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Archive for the ‘Canto do Fred’ Category

Por Fred Linardi

Montaigne-Os-ensaiosExistem clássicos da literatura de ficção, assim como há clássicos da filosofia e das várias vertentes da ciência. Quando se trata de ensaio, no entanto, o crivo parece se estreitar – apesar deste gênero ser um tanto subjetivo em sua classificação. E então, uma das obras que ocupam o topo da categoria são a coletânea Os Ensaios, de Michel de Montaigne. Ele é considerado o criador deste tipo de texto que fica entre o livre pensamento e a objetividade acadêmica ou científica. Sua obra ganhou corpo depois que ele se decidiu se retirar e dedicar seu tempo à leitura e à produção da encorpada obra que acabou por gerar. Sim, ele era um nobre de família abastada. Além de herdeiro e pai de família, chegou a ser prefeito de Bordeaux, soldado, administrador e viajante. Quando decidiu se afastar, e preocupado com sua saúde, propôs-se a escrever sobre quase tudo – e aqui está o preceito do gênero que, na verdade, já havia sido praticado por mentes bem mais antigas que haviam se arriscado em livres pensamentos, como Sêneca, Plutarco e Sei Shõnagon.

Essa seleção dos ensaios do pensador francês reúne grande parte dos três antigos volumes que têm sido lidos ao longo desses cinco séculos no mundo todo. Temas universais como o medo, a ociosidade, a idade, as orações, o verdadeiro e o falso, a consciência, a embriaguez, a crueldade, Sêneca e Plutarco (!), arrependimento, a crueldade, e assim vai… Apesar dos assuntos serem para sempre atuais, é claro que a abordagem remonta ao seu conhecimento da época, com exemplos contemporâneos a sua realidade. Da mesma forma, para o leitor de hoje pode soar um tanto rebuscado. Mas olhando mais de perto vemos a ousadia de escrever sobre esses assuntos e permitir-se vagar por algo semelhante ao fluxo de consciência que passaríamos a ver em ensaios mais modernos, de cunho pessoal. Acontece que Montaigne já se coloca em seus próprios textos, mostrando mais verdade e nos aproximando mais de seu discurso.

Se o ensaio é um texto em que o autor se arrisca por campos ainda não visitados por ele, o texto “Sobre os canibais” pode ser um exemplo disso. Ele foi construído a partir de relatos lidos dos europeus que estiveram no Brasil. O contexto ainda era em torno da selvageria indígena versus a cultura civilizatória. Mas Montaigne, que se preocupava em evitar radicalismos, acaba por questionar – afinal, quem são os selvagens?

Apesar de reflexões que continuam atuais, a leitura não deixa de ser de fôlego. Os ensaios são raramente curtos e, refletindo a base de sua educação – ele foi alfabetizado em latim –, são entremeados de citações nesta língua, seguindo pensamentos de Horácio, Virgílio e Cícero, entre outros. Este livro é tanto um convite para uma longa leitura quanto para breves consultas acerca de seus temas. 

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Por Fred Linardi

A_HISTORIA_SEM_FIM_1229355292PHouve uma geração que assistiu inúmeras vezes ao filme História sem fim, que habitava a Sessão da Tarde mês sim, mês não. Para quem viajava nas cenas e terras fantásticas, o livro que deu origem ao belo filme não é uma boa pedida, é uma ordem. Até porque a história retratada na tela não passa da metade das quase 400 páginas da obra. Com sua imaginação ao extremo, o escritor alemão Michael Ende faz uma ode ao mundo fantástico e a nossa capacidade de habitá-lo sem nos perdermos em suas armadilhas. Quem lê o livro é Bastian, escondido no porão de escola, acompanhando as aventuras de Atreiú. Lemos o que Bastian lê até que ele acaba entrando no próprio livro, eis aqui o ponto de partida da história que o cinema não mostrou. A literatura de Ende não menospreza nem a criança, nem o adulto, com suas nuances filosóficas e as reflexões dos personagens.

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Por Fred Linardi

GarotaencontragarotoAli Smith não é uma escritora convencional. Suas histórias não costumam ser convencionais. Podemos acompanhar suas obras pouco a pouco serem traduzidas para o português e confirmar que essa escocesa tem muito a dizer das maneiras menos esperadas.

No seu premiado romance de 2005, Por acaso, uma família inglesa é surpreendida com a aparição de uma moça totalmente desconhecida na casa onde passam as férias de verão. As relações se redefinem de acordo com essa figura estranha na vida dos pais e dos filhos, um a um. Em seu mais recente livro lançado no Brasil, uma coletânea de contos chamada A primeira pessoa, as mesmas situações inusitadas acontecem, como em A criança, onde uma mulher se depara com um pequeno e fofo garotinho que aparece de uma hora para outra em seu carrinho de supermercado. Fofo até o momento em que ele começa a provocá-la com perguntas constrangedoras e preconceituosas.

