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Posts Tagged ‘Carl Sagan’

 

Por Alberto Nannini

enigma das estrelas capaAs gerações que tenham hoje entre quase trinta e quase cinquenta anos certamente já ouviram falar dela – uma série de livros de grande sucesso, editados pela editora Ática, a partir de 1972: a famosa série Vaga Lume.

Seus livros, com grandes tiragens, eram sucesso de público e de crítica. Lidos por muitos jovens, trabalhados nas escolas, sempre funcionaram como uma espécie de iniciação às leituras mais consistentes. A edição era simples, e as tramas, ágeis. Raramente iam muito além das 100 páginas.

O sucesso da série fez com que personagens de alguns de seus livros estrelassem mais de um romance. Era o caso do personagem Xisto, de Lúcia Machado de Almeida, que estrelou Aventuras de Xisto, Xisto no espaço e Xisto e o pássaro cósmico, e de Léo, o garoto que estrelou os sucessos O mistério do cinco estrelas, O rapto do garoto de ouro, Um cadáver ouve rádio e depois, Um rosto no computador, do autor Marcos Rey.

A série Vaga-lume foi citada aqui por três motivos: a obra que será resenhada a seguir poderia perfeitamente fazer parte de seu acervo; seus personagens estrelarão mais de um romance e, por fim, embora não tenha certeza, apostaria todas as fichas que o autor F.T. Farah lia esses livros, e que eles foram uma de suas fontes de inspiração.

Série infanto-juvenil Clube dos Mistérios, primeiro volume: O enigma das estrelas

A sinopse no site do autor diz assim: “Cercado por estranhos acontecimentos, o vilarejo mineiro de Morro do Ferro é o destino das férias de julho de cinco adolescentes: Jonas, Alfredo, Carola, Carmem e Vicentinho. Em O Enigma das Estrelas – primeiro volume da série Clube dos Mistérios –, eles partem para o primeiro acampamento de suas vidas. Para os pais, a aventura é um ritual de passagem para a vida adulta. Para Jonas, o mais velho da turma, é a ocasião perfeita para conquistar Carola e amedrontar os amigos. Na primeira noite fora de casa, ele conta histórias aterrorizantes em torno de uma fogueira. E acaba sendo vítima de uma delas. Levado a bordo de uma nave espacial, o adolescente é surpreendido por seres extraterrestres e passa por um estranho ritual de passagem”.

O livro lido (gentilmente cedido pelo autor) é uma reedição recém-publicada, já que sua primeira edição estava esgotada. Farah revisitou a obra, e a atualizou, substituindo cartas que os personagens escreviam por e-mails, além de acrescentar textos que dialogam com o leitor, em caixas separadas, com uma edição e aparência que lembra revistas ou sites.

Aliás, o design gráfico do livro é primoroso, e estas “caixas de diálogo” são uma sacada inteligente. Funcionam muito bem. Nelas, Farah aprofunda alguns temas, como listas de filmes com o tema de extraterrestres, palavra de estudiosos do assunto, dicas de acampamento e outros.

Outro ponto positivo são os muitos ganchos deixados, lembrando que este livro é o primeiro de uma série de cinco. Os garotos e meninas do grupo vão revelando suas personalidades e interesses, e alguns destes ganchos poderão ser aprofundados, como certos segredos só insinuados ou ligações que há entre personagens secundários. Por exemplo, é revelado neste 1º volume que houve um relacionamento antigo entre o pai de Jonas e a mãe de Carola. O atual marido desta, Murilo, sabe disso e não se sente confortável.

A linguagem utilizada pelo autor, quando dá voz a seus personagens, é bem fiel. Sem exagerar em gírias e trejeitos, consegue caracterizar as particularidades da comunicação entre eles, e também retrata bem suas preocupações típicas.

O fato dos protagonistas criarem um grupo – “O Clube dos mistérios” – lembrou o clássico infanto-juvenil de Pedro Bandeira, A droga da obediência, e o grupo deles, “Os Karas” (como o li só uma vez e há muito tempo, não conseguirei compará-los melhor).

Enfim, Farah, bom escritor (leia a resenha de outra obra sua já resenhada por aqui: A outra face de Deus), tem domínio de técnicas narrativas e soube construir um enredo instigante. Como já li o livro com intenção de resenhá-lo, atentei para o fato de que o autor tem a imagem dos personagens bastante nítida e também sabe exatamente aonde a história contada os levará.

Talvez daí venha alguns problemas que minha leitura detectou.

Um deles é que, embora ele tenha vívida a imagem dos garotos e das cenas descritas, há vezes em que sua descrição delas não é perfeita, ou ainda, não se passa daquela forma desapercebida, que se materializa, instantânea, conforme a leitura flui.

