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Posts Tagged ‘Cerveja’

“Postou-se em frente à modesta seleção de cervejas nacionais da Cooperativa de Fen City, Miller, Coors e Budweiser, e tentou se decidir. Sopesou um pacote de seis latas, como se pudesse avaliar de antemão, através do alumínio das latas, como iria se sentir se as tomasse. Richard lhe tinha dito que devia beber menos; bêbada, ela lhe parecera feia. Ela devolveu a cerveja à prateleira e forçou-se a procurar áreas menos atraentes da loja, mas era difícil planejar o que fazer à noite com vontade de vomitar. Voltou para as prateleiras de cerveja como um passarinho que repete seu canto. As diversas latas tinham decorações diferentes, mas continham todas a mesma cerveja fraca de baixa qualidade. Ocorreu-lhe ir até Grand Rapids e comprar vinho de verdade.” – trecho de Liberdade, de Jonathan Franzen, onde, infelizmente, a personagem pensa em trocar as cervejas vagabundas por vinho, não por cervejas de alta qualidade.

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Por toda a equipe.

Vocalista e líder das Velhas Virgens, músico profissional, compositor, letrista, contrabaixista, gaitista, saxofonista, radialista pela Faap, roteirista do Domingo Legal, programa do SBT, ex-candidato à vaga no CQC e bebedor dos bons, Paulão de Carvalho sente orgulho mesmo é de ser reconhecido como o pai da Maria Julia. Depois que casou, Paulão saiu com sua esposa, a Dex, para uma trip de lua de mel passando pela Espanha, França, Inglaterra, Holanda e Itália e, da viagem, escreveu Na terra das mulheres sem bunda, livro publicado em meados de 2011 pela Panda Books. Nesta conversa com o Canto dos Livros, o agora também escritor fala sobre a sua obra (claro!), relação com a Literatura, influências literárias e alguns outros assuntos.

Canto dos Livros: Por que escrever o livro? Como foi fazê-lo? Até que ponto houve uma preocupação com o valor literário da obra?

Paulão de Carvalho: Eu gosto de escrever. Escrevo crônicas, letras, em blogs… então, resolvi compartilhar esta viagem dos sonhos à Europa com os outros. Escrevê-lo foi um trabalho diário muito louco, pois foi feito em movimento. Eu chegava no SBT, escrevia nos momentos de janela, depois mandava pro Yahoo; ia pra Band, abria, escrevia mais… e assim ia dia a dia, redigindo nos momentos de folga durante o dia de trabalho. Não sei o que você chama de valor literário. Tentei contar uma história interessante de modo divertido. Tudo que um texto não pode ser é chato.

CL: Como está sendo a aceitação do Na terra das mulheres sem bunda pelo público? E pela crítica?

PdC: Quem leu gostou, isto é muito legal. Estão curtindo minha linguagem coloquial.

CL: O livro foi publicado pela Panda Books. Como foi chegar até esta editora? Chegou a procurar por outras? Ser cantor de uma banda conhecida ajudou neste ponto?

Hum… falei com uma outra editora. Um amigo que trabalha no mercado de livros me indicou. Ser um cara mais ou menos conhecido (e não só por causa da banda, mas pelo CQC também) ajudou, mas o que definiu foi a linguagem e o tema. Eles leram e gostaram!

CL: O título do seu livro é, de certa forma, provocativo. Qual foi a intenção dele? Não temeu sofrer represálias comerciais por sermos um país conservador em muitos aspectos?

PdC: É um título com minha cara e a cara das Velhas Virgens. É para impactar, mesmo. Muita gente recusou me entrevistar e falar do livro por causa da palavra bunda. Sobre temer represálias, escrevo que acho que devo, do modo que acha correto e, sinceramente, o resto foda-se!

CL: A banda Velhas Virgens é considerada por muitos a maior banda independente do país. Ultimamente, temos um forte movimento entre os autores, que passaram a publicar independentemente suas obras, o que, de certa forma, proporciona certa independência editorial. O que você, já acostumado com essa militância, pensa sobre isso? Não cogitou esse tipo de produção independente para o livro?

PdC: Sim! Cogitei publicar na Internet. Acho que é isso mesmo, você escreve e, se puder ter mais estrutura pra imprimir, distribuir e tal, acho melhor. Se não tiver, pode fazer sozinho e ainda assim ter um bom retorno. Um dos maiores vendedores de livros deste país, meu amigo André Vianco, cresceu assim.

CL: No livro você se expõe bastante, mas fica nítido que, a todo momento, tenta preservar a Dex, sua mulher. Apesar de detalhar bastante as coisas no texto, há, no máximo, algumas pequenas pinceladas de problemas ou momentos íntimos que tiveram ao longo da viagem. Como funcionou isso? Houve algum acordo prévio entre você e ela para que a história – que os dois viveram juntos – pudesse ser contada?

PdC: Não houve acordo verbal, mas eu sabia que se abrisse demais detalhes íntimos ela me mataria. E eu gosto de viver!

CL: Você encontrou alguma semelhança na relação com a editora e o trabalho de uma gravadora, já que ambas podem interferir na obra do artista? Como foi essa experiência com o livro?