A inventividade de Ali Smith está presente também em Garota encontra garoto, um breve romance e uma dessas histórias capazes de fisgar o leitor logo na primeira frase “Agora deixa eu te contar como eu era quando menina, diz nosso avô”. E então a protagonista da história, Anthea começa a contar sobre a história de seus avos, que a criaram ao lado de sua irmã, Imogem, depois de se tornarem órfãs. Os avós, como o leitor prevê de cara, não têm um estilo de vida dos mais comuns.

Fica claro também que este é um romance que gira em torno dos gêneros sexuais. Anthea é a irmã mais nova de Imogen, que trabalha numa multinacional chamada Pura, que extrai e vende água mineral. Imogen traça uma carreira brilhante como uma mente criativa nessa bizarra companhia, consegue uma vaga para Anthea, que pouco se encaixa naquele trabalho, naquele sistema cruel e capitalista. A mais velha olha a caçula com reprovação, mas nada vai surpreendê-la mais do que o dia em que ela flagra Anthea na rua beijando Robin, uma militante contra as injustiças do mundo atual, como o ato de se apropriar de um bem natural, como a água.

Enquanto Imogem é uma moça centrada, funcionária exemplar, Anthea divaga pelas ruas de Inverness, ora pensando em se jogar no rio Ness, ora pensando sobre a vida dos livros do sebo, que jamais encontrarão a luz do sol se ninguém os ler, ou então divagando sobre como as pessoas que trabalham em shopping centers parecem desconfiadas, depressivas e maldosas. O encontro com Robin vem para fazer com que ela assuma sua homossexualidade, assim como seu lado militante contra as forças opressoras da nossa civilização.

Separada em partes com vozes narrativas alternadas, ora temos a história contada por uma irmã, ora somos levadas pela outra. Nessa alternância de vozes, entramos para o tema da alternância de gêneros masculinos e femininos. É neste ponto que Ali Smith lança mão da versão de Ovídio para o mito de Ifis, presente na obra Metamorfoses, em que esta jovem nascida na ilha de Creta e criada pela mãe como um menino é transformada em homem pelos deuses às vésperas de casar-se com sua bela noiva Iante.

Apesar das fortes personagens, do tema cada vez mais presente em discussões atuais, a autora descreve tudo de maneira natural, com uma história fluida e repleta de sutilezas como no momento em que toma um chá com torradas junto aos avós e reflete sobre o sabor da manteiga na torrada. “Estamos com o gosto de torradas com manteiga na boca. Quer dizer, eu presumo que estejamos todos com o mesmo gosto, já que comemos da mesma torrada, quer dizer, fatias diferentes da mesma torrada. E é aí que começa a preocupação. Sim, porque e se todos experimentarmos de forma diferente o gosto das coisas?”

Em outro momento, enquanto Anthea ouve Robin contar sobre a lenda de Ifis, afirma para a namorada “Nasci desmistificada. Cresci desmistificada.” Ao passo que ouve como resposta “Cresceu nada. Ninguém cresce sem mitos. O que importa é o que a gente faz com os mitos com que crescemos.”

A resposta de Robin vem ao encontro com a própria vida da autora, que vive com sua companheira há 20 anos e que mostra neste livro que os mitos estão até hoje entre nós para provar que a natureza humana é muito maior do que a moral criada e recriada de tempos em tempos, incapaz de sobreviver no topo de seus duvidáveis e relativos alicerces.

 

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Por Fred Linardi

PEIXE_GRANDE_1293121765PTendemos a imaginar que a fantasia está se enfraquecendo. O mundo se tornou chato, dizemos também. As histórias infantis, em especial os livros clássicos, são um campo minado prestes a explodir na primeira análise dos fiscais do politicamente correto. Tira-se do contexto de época e de repente Monteiro Lobato se torna perigoso para nossa frágil moral. E então, no mundo de hoje, com crianças precocemente adultas, a impressão que temos é essa, a de que o mundo da fantasia vive num arriscado limiar.

Tanto a literatura quanto o cinema encontram um grande apelo comercial quando a história prestes a ser lida ou assistida se trata de uma narrativa inspirada numa vida real. Parece que as horas investidas na poltrona encontrarão mais sentido do que se a história em questão fosse meramente ficcional (como se isso fosse simples, como se a inventividade tirasse a autenticidade de uma vida inventada). E então, no entanto, nos lembramos do que há de real numa ficção e do que existe de universal em qualquer história tirada da imaginação.

