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Posts Tagged ‘Academia’

Recentemente, uma polêmica assolou o mercado nacional de literatura: o embate entre a edição da Granta com os 20 melhores escritores brasileiros da atualidade e o livro Geração Subzero (resenhado aqui pelo Fred Linardi), que traz outros 20 escritores que vendem bem, mas são quase que ignorados pela crítica. Nas discussões – que passavam por temas como “público x crítica” e a impossibilidade de se escolher duas dezenas de representantes de uma literatura tão ampla como a brasileira – , muito foi falado e nada concluído. Contudo, para contribuirmos de alguma forma com este importante debate, conversamos Felipe Pena, organizador de Geração Subzero (além de jornalista e Doutor em Letras pela Puc-Rio, professor universitário e autor de 13 livros, que se dividem entre teóricos e ficcionais).

Canto dos Livros: Na sua opinião, o que é um livro bem sucedido?

Felipe Pena: É um livro que provoque o leitor, que o faça pensar e, acima de tudo, que o faça virar a página, sem conseguir largá-lo. Quando escrevi meu primeiro romance, Fábrica de diplomas, estas foram minhas preocupações. E elas continuaram nos livros seguintes. O melhor elogio que posso receber é quando um leitor diz que ficou grudado na história. Não há nada melhor.

CL: O que é a crítica literária para você? O que pensa e qual a importância que dá a ela?

FP: Com raras e boas exceções, não acho que tenhamos uma crítica literária de verdade no Brasil. Há, no máximo, resenhistas pautados por alguns grupos de influência. E esses grupos determinaram que só têm valor os escritores cuja prosa se aproxima da elipse, da referência intelectualizada, da erudição construída, do beneplácito da academia, da receita caseira que apregoa que a literatura é para poucos. E os poucos são eles próprios. Essa é uma visão tipicamente elitista. E afasta os leitores.

CL: Como fazer o balanço entre o que o público gosta e o que a crítica fala?

FP: Para fazer este balanço, é preciso perceber como o público é informado pela mídia (influenciada pela crítica) sobre todos os gêneros da literatura. Os festivais literários, as premiações, a crítica universitária e uma parte da imprensa dão a impressão de que só a literatura hermética tem valor. E isso não é verdadeiro. A escrita simples é a laboriosa tradução da complexidade. Escrever fácil é muito difícil. O problema é que o ambiente já está contaminado. Você acha que o júri do Jabuti vai premiar um autor da Geração Subzero? Ou que o curador da FLIP vai formar uma mesa na tenda principal com escritores populares? Nunca. No dia que isso acontecer, eu desfilo de cueca pelas calçadas de pedra em Paraty.

Aliás, isso não seria incoerente, já que a FLIP é a Fashion Week dos escritores. E não estou fazendo uma crítica, que fique bem claro. Eu frequento o festival desde a sua primeira edição. Ele é o mais importante do país, o que atrai mais atenção, o que legitima a produção nacional. Deveria olhar com mais atenção para os autores que formam leitores.

CL: Como você tem visto o retorno da crítica sobre o Geração Subzero? Será que a partir de agora esses autores (e outros também ignorados pelos críticos) serão lembrados?

FP: Seria uma incoerência se um livro com autores congelados pela crítica fosse elogiado por essa mesma crítica. Nós perderíamos toda a credibilidade. Por isso, tratamos a crítica com ironia. Mas isso não é novo pra mim.

A opção pela ironia sempre esteve presente nos meus romances. Minhas histórias ironizam a cultura erudita, o mundo acadêmico e a comunidade literária, que são as próprias áreas por onde eu circulo. Em Fábrica de Diplomas, por exemplo, que é um thriller de suspense numa universidade, o personagem principal é um analfabeto e o vilão é um doutor. Já em O marido perfeito mora ao lado, brinco com os rótulos da psicanálise para contar uma história de amor. É uma opção estética, consciente. Acredito que a ironia seja o melhor instrumento para desarmar a prepotência do mundo literário e do mundo acadêmico. E foi o que fiz com o Geração Subzero, que é uma ironia com a coletânea Geração 00, do Nelson de Oliveira, que teve a pretensão de apresentar os melhores autores brasileiros surgidos nos anos 2000. Uma pretensão absurda. Obviamente, a ironia serviu para provocar essa suposta crítica intelectualizada.

