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Posts Tagged ‘Aldous Huxley’

Certa vez, enquanto estava hospedado em um hotel, dois fãs encheram tanto o saco das pessoas do lugar para ver Renato Russo que o cantor da Legião Urbana resolveu dar uma atenção aos malas. Contudo, ao invés de descer e falar com eles, Renato preferiu enviar uma carta e aproveitou para indicar leituras aos rapazes. Vejam o que ele escreveu:

O que está escrito:

Tudo bem, tudo bem.

Mas realmente não gosto que me visitem sem me avisar antes – sempre estou ocupado ou fazendo alguma coisa ou etc.

Uma boa idéia rapazes é LER LIVROS, aí vocês verão que eu nem sou tão original (etc.) assim.

Uma lista:

Zen e a arte de manutenção de motocicletas – Robert M. Pirsig

A montanha mágica – Thomas Mann

Admirável mundo novo – Aldous Huxley

Estórias de fadas – Oscar Wilde

Revolução dos bichos – George Orwell

Capitães de areia – Jorge Amado

O encontro marcado – Fernando Sabino

O apanhador no campo de centeio – J. D. Salinger

Discurso sobre a servidão voluntária – Etienne de la Boétie

O senhor dos anéis – J. R. Tolkien

Siddharta – Herman Hesse

Demian – Herman Hesse

Narciso e Goldmund – Herman Hesse

O lobo da estepe – Herman Hesse

Histórias extraordinárias – E. A. Poe

Fundação – Isaac Asimov

1984 – George Orwell

 

Autores interessantes:

Julio Verne

Fernando Pessoa

Carlos Drummond de Andrade

Colin Wilson

&

O vampiro Lestat – Anne Rice

Feliz ano velho – Marcelo Rubens Paiva

 E milhões de outros livros jóia.

Etc.

 Boa leitura

 Renato Russo

 E aí, o que acharam da lista?

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O cenário é desolador. As pessoas pouco conversam. As televisões são projetadas nas paredes das casas – em um mesmo ambiente, se os quatro lados puderem ser transformados em telas, um tanto melhor. Quase ninguém presta atenção no que está ao seu redor. As publicidades possuem tamanhos colossais, para que os jovens que dirigem a mais de 190 quilômetros por hora possam vê-las.

Nesse lugar, qualquer livro é um objeto proibido. Para que não haja risco da população possuir bibliotecas – ou um mísero exemplar de alguma obra –, bombeiros são encarregados de atear fogo em qualquer livro que encontram. Isso mesmo, em Fahrenheit 451 (temperatura na qual o papel pega fogo) os bombeiros colocam fogo em livros, ao invés de apagar incêndios. O objetivo? Acabar com discussões provenientes de pensamentos opostos e, consequentemente, trazer a felicidade para todo o povo.

A história tem Montag, um bombeiro, como personagem principal. O cara se orgulha de sua profissão e realiza sua tarefa com prazer, até que um dia se encontra com Clarisse, sua vizinha de 17 anos. A menina – uma “subversiva” que ousa admirar as flores e sentir prazer em tomar chuva – puxa conversa com Montag e o questiona de diversas coisas relacionadas à forma como ele leva a vida. Ao final do papo, começa a surgir no bombeiro uma espécie de rebeldia, que propulsionará a mudança que acontece com o personagem ao longo da história.

Escrito por Ray Bradbury, Fahrenheit 451 foi transposto para os quadrinhos por Tim Hamilton (com autorização e aprovação Bradbury) em 2009 e agora chega ao Brasil pela Globo Graphics. A adaptação segue fielmente a obra original, mantendo inclusive as falas mais marcantes dos personagens. Como o texto de Bradbury conta com poucas descrições de cenários, a maioria dos desenhos são repletos de sombras, o que permite ao desenhista omitir boa parte dos espaços onde a história se passa ou trabalhar apenas com traços mais simples. Consequentemente, esse recurso acaba proporcionando à história um clima mais sombrio do que a sua versão original. Também em decorrência dos parcos cenários, os planos mais fechados são bastante utilizados, para que a atenção esteja realmente centrada nos personagens – por isso mesmo, as expressões nos rostos de cada um deles poderiam ser melhor trabalhadas.

Caso Hamilton tivesse se preocupado um pouco mais com a maneira que a história é contada nos quadrinhos, o resultado final de seu trabalho com certeza seria melhor. Em muitos momentos falta dramaticidade. O tom dos acontecimentos pouco varia, quase tudo parece acontecer sob o mesmo clima, e isso acaba por prejudicar um pouco a intensidade das cenas.

Apesar da obra ser bem adaptada para os quadrinhos, ela perde parte de suas forças nesse formato de mídia. Uma história que fala sobre uma sociedade onde os livros são proibidos e queimados possuí um significado muito maior quando contada exatamente em um livro. E que fique claro que livros e histórias em quadrinhos, por mais que possuam formatos muito semelhantes, são mídias distintas. Para boa parte dos estudiosos, inclusive, as Hqs se aproximam muito mais do Cinema – principalmente por causa da relação entre palavras e imagens – do que da Literatura.

A versão em quadrinhos de Fahrenheit 451 poderia ser melhor em alguns pontos, mas, apesar disso, é sim uma boa obra e uma excelente opção tanto para quem já leu o livro quanto para aqueles que desejam conhecer essa história, que está no hall dos grandes clássicos da ficção científica com teor distópico, junto com 1984, de George Orwell, Admirável mundo novo, de Aldous Huxley e Laranja mecânica, de Anthony Burgess.

Livro: Fahrenheit 451

Autor: Ray Bradbury e Tim Hamilton

Tradução: Ricardo Lísias e Renato Marques

Editora: Globo

Páginas: 160

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admiravelUma história atemporal é um dos requisitos mais lembrados dentre as razões que tornam um livro um clássico. “Admirável mundo novo”, do inglês Aldous Huxley, vai além. Escrito em 1932, a história é uma das principais referências quando o assunto é ficção cientifica, rótulo bem estipulado para os padrões da época. Acontece que, com o passar do tempo, o livro se tornou (e se torna) cada vez mais atual.

A história mostra uma sociedade onde as pessoas são produzidas em série, com características em comum e divididas em castas. Cada uma serve para algum tipo de trabalho especifico e os modos de vida são semelhantes. A história é ambientada em uma Inglaterra do futuro, onde Deus é banido e passa se chamar Ford, clara alusão aos donos de empresas e detentores da grana que comandam a sociedade.

Nas castas mais baixas, os livros são objetos proibidos e autores ocultados, para que as pessoas não questionem a teoria de que nada que é velho pode ser melhor do que as coisas novas. Por interesse das autoridades, a privacidade do individuo é banida e os sentimentos suprimidos pela “soma”, uma espécie de droga, que pode ser comparada ao álcool ou calmantes.

Talvez uma das partes mais emblemáticas do livro seja quando o administrador da sociedade explique o porquê as pessoas são feitas com repudio as flores: não poderiam gostar de alguma coisa com a qual não se pode ganhar dinheiro, pois os campos e jardins são gratuitos.

O ponto alto da história acontece quando um “selvagem” é integrado à sociedade. Vindo de Malpaís, lugar sem atrativos financeiros – portanto desprezado pelos ingleses – ele começa questionar de vida das pessoas vivem e a reivindicar seus direitos, funcionado como uma espécie de filósofo em uma sociedade que não pensa.

O que em 1932 foi escrito como uma obra de ficção cientifica hoje pode muito bem ser considerada uma abordagem de como pode ser o futuro (ou até mesmo o presente) da humanidade.

*Resenha resgatada do meu antigo blog

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