PdC: Ambas estão investindo no seu trabalho e tem parâmetros para ter sucesso, lucro. Ouvi as observações da editora Pandas e ponderei. Na verdade, ponderamos juntos. Ela tem muito mais conhecimento e experiência com este mercado de livros do que eu, então procurei aprender. O livro tinha o dobro de páginas e ela argumentou que se fosse tão grande, o custo subiria muito e dificultaria o acesso do público da banda. No fim, sinceramente, aprendi muito com ela. To pronto pra escrever outro.

CL: Se você estivesse num boteco e pudesse dar um – ou alguns poucos – livros para um cara que te pagou uma cerveja, qual(is) seria(m)? Por quê?

PdC: Hum..alguns do Vianco, a biografia do Adoniran Barbosa (do Celso Campos Junior.), a biografia do Ozzy, Bagana na chuva, do Mario Bortolotto, Cozinha Confidencial, O Veleiro de Cristal, Capitães de Areia, Grande Sertão: veredas, Macunaima, Anjo Pornográfico, do Ruy Castro e alguns do Dan Brown

CL: Há como relacionar a cerveja (principalmente as boas cervejas) com a literatura? Costuma ler ou escrever bebão? Como é a experiência?

PdC: Beber cerveja é uma experiência que merece ser feita sem outros afazeres, a não ser uns tira-gostos. Nada do que escrevo bêbado presta, com raríssimas exceções. Acho que ler, escrever e beber são prazeres maravilhosos, mas devem ser feitos em separado.

CL: Nas letras das Velhas Virgens há diversas referências literárias, como os títulos Fernando Pessoa Blues e As mulheres de Nelson Rodrigues, além da citação de um trecho do poema Versos Íntimos, de Augusto dos Anjos, em Não vale nada. Como, então, o repertório literário interfere ou o ajuda na hora de compor as letras?

PdC: Tudo que a gente lê inspira, se mistura, vai e volta, dejam crônicas, notícias de jornal, revistas pornográficas ou literatura clássica. É interessante você mostrar que a boemia que cantamos não foi inventada pela gente e citar Baudelaire, convenhamos, dá credibilidade a estes bêbados que somos nós.

CL: Você costuma trabalhar bastante com o humor. Como você vê essa questão no país, quando os autores de algumas delas sofrem represálias?

PdC: Acho que a vida real já é suficientemente dramática e triste. Fazer rir é uma benção. Coibir o riso é a primeira atitude dos ditadores. Riso é liberdade. Quem não ri é um prisioneiro da tristeza, a pior e mais inexpugnável das cadeias.

CL: E agora, depois do primeiro livro, pretende continuar escrevendo? Já tem algum projeto em vista?

PdC: Já estou escrevendo. É um livro de curiosidades do mundo do rock, vai ser curtinho, divertido. Mas há pelo menos mais quatro outros projetos na minha cabeça. Depois deste de curiosidades roqueiras, começo mais um. Escrever, como ler, vicia. E não mata!

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Dois dos principais eventos dos meios literário e cervejeiro acontecem essa semana. Paraty receberá entre os dias 6 e 10 uma enxurrada de leitores e escritores para a Flip, enquanto São Paulo recepcionará hordas de beberrões (e não me venham com essa história de “bebo menos, pois bebo melhor”, por favor) para a 11ª edição da Brasil Brau, que acontece do dia 5 ao 7 no Transamérica Expo Center.

A Festa Literária Internacional de Paraty já é o principal evento do setor no Brasil, já que as Bienais passaram a ter um perfil muito mais voltado para a venda de livros do que para a divulgação e, principalmente, discussão da Literatura. Apesar da imprensa estar, como sempre, fazendo muito alarde para os nomes estrangeiros que estarão na cidade carioca, como James Ellroy e Joe Sacco, acredito que a discussão entre o cientista Miguel Nicolelis e o filosofo Luis Felipe Pondé tem tudo para ser o ápice da festa.

Já no evento cervejeiro, direcionado principalmente à tecnologia empregada no processo de fabricação da bebida, atenção total voltada para o espaço Degusta Beer, no qual os visitantes poderão experimentar por 3 reais pequenas (pequeníssimas, aliás, de 50ml ou 100ml) amostras de rótulos que ainda serão lançados no mercado. Dentre as cervejas que estarão sendo servidas, provavelmente a que está sendo mais comentada e aguardada pelos apreciadores da nobre bebida é a Vivre pour Vivre, da mineira Falke Bier, uma Lambic que leva jabuticaba em sua receita. Outra que está gerando bastante curiosidade é a Grão-Pará, da Colorado, uma American Brown Ale com castanha-do-pará em sua composição.

E os apaixonas por livros e cervejas e, principalmente, os fanáticos pelos dois, que se preparem para uma ótima semana.