CL: Sobre o “Manifesto Silvestre”, que defende principalmente a possibilidade da literatura como entretenimento, você afirma no Geração Subzero que muitos autores concordam com essas ideias, mas confessam para você que nunca teriam coragem de defendê-las em público. Você tem pago um preço por dar sua cara a tapa?

FP: Não me importo de assumir esse preço. O importante é que o assunto entrou em pauta e beneficiou muitos autores que estavam esquecidos. Não há produção artística sem risco. Não podemos é ficar imobilizados pelas asas do cânone estabelecido. Eu transito nas duas margens: escrevo ficção e estou na academia (sou professor da UFF e fiz o doutorado em literatura). Então, as reações vêm dos dois lados. Mas não estou aqui para agradar ninguém. Falo o que penso, é natural que haja reações. Minha primeira e única obrigação é com a lealdade de pensamento. Portanto, o risco é minha única opção.

CL: Durante a seleção deste conteúdo, você afirma que o gosto do público foi soberano até sobre seu poder como organizador. Afinal, o público é o melhor juiz para a arte?

FP: Não estou preocupado com juízes, estou preocupado com a formação de leitores. O Geração Subzero é destinado a um público que se preocupa apenas com o prazer da leitura, com a relação afetiva com o livro, com as reflexões que uma história bem contada pode provocar e com a socialização dessas histórias e dessas reflexões. Sim, a socialização, pois aquele que tem prazer na leitura sempre recomenda o livro ao amigo mais próximo.

CL: O quanto você considera decisiva a educação formal, a chamada por você de “não ignorância erudita”, na formação de alguém?

FP: A educação formal é excelente se você souber relativizá-la. Eu fiz o doutorado em literatura para aprender como não escrever. Nas aulas, só se falavam em teorias e em autores chatos e herméticos. Não queira ser um deles. Então resolvi ser um ignorante por conta própria.

CL: Qual a contribuição que uma formação em psicologia dá a um jornalista? E a um escritor de ficção?

FP: A formação em psicologia me ajuda a compor os personagens, dá substância aos dilemas que eles vivem. Nosso principal desafio é tentar entender o outro.

CL: A psicologia influenciou sua maneira de lidar com a mente de personagens fictícios (tanto os seus quanto o de outros autores)? O que mudou e de que maneira?

FP: A psicologia me ajudou a entender o tempo. Tempo é expectativa, é o portão de ferro da angústia. Estamos aprisionados num passado que não volta e num futuro que é incerto. Isso torna mais difícil viver o presente. As leituras das obras de Freud, Lacan e Ferenczi me ajudaram a encarar a angústia.

CL: Uma vez você declarou sobre a ficção que escreve que “fatos se fundem para gerar uma história; ficção, mas também realidade” e parafraseou Manoel de Barros, dizendo que “Noventa por cento do que escrevo é invenção, só dez por cento é mentira”. Qual a importância relacionar fatos reais que são aparentemente desconexos entre si para formar uma história de sentido único, que explique um mecanismo muito maior, onde o importante é o todo e não a parte?

FP: Eu sou um cronista sem jornal. E cronista sem jornal é erro de semântica. É dialética a prazo, sem juros, em dez vezes, nas Casas Bahia. É a perda da sintaxe, do sentido. É a gramática velha, a ortografia antiga, com trema e acento nos ditongos orais crescentes. Cronista sem jornal não tem direito ao último pedido, ao afago feminino, ao gozo embevecido. Cronista sem jornal não tem direito a voltar no tempo e pedir a leitora em casamento.

Então, como não tenho jornal, posso inventar a partir da realidade. E a ficção fala muito melhor sobre a realidade do que a própria realidade.

CL: Seu currículo mostra uma formação sólida e uma produção prolífica. A impressão comum sobre o meio acadêmico é que se trata de algo hermético, cujos integrantes não fazem especial questão de tornar acessíveis aos leigos suas pesquisas e descobertas. Este diagnóstico procede? Como incentivar a produção acadêmica num país de educação claudicante?