Acredito que isso se dê por conta de Farah utilizar praticamente apenas o recurso de descrever as ações após os diálogos. Por exemplo, em um deles, Jonas cumprimenta Vicentinho, que o interrompeu, mas o estado de ânimo dele – “se mordendo de raiva” – só é descrito após o cumprimento. Há o contexto, claro – na ocasião, Jonas estava sendo interrompido – mas há uma ampla gama de reações possíveis a isso, e faz parte da leitura “adivinhar” o desenrolar – a não ser que a maestria do autor o conduza por onde ele queira, e você nem se dê conta.

Quando isso não acontece, poderá travar um pouco a leitura, porque, se não se percebe de maneira automática o ânimo dos personagens e o desenrolar de suas ações, vai se imaginar o que pareça adequado, que poderá se chocar com a cena construída pelo autor, descrita em seguida.

Por conta disso, acredito que alguns diálogos poderiam ser aperfeiçoados. Há maneiras de descrever ou induzir o leitor a perceber o estado de ânimo dos personagens antes do diálogos, bem como eliminar ações evidentes como “ – tal tal tal – retrucou fulana” (ainda que nem sempre se possa escapar da identificação do interlocutor).

Desta forma, se minimizaria aquela armadilha da escrita, na qual o autor sabe exatamente o que quer dizer e passar, mas nem sempre consegue descrever de maneira adequada para os leitores. Serviria também para evitar a repetição do recurso (de sempre colocar a voz narrativa após), que também tende a cansar a leitura.

Registre-se que há muitos momentos em que estes pequenos senões não aparecem, e a leitura flui muito mais fácil.

A primeira aventura

A trama fala sobre discos voadores e abduções, e é muito bem construída em cima deste mote. Gostei bastante das inúmeras referências, que vão de deuses à lendas. Farah cita no livro inúmeros filmes, músicas, seriados e obras do tema, e consegue costurá-las de forma bastante satisfatória.

Copyofouroboros_by_Saki_BlackWingAs mitologias que giram em torno das serpentes foi bem explorada, com figuras míticas, símbolos, como o ourobóros (a serpente que devora a própria cauda), a serpente emplumada asteca e outros, que se encaixam bem na trama. Porém, no tocante às músicas de Raul Seixas, e também sobre uma participação especial da imagem dele, achei um pouco fora de propósito. Mas esta é uma questão de gosto particular.

No geral, e considerando, principalmente, o público-alvo – infanto-juvenil – achei a obra muito adequada. O tom é condizente, e pode ser bastante divertido embarcar nela, com as devidas concessões. Lembrou-me do filme Super 8, de J.J. Abrams (também citado no livro), que foi feito tendo em mente o mesmo público, e buscou identificação deles com os personagens, mas também conseguiu divertir o público adulto e todos aqueles que ainda se lembravam de como era ser criança.

Talvez o maior problema do crítico que vos fala esteja aí – ter deixado de ser criança.

Outros mundos

Quando era pequeno, tinha curiosidade insaciável por quase tudo, e isso incluía OVNI’s e ET’s. Li alguns livros do suíço Erich Von Daniken, como Eram os deuses astronautas?, mesmo sem entender quase nada, e outros com temática semelhante.

Porém, minha formação católica me impedia de acreditar que pudesse haver algo como abduções. Eu já as entendia como um ato mau, por ser análoga ao sequestro. E não me parecia correto que Deus não nos protegesse deles (ET’s), como protegia dos demônios – se você fosse bom, rezasse e tivesse fé.

Ou seja, para meu raciocínio infantil, contra o mal que poderia incorrer sobre as pessoas, como influências de “espíritos”, o próprio azar e a maldade de outras pessoas, para tudo isso poderia haver proteção divina, mas, aparentemente, não frente à tecnologias e intenções escusas de seres de outros mundos. Sem contar que eu não saberia dizer à imagem de quem eles teriam sidos criados.

Cresci, e sempre deixei a mitologia em torno de discos voadores e abduções em plano secundário, mesmo quando já havia percebido que o Deus da minha infância era uma abstração.

Mas aí, conheci Carl Sagan e li seu espantoso livro O mundo assombrado por demônios. Isto mudou tudo.

A ciência vista como uma vela no escuro

A ideia de que o desconhecido nos assombra e que inventamos explicações para ele, ou melhor, que precisamos inventar explicações para ele, foi um dos ensinamentos mais poderosos que eu aprendi, e mudou completamente a minha maneira de ver a vida.

Percebi que nossa história mostra que o mecanismo de preenchimento de lacunas de conhecimento com fantasias e mitos não só é recorrente, mas também definidor do que é ser um humano. Procuramos explicações e padrões para tudo e tendemos a repetir os construtos, variando o objeto que eles explicariam.

A ciência, em princípio, desapaixonada, veio modificar bastante esta dinâmica. Ela não substitui (nem poderia) a mitologia, a fantasia e o anseio da divindade. Mas ela clareia alguns erros cognitivos, que nos levam a crer no inexistente.

Carl Sagan recebeu centenas de cartas de pessoas que alegaram terem sido abduzidas. Ele, desapaixonadamente, inquiria se os alienígenas deram alguma informação científica ao abduzido.