No final, o que se extrai tanto de uma literatura quanto da outra é o que de há de humano, o que move o leitor na história. Ao cabo, chegamos à conclusão que não esgota o ciclo dessa questão, de que a fantasia jamais vai perder seu espaço, mesmo num mundo chato como ele se apresenta.

Peixe grande, de Daniel Wallace, é uma prova disso. Trata-se de um pequeno livro, uma história sobre a vida de Edward Bloom, que se encontra agora no leito de morte. É seu filho, William, que narra a história intercalando com diferentes momentos dessas horas do fim da vida com as extraordinárias passagens que ouviu sobre o passado do pai. Ouviu-as do próprio Edward, mas também as complementações e variações dos fatos que amigos e estranhos contavam sobre aquele homem sem igual. Dessa forma, o conhecido e mitológico pai está se esvaindo diante de um filho que, na verdade, pouco lhe conhece.

As inúmeras histórias, que se parecem mais fábulas que os adultos contam para entusiasmar as crianças, parecem não preencher o vazio que o filho sente em relação à ausência deste pai que tanto viajou durante a infância e juventude de William. De espírito aventureiro, não conseguiria jamais viver entre as paredes da casa, repletas das previsíveis coisas da vida.

Toda pergunta ou observação do filho sobre o pai, nos derradeiros diálogos antes da morte, ainda levam Edward a se lembrar das anedotas das quais ele teria participado e protagonizado ao longo de sua vida. William se irrita o tempo todo, pois, de tanto ouvir tantas histórias diferentes, sofre por nunca saber de fato quem havia sido seu pai além daquelas histórias deslavadamente inventadas, mesmo que tivessem realmente acontecido – sim, há um jogo de confusão e realidade digna de mestres contadores de histórias.

Mas acontece que o tão carismático e adorado-por-todos é um Edward que vive e morre como todos os seres humanos. Sua figura é imperfeita, mas escolheu contar ao filho os melhores pedaços de sua história. “Não importa; a história está sempre mudando. Todas as histórias mudam”, escreve o narrador em dado momento do livro. E o que fica é o que sabemos enxergar dela. O final redentor da relação entre pai e filho prova que a vida é grande, maior do que aquilo que escutamos e queremos acreditar. Maior do que nos contam ou do que ouvimos.

Vale dizer que o livro, adaptado para o cinema em 2003 pelo diretor da fantasia, Tim Burtom, teve muitas modificações em seu roteiro, com uma série de elementos e personagens criados para a tela. Dessa forma, o leitor de Peixe Grande tem contato com essa história a partir da inventividade própria do autor Daniel Wallace que, além de escritor é também ilustrador. A única frustração é que a edição do livro não conta com seu trabalho como desenhista, o que poderia contribuir muito com a riqueza deste trabalho. De qualquer maneira, suas palavras são o suficiente para ilustrar a mais árida das imaginações.

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Por Fred Linardi

VozesMarrakechEntre as particularidades de um bom livro de viagem está algo além da rica experiência de vivenciar os dias em que se passa em terras distantes geográfica e culturalmente. E aí está o tempero final que se dá num relato exemplar: a confluência de vivências culturais diversas – a de si e dos outros – num linguagem nobremente literária a partir de uma visão singular sobre o cenário e as pessoas que se apresentam, diversos de sentidos e motivações para um escritor. É essa a grande qualidade de As vozes de Marrakech, de Elias Canetti, que de defeito só tem um: suas breves páginas fazem o livro acabar muito antes de estarmos preparados para isso. Vale a pena conhecer o relato deste Nobel, que reúne as melhores qualidades de um escritor e ensaísta.

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Por Fred Linardi

AnarquistasFaz poucos anos, talvez uns dois, que voltei de recesso e tomei um susto ao passar pela Paulista e ver que um casarão tinha se reduzido ao pó. Perto dele, no mesmo quarteirão, numa esquina com a Alameda Santos, outro palacete tinha se tornado mais um terreno prestes à planagem que planifica a cidade cheia de espigões.

Enquanto damos adeus ao ano velho, outras memórias costumam ir embora, num lapso aproveitado pela especulação imobiliária. Casas caem na surdina, enquanto a fiscalização dorme ao lado das garrafas entornadas no Réveillon.

Dizer que o Brasil é um país sem memória faz todo sentido. Não só pela mágica amnésia política, mas também por não termos conhecimento do lugar em que habitamos. Além das casas não preservadas, ignoramos as histórias não registradas. A literatura de memória, tão praticada e lida em países como Estados Unidos, Inglaterra e França, pouco tem tradição por aqui.