FP: A Academia é um inverno perene. São os doutores universitários (e me incluo na lista) que prejudicam a formação de um público leitor no país. A própria linguagem da academia é produzida como estratégia de poder. Quanto menos compreendidos, mais nossos brilhantes professores se eternizam em suas cátedras de mogno, sem o controle da sociedade. E isso se reflete na literatura, claro.

A exceção fica por conta de críticos como o José Castelo (que não é acadêmico) ou o Tzvetan Todorov, por exemplo, que é o maior herdeiro do formalismo russo e fez um mea culpa corajoso no livro A literatura em perigo. (Espero conhecer outros).

Acho que uma boa opção é incentivar os blogueiros literários. Eles escrevem com paixão, não estão presos a dogmas ou preconceitos. As editoras deveriam fazer concursos de resenhas entre os blogueiros. Há muita gente boa falando sobre literatura na internet.

CL: Três de seus romances são justamente ambientados no meio universitário, e formam a chamada “Trilogia do Campus”: desvendam alguns bastidores deste meio, bem como o jogo de interesses na disputa por um mercado milionário, que é o do ensino superior. Como foi o processo de criação dos livros? Uma vez tão entranhado neste meio, há um componente de expiação, ou de desabafo?

FP: Não há desabafo. Escrevo ficção, ponto. Mas se o que escrevo pode levar as pessoas a refletir sobre a realidade, melhor ainda. Muitos leitores de O marido perfeito mora ao lado me mandam e-mails pra dizer que o livro os ajudou no casamento ou no namoro. Não era essa a intenção, já que o título é uma brincadeira com os livros de autoajuda. Mas como cada capítulo é um conceito da psicanálise, explicado pelo personagem principal no interior do enredo, algumas pessoas acabaram aplicando-os na própria vida. Nada contra. O livro pertence ao leitor. É o nome dele que deveria vir na capa, não o meu.

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Monica Martinez é uma dessas profissionais que conseguem unir o domínio da prática e da teoria de sua profissão. Doutora em Ciências da Comunicação pela USP, defendeu uma tese que depois se transformou no livro Jornada do herói – a estrutura narrativa mítica na construção de histórias de vida em jornalismo. Não parou por aí, foi para a Umesp onde obteve o seu pós-doutorado. Professora universitária e ativa pesquisadora, também possui interesse pela Criatividade. Ministra cursos de Redação Criativa no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo e, sobre o assunto, publicou Tive uma ideia! – o que é criatividade e como desenvolvê-la. Ainda que atualmente se dedique mais ao campo acadêmico, Monica é uma apaixonada pelas redações – nelas já redigiu matérias publicadas em grandes revistas do país. Não bastasse tudo isso, ainda está prestes a publicar o seu primeiro livro de ficção. Poderíamos falar por mais umas 50 linhas sobre suas qualificações, mas pararemos por aqui e deixaremos que a entrevista revele mais da PhD.

Canto dos Livros: Na sua opinião, o que é literatura?

Monica Martinez: Boa pergunta. Às vezes é mais fácil saber o que não é literatura do que o que de fato se encaixa neste rótulo, não é? A meu ver, e de forma bem sintética, literatura demanda o uso estético e criativo da linguagem escrita. E este uso deve sempre ser visto no contexto do espaço e do tempo em que o material é produzido.

CL: O Brasil é tido como um país de pessoas criativas. Essa virtude engloba a produção literária, ou essa é uma característica infundada do nosso povo? A criatividade artística não depende de um sistema de educação de maior qualidade, afinal?

MM: Um dos estudiosos contemporâneos de criatividade, o estadunidense Steven Johnson, remete ao conceito de redes líquidas para falar sobre criatividade. Este argumento é baseado nos estados da matéria e, portanto, é de simples compreensão. Assim, no estado gasoso há um caos criativo, porém neste universo caótico as boas ideias têm dificuldade em se concretizar. Já no sólido há estabilidade, porém as estruturas são tão cristalizadas que as inovações encontram dificuldade para irromper. Neste cenário, entendo que o Brasil estaria mais próximo do caos, com bastante explosões criativas, mas enfrentaria desafio no planejamento e na implementação a longo prazo das ideias criativas. Não basta criar: é preciso implementar as boas ideias, o que demanda outras habilidades do ser humano.  Habilidades, muitas delas, que evidentemente são transmitidas ou treinadas pelo sistema educacional, daí a importância de ele ser eficiente.