Nunca deram.

Para aqueles que alegavam ter contato contínuo com extraterrestres, Sagan perguntava as noções mais elementares da física – algo que viajantes em discos espaciais necessariamente deveriam dominar.

Mas, supondo que se queira contestar isso, admitindo que a física deles seja diferente da nossa (isso é algo unânime: eles sempre são mais avançados), ainda assim, é um postulado científico difícil de ser contestado que a linguagem matemática deveria ser entendida por qualquer organismo consciente. Então, para alienígenas que nos estudaram, que sabem falar de alguma forma mensagens inteligíveis a nós, seria fácil resolver um ou dois teoremas matemáticos dos mais simples. Mas isso também nunca aconteceu.

Note bem que Sagan era um cientista, mas não se achava um deus – ele apenas achava que havia uma histeria em torno das abduções, semelhantes a histerias passadas, como por exemplo, em torno da bruxaria. Aliás, ele compara, com coincidências impressionantes, as abduções às aparições de santos e divindades, quase sempre a crianças, que eram um pouco mais comuns antes dos óvnis. Ou seja, estes (da sigla Objeto Voador Não Identificado – UFO em inglês) são um mito moderno.

Como Sagan, não acho que não possa haver outras civilizações. É até provável que haja vida fora da Terra. Sagan escreveu o livro Contato, para imaginar, com bases científicas, como seria um provável contato extraterrestre. Eu, por minha vez, não acredito que tenha havido algum destes. Quando contatamos uma civilização mais atrasada tecnologicamente, sempre a modificamos ou a dominamos. Na nossa história, há inúmeros exemplos de sociedades dizimadas por conquistadores.

Partindo daí, acho improvável que seres extraterrestres tenham tido ou mantenham contato conosco e não tenham se revelado ou influenciado decisivamente em nosso planeta (que, aliás, está quase pedindo mesmo uma intervenção externa).

Conheço alguns argumentos que defendem a existência de alienígenas, e estas influências, que já seriam operadas. Bem, quando os argumentos não são furados e tendenciosos, eles tudo se assemelham à parábola do dragão invisível, contado pelo mesmo Sagan.

A navalha de Occam contra o dragão

O sujeito diz para o outro que não só há dragões, como um deles mora na sua garagem. O segundo sujeito diz que quer ir lá ver, para acreditar, mas o primeiro diz que o dragão é invisível. Então, o segundo diz que utilizará óculos especiais, que permitem ver o espectro de calor, mas o primeiro diz que o dragão não emite calor algum. Eles diz então que vai espalhar sensores no chão, que captarão o peso, mas o dragão paira acima do ar, e não tem peso. O segundo diz então que filmará de longe com câmeras de lentes especiais, que captam qualquer espectro de energia e radiação, mas o segundo diz que o dragão não emite qualquer radiação conhecida.

Ora, um dragão invisível, que não emite calor nem qualquer radiação conhecida, que não tem peso nem materialidade alguma, está bem aqui, em cima da minha cabeça no momento em que escrevo isto. Ao final, afirmá-lo equivale a dizer que ele é em tudo semelhante a um dragão inexistente.

Esta parábola se aplica ao deus personalizado também. Há uma contradição de base em se tentar materializar o imaterial, em conhecer o incognoscível… ***Ou talvez tudo isso seja uma questão de se utilizar os instrumentos adequados, o que leva à conclusão que o intelecto e a ciência não são suficientes, neste caso. Mas isso levaria a conversa para um outro rumo, que não será apreciado agora.***

Retomando, descarto as abduções e não creio em visitas de discos voadores, por falta de evidencias cabais. Qualquer um que tenha um conhecido de um vizinho que foi abduzido, ou que tenha tido visão de discos voadores, ou ainda contato com alienígenas – e que simpatize ou defenda as teorias conspiratórias para explicar o acobertamento de tudo isso – será facilmente contestado por teorias mais simples, perfeitamente lógicas e cabíveis, que até um leigo como eu domina.

Esta é a aplicação do princípio da Navalha de Occam, que diz, a grosso modo, “se houver duas explicações para um fenômeno, a mais simples tende a ser a mais correta”. Ao invés de elaborados sistemas que categorizam aliens e suas visitas, e dependem de uma série de premissas não tão bem costuradas para se sustentar, é mais simples perceber que os discos voadores fazem parte do imaginário humano, e que nosso cérebro, além de ser pré-configurado para acreditar, não é 100% fiel em suas deduções e certezas.

variedades da exp sagan capaSagan também disse sobre isto, em seu livro Variedades da experiência científica:

Dizem as vezes que pessoas que adotam uma abordagem de ceticismo em relação aos óvnis ou até a algumas variedades de demonstrações de religiões, estão na verdade sendo preconceituosas. Sustento que isso não é preconceito. É pós-conceito. Isto é, não é um juízo feito antes de examinar as evidências, mas um juízo adotado depois de examiná-las.