É fato que os livros de memória partem de uma motivação autobiográfica, narrando as reminiscências da infância, as histórias que os velhos contavam, as relações entre pais e filhos, assim como os costumes e cenários de outrora. Isso tudo, por si só, já é motivo para grande interesse. As histórias de vida são uma ótima ferramenta para entendermos o passado do outro e identificar com o presente em que vivemos. As questões, as frustrações, as conquistas, a trajetória como um todo, são particularidades biográficas e, ao mesmo tempo, elementos universais.

No livro Escrevendo com a Alma, formado por uma coletânea de ensaios e crônicas que se dedicam a orientar o ato de escrever sobre o que te der na telha, inclusive as memórias pessoais, Natalie Goldberg logo aconselha para que os aspirantes à escrita se preocupem em escrever antes de pensar em mais nada, deixando de lado armadilhas do ego, principalmente as que tendem a bloquear a criação. A preocupação se aquilo é arte ou não pode vir num momento bem posterior; depois de muita prática, claro.

Talvez pelo medo de soar ridículo, de não saber “escrever como um escritor”, muitos se silenciam. Filhos deixam de encontrar diários dos avos e pais. Netos não alcançam mais a história dos bisavós e assim gerações se apagam com o passar de décadas.

Não sei daquele palacete da Avenida Paulista que, há dois anos, deixou de existir. Não imaginava que na década de 1920, na esquina da Alameda Santos com a Rua da Consolação, havia outra casa mais simples, com um jardim e paredes pintadas com gravuras e em cujo muro se apoiavam os moradores vendo os cortejos fúnebres passarem em direção ao Cemitério da Consolação. A Avenida Paulista, muito chique, não poderia ser palco para isso. Tampouco sabia que a Rua Caetano Pinto, no bairro do Bixiga, era temida devido aos seus moradores, a maioria deles vindos do sul da Itália e mal afamados por sua brigas e gritarias.

Antes de começar a escrever seu primeiro livro, Anarquistas, graças a Deus, Zélia Gatai almejava apenas escrever um conto inspirado por uma passagem de sua infância. Ao ver o esboço de algumas páginas, Jorge Amado devolveu-lhe: esqueça o conto e escreva logo suas memórias. E assim sua esposa fez. O resultado, publicado originalmente em 1979, é um texto com as melhores cores de uma obra de memória. Com histórias contadas de maneira despretensiosa, sua linguagem se encontra com a espirituosidade e ingenuidade infantil da década da garota, ao passo que vemos um retrato de uma família italiana num Brasil que prometia a realização de sonhos para quem cruzava os mares e aportava por aqui.

Entre o ambiente e organização de uma casa de pais com convicções anarquista “ma non troppo”, Zélia escreveu seu retrato da São Paulo dos bondes, dos piqueniques no Parque da Luz, das movimentações da Revolução de 1932, dos carnavais, narrando a partir do cenário de imigrantes que lutam para se estabelecer dentro do desenvolvimento de um país que, para muitos deles, reservavam trabalhos semelhantes a de novos escravos. No caso dos Gattai, foi com a abertura de oficina para carros que Ernesto, o pai, empreendeu seu negócio num galpão da casa alugada, garantindo o sustento e conforto aos cinco filhos.

Entre a escassa bibliografia do gênero no Brasil, Anarquistas, graças a Deus é um exemplo do valor de se fazer esse tipo de registro. Entre tantas contribuições apontadas pelos estudiosos da memória, é a partir dele que recuperamos um passado desconhecido até a leitura. E como conclui Lilia Moritz Schwarcz no posfácio desta edição, narrativas como esta “descrevem um mundo que, apesar de perdido no tempo, continua guardado na memória, agora afetiva”, e que “eternas são as histórias que nasceram para não acabar”.

Feito isso, nem tratores são capazes de derrubá-las.

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Por Fred Linardi

TerradoshomensA elegância é breve, a genialidade é sutil e Antoine de Saint-Exupéry não é apenas o autor do Pequeno Príncipe. Aliás, ele não era só escritor e ilustrador. Traçava suas linhas no papel entre uma viagem e outra que fazia como piloto de avião do correio aéreo europeu. Suas narrativas de viagem são extremamente imagéticas, filosóficas e inspiradoras. Terra dos Homens tem tudo isso e está dividido em capítulos que falam sobre as vivências do autor, suas reflexões sobre a vida, viagens, aviões, sobre o mundo e, sobretudo, sobre o homem. Entramos em contato com o universo que tanto despertou sua criatividade com escritor.

Eis um grande e breve livro dentro do qual cabem suas viagens pela Europa, África e América do Sul, com descrições de paisagens, encontros com pessoas locais e uma inesquecível luta pela sobrevivência no deserto do Saara. O prefácio de Armando Nogueira abre o livro nos convidando para a visão poética de um homem que soube reverenciar a máquina, sem jamais menosprezar o valor do ser humano.

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