CL: Pegando neste ponto também, sempre existe uma grande questão em torno de escola para escritores. Alguns defendem sua importância, outros dizem que escritores já nascem prontos. Qual é a sua opinião?

MM: Já vi muita gente talentosa que simplesmente não tem a disciplina necessária para sentar e escrever. A escrita não é um fim, mas um processo. Neste sentido, é muito salutar a troca de informações e experiências, daí, a meu ver, a grande importância das oficinas. Há também muito de grupo de apoio nestes grupos, que inspiram os integrantes a vencer seus desafios e ir além do que imaginam ser seus limites.

CL: A partir da sua experiência em salas de aula, quais são as principais causas de bloqueios criativos que seus alunos expõem? E como fugir deles? 

MM: Deste assunto entendo bem, pois desde 2004 ministro um curso de Redação Criativa no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo. Nele, faço um levantamento, por meio de respostas espontâneas, dos problemas relacionados a bloqueios. As seis causas de bloqueios mais citadas são desorganização, dispersão, perfeccionismo, indisciplina, insegurança e falta de estabelecer prioridades, respectivamente. Penso que não se trata de uma questão de fuga, mas de identificá-los e estabelecer uma estratégia para lidar com eles. É simples assim.

CL: Você anunciou recentemente que em breve lançará um livro de ficção. O que podemos esperar dele?

MM: Livros são como filhos. A gente lhes tem um amor infinito, mas nunca sabe de fato o que se pode esperar deles. E aí reside a graça: em geral somos surpreendidos por ambos. No meu caso, até agora, o simples fato de escrever ficção foi uma das coisas mais deliciosas que já fiz. O que já é uma recompensa e tanto. O que vier a mais é lucro…

CL: Como foi para uma pessoa tão acostumada a escrever fatos reais ter a liberdade total para criar o que quisesse? Essa liberdade em algum momento atrapalhou?

MM: Sou muito rigorosa com a apuração quando faço um texto jornalístico. A pessoa não tem mais ou menos 1,70m. Ou tem 1,69m ou 1,71m, por exemplo. Para mim, portanto, escrever ficção foi relaxante, um estado muito criativo e libertador.

CL: Um dos erros comuns de iniciantes em não-ficção é a dificuldade em livrar-se de conceitos pré-concebidos, amarras e juízos de valor. Você sente isso também? Como fazer para quebrar preconceitos, tabus e julgamentos que estão tão intrinsecamente ligados a cada um de nós?

MM: Acho que tenho uma característica de personalidade que me ajuda muito, que é a de ser muito exigente comigo mesma, mas de ter uma grande abertura para as idiossincrasias dos outros. Eu tenho uma infinita curiosidade de entender o ponto de vista do outro, sem endossá-lo nem absorvê-lo, mas de compreender o porquê a pessoa pensa, sente ou age desta ou daquela forma. Uma vez uma aluna escreveu uma história de vida fantástica, na qual uma moradora de um complexo habitacional poupava a vida de um rato que morava em sua cozinha — ainda que ela tivesse medo que o roedor mordesse seu bebê — porque ele tinha três patas. Essa delicadeza com um animal, digamos, com restrições motoras, vinda de uma pessoa com tal desfavorecimento econômico, nunca saiu da minha cabeça. A realidade, realmente, na maioria das vezes é mais surpreendente que a melhor ficção.

CL: Seu trabalho no campo acadêmico está muito voltado à pesquisa. Como é ser pesquisadora no Brasil? Você sempre teve essa vontade ou foi uma coisa que “aconteceu”?