Para mim, a mitologia que envolve o assunto é isso – uma mitologia. Repetindo, isso não significa que eu afirme não haver vida fora do planeta Terra. Ante a imensidão do universo, é provável que haja vida aí fora. Mas o mesmo raciocínio e a mesma configuração cognitiva que nos levaram a acreditar em seres mitológicos, há alguns séculos, nos leva hoje a acreditar em abduções, sexo com extraterrestres, experiências deles, e naves espaciais (que nem seriam a melhor maneira de uma civilização avançada se comunicar, de qualquer maneira).

Outra falha é, por incrível que pareça, a falta de imaginação – os alienígenas, sempre humanoides, e sempre falando exatamente nos termos pelos quais as pessoas medianas que são abduzidas conseguiriam falar por si próprias. Mas, por dedução razoável, a configuração e a lentíssima evolução que resultou na humanidade não deve ser o único caminho para a vida vicejar aí afora, e por isso, pode ser que vida extraterrestre tenha formato muito diferente do baseado em carbono que conhecemos.

Alguém na escuta?

Mas, enfim, é bem sabido que argumentos lógicos são contestados sem lógica, ou ignorados, pelos que escolhem crer. Ou seja, não vou convencer ninguém que creia em óvnis e abduções que não há qualquer prova cientificamente aceitável a respeito.

Por isso, voltando ao livro de Farah, é uma boa diversão e uma boa leitura para a juventude de hoje, tão diferente, tão melhor informada, mas tão confusa quanto foi a da minha geração. Algumas necessidades são universais e atemporais. A de acreditar que haja algo além é uma delas, essencial. Por isso, respeito quem ignora, por opção ou por desconhecimento, as ferramentas científicas que, infelizmente, não autorizam a acreditar, por enquanto, em óvnis e abduções.

O mundo fica mesmo mais sem graça sem algo do tipo “pode ser que os aliens coloquem na cabeça dos cientistas e dos escritores pretensiosos a certeza que eles (aliens) não existem, para não atrapalhar seus planos”. (Risos) Talvez. Pode ser que haja dragões imateriais invisíveis também. E o mundo com graça é bem melhor.

O que é certo é que não somos o centro de tudo, como acreditamos. O planeta Terra é um grão de poeira no espaço, e nossas vidas, nas escalas cósmicas, são tão breves que mal se percebe que existiram.

Para quem quer acreditar

Mulder-and-Scully-mulder-and-scully-8678647-1681-2100O homem vasculha a imensidão em busca de companhia. Isso é até corajoso. Mas, enquanto nada de conclusivo se detecta, podemos nos distrair imaginando como seria este contato, por ficção boa como a de Sagan – o livro Contato (que foi filmado, com Jodie Foster no papel principal), ou a série de Farah, especialmente se você for jovem e/ou ufólogo.

Aficionados pelo antigo seriado Arquivo X (um dos mais bem sucedidos da TV, que falava sobre uma conspiração alienígena, e cujos protagonistas, o crédulo Fox Mulder e a cética Dana Scully, batizam este texto), talvez leiam esta resenha com aquele ar de desaprovação dedicado aos descrentes, e só diriam, meio condoídos: “a verdade está lá fora”. Mas como ela não dá sinais incontestáveis, por enquanto ficarei com as verdades e a vida daqui de dentro mesmo. E outra: Mulders precisam de Scullys, ou não há um time.

 

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 Por Alberto Nannini

Damos nomes às coisas, e criamos sistemas de significação para compreendermos o mundo a nossa volta. A linguagem e suas infindáveis variantes, as línguas e dialetos – segundo uma corrente de pensamento muito respeitada, justamente o que nos difere de todos os outros animais – é um desses sistemas. É por meio dela que o que descobrimos pode ser exprimido, além de outros incontáveis usos. Ela nos revela O QUE foi descoberto.

Toda a ciência, bastante elogiada nas postagens anteriores, é outro sistema. Dividida esquematicamente em áreas do conhecimento, para que seja possível ramificá-la e aprofundá-la, é uma conquista fantástica, uma ferramenta extraordinária, para nos revelar COMO o mundo é feito.

A pesquisa sistemática feita pela ciência até responde, por meio de conjecturas e teorias, muitos porquês. Mas nem sempre estas respostas satisfazem ou encerram completamente o assunto. Qualquer um que já respondeu a alguma pergunta feita por uma criança sabe que os “POR QUÊS” podem se suceder quase infinitamente. Ou seja, percebemos desde bem cedo que algumas respostas estão longe de ser suficientes: buscamos mais que respostas, buscamos significado. Há, por isso, um outro sistema de significação para suprir esta necessidade: a religião.

John GRAY, ensaísta e filósofo britânico, define:

Tanto a ciência como a religião são sistemas de símbolos que servem às necessidades humanas – no caso da ciência, à predição e ao controle. As religiões servem a muitos objetivos, mas afinal respondem a uma necessidade de significação que é mais bem suprida pelo mito do que pela explicação.”

