidade poética.

 

A contadora de filmes
Hernán Rivera Letelier
Maria Margarita é a filha menor de uma família de mineiros, para quem a sessão de cinema dos domingos – única diversão do povoado – é ocasião para descobrir a última obra-prima de Chaplin, as tramas lacrimejantes dos filmes mexicanos, a saia esvoaçante de Marilyn Monroe ou as novas aventuras de John Wayne. Um acidente sofrido pelo pai corta a renda familiar pela metade, e um só dos filhos será escolhido para ir ao cinema com a missão de contar a história do filme para o resto da família. Maria Margarita é quem se sai melhor e descobre o talento que tem para narrar.

 

Contos de lugares distantes
Shaun Tan
Contos de lugares distantes é a estreia na Cosac Naify de um dos mais celebrados autores contemporâneos de literatura infantojuvenil, Shaun Tan. Em seu único livro de contos, o artista demonstra seu estilo narrativo inconfundível e a versatilidade de seu traço. As 15 histórias curtas e inteligentes misturam o real e o fantástico de forma sensível e poderosa, narrando situações fora do comum, como a do estudante de intercâmbio do tamanho de uma castanha, a do búfalo sábio que vive num terreno baldio, ou a da máquina misteriosa que aparece de repente numa cidade… Histórias cheias de significado que mostram como pessoas “normais” reagem a incidentes surreais.