MM: Acho que tudo o que eu sempre quis foi escrever. Eu sempre soube que lidaria com a escrita, embora não soubesse muito bem como isso aconteceria. Foi tudo muito natural. Escolher jornalismo como profissão, migrar para a docência num certo ponto da vida, fazer mestrado, doutorado, pós-doutorado, começar a ensinar a escrever, virar pesquisadora… No fundo, escrever um artigo científico exige muita competência textual. E, para mim, é mandatório que um artigo científico escrito por alguém da área de comunicação social seja bem redigido. Não faz sentido que não o seja.

CL: Como essas pesquisas se encaixam ou influenciam efetivamente no fazer jornalístico? Como a imprensa adota as novidades propostas pelo meio acadêmico?

MM: É uma simbiose. Até porque muitos acadêmicos são ou foram profissionais. E acho que mesmo quem se dedica mais à docência e já esteve numa redação não se esquece o quanto é apaixonante estar no meio de uma apuração ou de um fechamento. Você se sente 100% vivo, fazendo parte da história, é uma experiência fantástica.

CL: Após fazer mestrado e doutorado em uma universidade (USP), resolveu respirar novos ares e levar sua linha de pesquisa a outra instituição (Metodista), no pós-doutorado. Fale um pouco sobre a importância dessa mudança de ares para o desenvolvimento das pesquisas e produção de conhecimento.

MM: Tive muita sorte de ter tido a oportunidade de conhecer, na USP, o professor Edvaldo Pereira Lima (que viria a ser meu orientador do doutorado anos depois), que me despertou para o Jornalismo Literário — nunca mais fui a mesma depois desta descoberta. Entre 2008 e 2010, foi uma oportunidade e tanto conhecer mais de perto pesquisadores de uma instituição de ensino muito sólida como a Umesp, com um programa de pós-graduação de quase 40 anos. É inspirador participar de um grupo de pesquisadores sérios, altamente produtivos. Você vê o conhecimento sendo gestado na sua frente. Recentemente participei, com um grupo de pesquisadores do Brasil e de outros países, de um evento na Universidade de Viena e está sendo outro aprendizado interessantíssimo, descobrir como é feita a ciência da comunicação em nível mundial. O método pode ser o mesmo, mas o tempero é absolutamente cultural, regional. Neste sentido, os brasileiros têm sorte, pois bebem tanto na fonte da ciência quantitativa do modelo estadunidense quando na qualitativa do modelo europeu.

CL: Uma de suas paixões é a narrativa de viagem. Como é a sua relação com o gênero?

MM: Tenho particular carinho pelas narrativas de viagem. Outro dia, por exemplo, estava lendo o livro do Hans Staden — já há quase 500 anos se produzia narrativas de qualidade. Penso que meu amor pelas viagens deriva do fato de que elas são sempre uma aventura de descoberta porque fazem com que os indivíduos deixem seus limites conhecidos para trás e se aventurem no novo, em universos diferentes. Isso faz com que as pessoas aprendam mais sobre si mesmos e sobre os outros — o que, para mim, é o grande desafio de se estar vivo.

CL: Quais autores na Literatura e quais jornalistas te inspiram?

MM: Tive a sorte de ter uma mãe que lia muito e que me ensinou o amor pela leitura. E um pai visionário, que me ensinou que o impossível não existe. Com certeza posso dizer que sou apaixonada por García Márquez, Hemingway, Falkner, mas amo mesmo a literatura de não-ficção americana. Talvez esta seja, de fato, minha grande especialidade. Entre eles, meus favoritos são sem dúvida Gay Talese (um clássico), Lilian Ross (com seu encantador estilo mosca-na-parede) e Joseph Mitchell (a revelação no segundo perfil de O Segredo de Joe Gould é, para mim, um dos momentos altos do jornalismo). Dos atuais, aprecio muitíssimo os livros de David Remnick, o atual editor da The New Yorker, em particular A Ponte, sobre o presidente Barack Obama.

CL: O que poderia dizer a jovens que pensam em ingressar no jornalismo ou que pretendam publicar seus escritos?

MM: Dizem que quando se vai comprar um imóvel é preciso se pensar em três coisas: localização, localização e localização. Para mim, a resposta para sua pergunta demanda três palavras: persistência, persistência e persistência. Não desistir nunca. Quem age assim certamente verá chegar a sua hora.

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