Posto que estes sistemas têm finalidades diferentes, parece estranho que haja “briga” entre a ciência e a religião, mas há, e bastante. Geralmente, quando uma pretende dar uma resposta onde a outra é mais gabaritada. E isso sempre aconteceu… Antigamente, a ciência tinha que prestar contas à religião, nas pessoas de seus dignitários. Os lamentáveis exemplos são conhecidos: Galileu, Giordano Bruno, dentre outros. Hoje em dia, houve uma inversão: é a religião que busca a “aprovação” da ciência, para validar seus dogmas e comprovar seus mitos. Um exemplo pronto é a Teoria Criacionista.

E o que esta inversão prova? Acho que há muito a ser estudado a este respeito, mas de imediato poderia se dizer que a ciência vem bastante prestigiada, crescendo em progressão geométrica nos últimos poucos séculos, e com este avanço, tem encontrado respostas, técnicas e descobertas que incontestavelmente melhoram tanto a qualidade como a expectativa média de vida. Desta forma, ao influenciar na vida de praticamente todos, tornando-a mais fácil, longa e prazerosa, a ciência vira o “alvo” de uma admiração antes dedicada à religião.

Com este suposto assédio à ciência, estaria então a religião se “cientificando”, ou mesmo se tornando desnecessária? A resposta não parece tão simples.

Em substituição a uma instituição religiosa que se confundia com o próprio governo, riquíssima, influente e tirana, a religião hoje entende que há mais liberdade de escolha, e precisa seduzir de outras formas. Tanto que as tendências religiosas apontam para algo parecido a um “self-service”: se aceita determinada denominação, mas não implicando necessariamente em concordância com todos os dogmas desta doutrina, mas também em se utilizar procedimentos, rituais e ter crenças “emprestadas” de outras religiões. A princípio, isso parece ótimo – o fanatismo e a obediência cega nunca terminaram bem. A religião está se adaptando ao mundo de hoje, e já não pode mais submeter a ciência a seus desmandos.

O porém é que, junto com o justificado prestígio da ciência, e da liberdade que há para se aprofundá-la, há também uma certa “superestimação”, como se nela fosse possível encontrar resposta para absolutamente tudo. Isso é um claro e grande exagero.

Ainda assim, a ciência, na pessoa de alguns de seus expoentes, tem empreendido um ataque pesado à religião – preferencialmente sobre aquelas com maior número de seguidores – tanto como instituição, como em sistema de crenças, que seria, segundo eles, não apenas obsoleto, como também prejudicial e potencialmente desastroso, ao fomentar guerras, ódio, preconceitos e outras agruras. Há uma espécie de desencanto com a religião, e os ateus, agnósticos e livre pensadores, antes prudentemente escondidos, tem se revelado, com graus variados de indignação ante o “passado negro” da religião, de forma geral.

Refletindo melhor sobre este cenário, é possível encontrar muitas ligações de guerras e matanças relacionadas à religião, em praticamente todas as épocas. Porém, parece bastante razoável dizer que a religião, dada a posição e importância que sempre teve, seria apenas o meio encontrado e utilizado por alguns homens – e são sempre estes que corrompem tudo – para exercerem aquilo que procuram avidamente: o poder. Em muitos casos, é o meio preferencial, pois a crença cega coage uma pessoa de bem, parecida com qualquer um de nós, a abrir mão de tudo o que tenha por uma “causa” difusa, à base de alguma promessa no “porvir” que não tem como ser racionalmente contestada.

Uma vez que a ciência depende de algum tipo de linguagem ou código para ser inteligível, o ataque à religião é feito nestes termos. Aponta contradições, inconsistências e ingenuidades em interpretações, quase sempre literais, feitas a palavras ou textos tido como sagrados. Estas observações são válidas, e estão de acordo com o lugar que a ciência ocupa hoje: algo como uma “lanterna”, para iluminar o que estava obscuro. Mas o problema é tratar o código da religião, mitológico e transcedental, como algo passível de estrita análise científica. John GRAY diz sobre: “As religiões não se constituem de proposições que lutam para tornarem-se teorias.” Mais que isso, a confusão feita com a linguagem metafórica do mito, ao se querer analisar suas histórias e parábolas à luz da ciência, os confunde com mentiras, e ridiculariza a sabedoria milenar neles contida.

Isso é um desserviço tão grande quanto o é a credulidade irrefletida, e ambos são igualmente danosos. Por exemplo, se o nascimento virginal era uma impossibilidade científica (hoje não mais: fertilização in vitro), é possível dizer, dentre outras interpretações, que a linguagem metafórica pretendia emprestar distinção e pureza àquele nascimento específico, episódio este, aliás – nascer de uma virgem – recorrente nas mitologias antigas.