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Há mais de oito mil anos a humanidade bebe cerveja. É uma das bebidas mais consumidas do mundo, isto todos nós sabemos. Mas o que muitos desconhecem é a riqueza dessa bebida. São diversos estilos, cores, sabores, aromas e histórias por trás de cada gole. Existe hoje um renascimento das cervejas de alta qualidade e queremos que todos saibam que elas existem. Nós, blogueiros que falamos sobre a cultura cervejeira, queremos trazer as boas novas, informar e apresentar este vasto universo. Para isso, criamos o Blogueiros Brasileiros de Cerveja, o BBC.

Como vocês sabem, o Canto dos Livros é sobre Literatura. Contudo, eu, Rodrigo Casarin, editor dessa bagaça aqui, sou um apaixonado por cerveja (outros três integrantes também são), por isso resolvi de alguma forma e em alguns momentos misturar a sagrada bebida com o mundo das letras. Criei a seção Literatura & Cerveja, e a coisa vem dando certo.

Obviamente, como um dos membros da “entidade”, o blog apóia completamente o BBC (há outros membros aí nos links ao lado). Afinal, do mesmo jeito que a literatura não se limita a Paulo Coelho ou Dan Brown, as cervejas vão muito além das “leves” e “refrescantes” que dominam o mercado em todo o mundo. Porém, para que as pessoas possam se soltar das amarras dessas cervejas de baixa qualidade, é necessário primeiro haver uma cultura cervejeira, e tal cultura irá se formar apenas com a difusão de informações sobre o tema.

Espero que as cervejarias também abracem a causa e aumentem as medidas para a divulgação das boas cervejas (dentre elas a redução dos preços, que é essencial). E que possamos um dia escolher qual estilo e marca a tomar em qualquer boteco, não ficar discutindo se a cerveja A é melhor que a B sendo que, na verdade, são praticamente iguais.

Também convido a todos a participarem da ação coletiva que haverá hoje no Twitter, entre as 14 e 15 horas, quando falaremos de boas cervejas, sempre utilizando a hashtag #cervejadeverdade.

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Nascido nos Estados Unidos, o jornalista e escritor Bill Bufford mudou para a Inglaterra no final da década de 1980. No país bretão, ficou intrigado com o comportamento dos hooligans. A fim de  conhecer mais sobre aqueles grupos de homens que iam para partidas de futebol aparentemente apenas para brigar, o norte-americano resolve imergir nesse universo.

Depois de frequentar muitas partidas na Inglaterra e em outros países europeus acompanhando algumas torcidas inglesas e pesquisar muito sobre o assunto, Bufford escreve Entre os vândalos, um livro-reportagem que figura entre os melhores que existem sobre o assunto. Nele, fica explicito que uma das coisas que chama atenção do jornalista ao longo de suas andanças é a quantidade absurda de cerveja que os torcedores bebem.

Um dos méritos de Bufford ao escrever a obre foi colocar a marca que os hooligans mais consumiam: a irlandesa Harp. Irmã loira e menos famosa da Guinness, uma deliciosa negra (mas um tanto sem gás, é verdade) que a maior parte do mundo conhece e já provou, a Harp é uma Premium American Lager metida a Pilsen (como a maior parte das cervejas do seu estilo). Apesar de ser menos do que pensa que é, ainda assim é uma boa cerveja, que compete diretamente pela preferência de hordas de jovens com a loira holandesa Heineken.

Leve e refrescante, como manda o figurino das cervejas feitas para o povão, a Harp é realmente uma boa pedida para ser tomada em doses cavalares, de preferência assistindo a um São Paulo X Palmeiras, Grêmio X Inter, Flamengo X Fluminense, Atlético X Cruzeiro… Ou lendo um livro como Entre os vândalos.

Ah, só para não deixar passar, de vez em quando as irmãs se juntam e fazem um bacanal, conhecido como Half & Half. Veja aí:

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Hoje estréio aqui no blog uma seção nova, a “Literatura & Cerveja”. A proposta é bastante simples, combinar algo do universo literário com algo do universo cervejeiro. Vale de tudo: autor com cerveja, livro com cervejaria, estilo literário com escola cervejeira… A proposta, de certa forma, é inspirada no HarmonizaSOM, uma iniciativa dos caras do Clubier de harmonizar cervejas com música.

Pois bem, então, para começar, vamos pelo óbvio: Flying Dog e Hunter Thompson. A relação da cervejaria estadunidense com o grande nome do jornalismo Gonzo é extremamente próxima. Na capa do site da fabricante já há uma frase do escritor: “Good people drink good beer”. Acho que a tradução é desnecessária. O espírito Gonzo é uma das inspirações mais presentes na filosofia seguida pela empresa

A linha da Flying Dog conta, inclusive, com uma cerveja em homenagem a Thompson, a excelente Gonzo Imperial Porter. Dêem uma olhada no rótulo dela:


E aí está uma foto clássica de Thompson:

Uma declaração de Thompson também aparece em um dos copos da cervejaria, vejam:


Mas nem só de manifestações explícitas se dá a relação entre a Flying Dog e Hunter Thompson. A personalidade excêntrica e extremista do jornalista está muito bem representada na personalidade das cervejas, bastante carregadas de lúpulo – como acontece com boa parte dos exemplares da escola estadunidense – que lhes confere um amargor acentuado, que pode afastar beberrões pouco acostumados com isso,  e caráter único.

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