De qualquer forma, um pequeno exercício de humildade mostraria que a ciência, ainda que formidável, é como uma “lanterninha”, um pequeno facho de luz apontando para a vastidão infinita. Imagine-se na escuridão absoluta, olhando um quadro-painel desenhado por todo um muro gigantesco, a Muralha da China, digamos, munido apenas desta lanterna. Você veria “flashes” das pinturas, e teria imensa dificuldade de “montar” a figura completa, quanto mais entender seu propósito. Faria sentido se gabar que a lanterninha na sua mão é muito mais avançada e potente que as tochas que os antigos empunhavam para tentar entender o quadro-painel, ou seria mais inteligente interpretar os relatos deles e perceber que, à parte a linguagem e a ênfase que davam a alguns detalhes, eles contavam uma história muito coerente?

Há um homem dedicou sua vida inteira para interpretar e procurar os padrões do equivalente a estes relatos: Joseph CAMPBELL. E a noção de religiosidade que ele construiu é muito mais consistente e significativa que o ataque que os autores ateus, como Richard DAWKINS, Sam HARRIS e Christopher HITCHENS fazem, respectivamente, em seus livros “Deus, um Delírio”, “Carta a uma Nação Cristã” e “Deus Não é Grande”. Entender os exageros e abusos que se fazem em nome da religião é uma coisa, atacar qualquer tipo de fé como algo característico de pessoas pouco inteligentes é outra, muito diferente.

E aqui concluo a primeira parte deste meu ensaio, grifando algo que espero que tenha ficado bem balizado: a comunhão com o que há de Divino NÃO DEPENDE de intelecto ou de instrução. Até porque muito do que é mais importante está acima da linguagem, como diz a citação do início. Envolve um tanto de instinto e um tanto de sabedoria, e bem pouco saber. Para tornar mais clara esta condição, há de se pontuar algumas da diferenças fundamentais entre o “saber” e a Sabedoria: o primeiro dependente do domínio de ao menos uma língua, é cumulativo, apreendido por esforço, disponível em locais específicos, como bibliotecas, faculdades, dentre outros, enquanto a última independente até de alfabetização, não é mensurável, é apreendida por vivência e reflexão, não armazenável, mas encontrada em todos os lugares. Dito de outra forma, Sabedoria é a habilidade de se utilizar com máxima perfeição o saber que se tenha. Daí o fato de haver pessoas muito “cultas” que são bem pouco sábias, e pessoas tidas como “ignorantes” que são repletas de sabedoria.

Logo, respondendo ao título do ensaio, se afirma de maneira categórica: Não são necessárias inteligência ou instrução para se experimentar o Divino. Nem tampouco é necessário se pertencer a alguma doutrina específica ou praticar determinados rituais para isso. Ou seja, nem muita ciência nem religião irrefletida. Se ambos extremos de exigência estão errados, daí se depreende também que o embate ciência x religião é inútil e custoso.

Termino por ora com uma citação religiosa antiquíssima que não se prende a dogmas, e uma outra de um dos maiores cientistas e gênios de todos os tempos:

O caminho que pode ser expresso não é o Caminho constante

O nome que pode ser enunciado não é o Nome constante

Sem-Nome é o princípio do céu e da terra

Com-Nome é a mãe de dez mil coisas” – TAO TE CHING

 “Minha religiosidade consiste em uma humilde admiração pelo espírito infinitamente superior que se revela no pouco que nós, com nossa fraca e transitória compreensão, podemos entender da realidade.” – Albert Einstein

Para saber mais, indico:

A Anatomia de John Gray”, John GRAY, Ed. Record;

Isto és Tu”, Joseph CAMPBELL, Landy Editora;

O Mundo Assombrado por Demônios”, Carl SAGAN, Cia. das Letras

Além da “trinca” dos ateus, brilhantemente escritos, mas, felizmente, refutáveis:

Deus, um Delírio”, Richard DAWKINS, Cia. das Letras

Carta a uma Nação Cristã”, Sam HARRIS, Cia. das Letras

deus não é grande”, de Christopher HITCHENS, Ediouro

Na sequência deste ensaio, pretendo analisar brevemente o que nos separa e o que temos em comum em matéria de crenças, para, então, tentar indicar uma “terceira via”, que é aonde minhas reflexões me levaram.

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Por Alberto Nannini

Tudo depende da perspectiva[1]. Olhar algo de diferentes planos muda totalmente a percepção. Na verdade, vai ainda muito mais longe: nossos sentidos não são infalíveis (vide ilusões de ótica[2]  e afins), e nosso cérebro pode não processar – e via de regra não processa – uma mesma informação, vista duas vezes, da mesma maneira, já que estamos sujeitos a influências externas e à nossa própria “evolução”, por assim dizer: com um segundo de diferença, já não somos os mesmos. Como se não bastasse, o simples fato de se observar algo já o modifica, segundo a Física Quântica.

Daí que nossa noção de realidade é muito mais precária do que supomos.

Ouça esta conversa animada numa fábrica:

–         O mundo não tem forma definida!

–         Imagina, claro que tem! Tem forma circular!

–         Vocês dois não sabem nada! O nosso planeta é muito maior do que vocês imaginam! O que a nossa fábrica produz segue para os confins do planeta, pelos milhares de km de rios!

–         Ih, disfarça, olha o chefe chegando!

Nada de tão extraordinário, certo? A não ser que os operários fossem suas células hepáticas, da “fábrica” de seu fígado, “vigiados” por enzimas. Logo, elas falavam de você.

Consequentemente, sob esta perspectiva, você é um planeta [3].

Se admitíssemos que nossas células conversadeiras ali tivessem esse nível de consciência, será que compreenderiam o que formam juntas, isto é, que a somatória de todas elas mais seus respectivos desempenhos e funções, perfeitamente sincronizados, mais todo o meio físico em que vivem (seu corpo), formam você, e as minhas, formam a mim, e respectivamente todas as outras pessoas e seres? Não, não entenderiam. E não só não entenderiam, como qualquer célula que tivesse uma conversa estranha sobre “formamos um todo”, ou “em nossos núcleos[4], somos todas iguais”, “uma mesma linha[5] nos une”, seria ou vista como excêntrica, ou seria até eliminada, por desvio de função. E como posso afirmar que elas não compreenderiam o todo do qual fazem parte? …Bom, eu não entendo o Todo do qual faço parte. Sem contar que nós, como espécie, fomos especialmente cruéis com alguns visionários (crucificados, lapidados, queimados…)[6] que diziam algo não muito diferente do que diriam estas tais células subversivas. E olha que digo isso sendo só mais um pensando (e escrevendo) sobre este assunto, apoiado no ombro de gigantes muito melhor capacitados, que pensavam nisso desde… desde quando existimos como esta cruel espécie, praticamente.

Pensar no que consistiria este tal “Todo” é “apenas” o berço de toda a ciência, de toda a filosofia e de todo o progresso que fizemos.

Vejamos: da mesma forma que o personagem A. Quadrado da “Planolândia”¹, depois de uma jornada quase de herói, onde foi apresentado a um mundo “menos complexo” para entender o mundo “mais complexo”, intuiu que deveria haver mais do que aquilo que podia ser visto… O que poderíamos intuir, do ponto de vista macro, se pensármos que, do ponto de vista micro, seríamos, metaforicamente, considerados como planetas?

Aqui as coisas começam a ficar bem interessantes. Expandindo a analogia de sermos planetas para nossas células, e se fossêmos células para nosso planeta? A Terra, conosco e toda a biodiversidade como componentes, poderia ser também um ente vivo? Parece loucura, mas é uma teoria séria, que resume, bem a grosso modo, a Hipótese Gaia[7].

É uma questão de escala: ante a embabascante e incompreensível vastidão do Universo, o que é um pálido ponto azul no espaço? Ou mesmo nosso Sol, uma estrela entre bilhões e bilhões, de grandeza apenas mediana?

Os números nos entontecem, e entender o mundo macro parece muita pretensão. Daí o  recurso de se fazer essas analogias, e de usar perspectivas e proporções.

Proporcionalmente, somos um “planeta” para nossas células, ao mesmo tempo que, invertendo totalmente a perspectiva, a própria Terra é só uma minúscula célula no universo! E ainda, se para algum organismo unicelular que viva alguns segundos, nossos 80 anos de labuta, em média, são quase a eternidade, perto dos 10 bilhões de anos que vivem uma estrela, nossa vida é ainda mais ínfima, uma fração de fração de segundo, uma fagulha que se apaga praticamente ao mesmo tempo em que se acendeu.

Mas o mais lindo, absurdo e fascinante disso tudo é justamente o que há em comum em todos estes exemplos: nós, e as células, e os planetas e as estrelas, e quiçá o mundo, temos uma “arquitetura” muito semelhante. Somos mundos dentro de mundos. Como Matrioshkas[8].

Mundos dentro de mundos. Nada mais verdadeiro. O micro espelha o macro, vertiginosamente. A relação inevitável aqui é com os fractais. Talvez conheça o Conjunto de Mandelbrot[9], belíssimo. Trata-se de um construto matemático, onde, por mais que se vá recortando a figura inicial, que é muito mais complexa do que aparenta à 1ª vista, os recortes resultam em algo muito semelhante ou até absolutamente idênticos ao original! Mesmo reduzida sucessivamente, revela mais e mais detalhes, e ainda espelha a “matriz”. Não se parece isso conosco, ou com a vida como a conhecemos? Mesmo reduzida a algo aparentemente insignificante (recordemos que insignificância é só uma questão de escala), ainda é Vida, pulsando contra todas as chances.

Então, um planeta, um mundo, e mesmo a própria Divindade. Isto és Tu. Você contém em si todo o mistério e toda a maravilha do mundo, perambulando faceiro(a) por aí, nas suas tantas dezenas[10] de quilogramas de água, carbono e outros elementos básicos.

Concluindo, como no caso acima da descrição que fiz de você, é bastante fácil provar que há muitas situações nas quais o todo resulta maior do que a simples reunião de suas partes, da culinária ao futebol[11]. E a nossa somatória? Todas as nossas vidas, nossas lutas, nossa história, o que formam juntas?

Formam uma tapeçaria intrincadíssima, da qual nós somos os fios, entrelaçados caóticamente no avesso dela. Nos enrolamos uns com os outros, numa “costura” aparentemente aleatória, e damos origem a outros fios, até o dia em que “acaba” (noss)o fio[12]. Não fazemos ideia de qual “figura” esta tapeçaria forma, nem se há um Tecelão ou se é obra do acaso, ops!, Acaso. Inclusive, mesmo nessa metáfora, se fôssemos fios, mesmo o mais fino deles é composto de uma série de fios menores emaranhados, e as próprias moléculas que os compõem se enovelam em cadeias também. Recortes auto-semelhantes.

O que, finalmente, leva à conclusão que, já que mesmo as menores partes costumam espelhar o todo, uma forma de intuir o que formamos no macro, de qual é a figura (e o propósito) da tal “tapeçaria”, é ver o que formamos no micro, no aqui e agora. Não apenas somar as partes, mas “exponenciar”, e transcender. Não apenas o físico e material e toda a vaidade[13] derivada deles, mas o imaterial, aquilo que mesmo as mais inteligentes e sensíveis células de um todo, quando as há, tem extrema dificuldade de apre(e)nder.

Se existe dor, intriga, o mal e a morte, existe também a alegria, a paz, o amor e a vida, a (re)nascer. E costumamos preferir os primeiros aos últimos, de forma que podemos deduzir que participamos de algo incomensurável e lindo, mas que não sabemos bem o que seja.

Como nós mesmos.

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Para saber mais, indico:

Intuições fractais, da revista Piauí;

Incríveis Passatempos Matemáticos, Ian Stewart, Ed. Zahar, e

Almanaque das Curiosidades Matemáticas, idem (estes dois de novo!).

Planolândia, Edwin Abott Abott, Ed. Conrad (e este também!)

Bilhões e Bilhões, Carl Sagan, Cia de Bolso.

Pálido Ponto Azul, idem, Cia das Letras (esse é bem difícil de achar…)

O Dom Supremo, Henry Drummond (adaptação de Paulo Coelho), Ed. Rocco (este por causa da última citação, a seguir…)

Para terminar, uma citação, cuja interpretação, após lido tudo isso, poderia pender para uma tal que não se escore apenas numa determinada religião ou doutrina, mas que revele uma verdade profunda:

“Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei (o Todo), como também sou conhecido.”

                        I Coríntios 13, 12

 Somos Todos Um.


[2]                 http://www.ilusoes.com.br ; Vale a visita!

[3]                Esta analogia pode ir bastante longe: temos trilhões de células (“seres vivos”), que vivem em diversas partes do corpo (“habitats”), com muitas especialidades (“espécies”), reguladas por um mecanismo compensatório (“cadeia alimentar”)… E por aí vai.

[4]               Eucariontes; caso fossem mesmo trabalhadores como conhecemos, teriam um sindicato e discriminariam as procariontes, a não ser que conviesse uma aliança política. Aí, como resultado, talvez até fizéssemos a fotossíntese.

[5]                [ou uma mesma fita de dupla hélice…]

[6]                Esta citação é menção a um dos capítulos finais do “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, de José SARAMAGO, onde Jesus, em conversa com o diabo, ouve ele dizer o que acontecerá a alguns dos santos e mártires que o seguirão. Leitura forte, duma temática sensacional, que bem pode ser meu próximo tema…

[7]                Veja http://www.terrabrasil.org.br/noticias/materias/pnt_gaya.htm [O que leva a outra correlação: quando nossas células se multiplicam desordenadamente e atuam de forma desarmônica, temos um câncer, que consome tudo á sua volta, e possivelmente nos matará. E o que fazemos nós hoje, ou o que somos hoje, para nosso planeta Terra?]

[8]                  Lembra? São aquelas bonecas russas que vão se escondendo uma dentro da outra. Falei que você era uma Matrioshka Planetária, não falei?

[9]                 http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-50/obituario/intuicoes-fractais; não deixe de dar uma “googlada” em ‘“Conjunto de Mandelbrot” – Imagens’, há umas de cair o queixo!

[10]               Centenas de kg, no caso de alguns ex-jogadores de futebol fenomenais.

[11]              O exemplo mais famoso da culinária é “não é apenas se juntando farinha, manteiga, açucar, ovos e fermento que se tem um bolo”, pois é necessário um complexo processo, que envolve misturar, assar e ter uma tia para fazer tudo isso. No futebol, não é se juntando 11 jogadores que se tem necessariamente um time. Alguém, por favor, avise o técnico do meu…

[12]               Aí, literalmente, é o fim da linha.

[13]              “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade!” É o mote do livro do “Eclesiastes”, da Bíblia; é uma leitura interessantíssima, curta e impressionante, que pode ser lida tranquilamente como literatura, sem fins religiosos.

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