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Posts Tagged ‘Edvaldo Pereira Lima’

entrevista_desenhoNesses mais de quatro anos de Canto dos Livros, as entrevistas que procuramos fazer mensalmente se tornaram um dos principais diferenciais do blog. Por isso, resolvemos reunir os links de todas as conversas que tivemos com pessoas do meio literário em um só post. Abaixo, trechos de dez delas e, em seguida, uma relação com todos aqueles que já falaram conosco. Para ler uma entrevista na íntegra, basta clicar sobre os nomes dos entrevistados. Divirta-se!

“Perceber o mundo como um morador local o percebe é fundamental para escrever com realismo e convencer o leitor de que ele está entrando num mundo especial, diferente do seu dia-a-dia” – Airton Ortiz

“Adoro o cotidiano mais prosaico, um ponto de ônibus, um sofá com televisão, um almoço qualquer” – Andréa del Fuego

“Por mais interessantes e diferentes que tenham sido as experiências que vivi durante a viagem, tenho escolhido não estacionar em vida nenhuma. Isso não quer dizer viver superficialmente, à deriva, do tipo ‘pra onde me chamar eu vou’. É, na verdade, uma tentativa de se manter aberto, receptivo às novidades” – Antonio Lino

“Toda narrativa pública transporta implicitamente uma visão de mundo, contribuindo ou para manter o grau de consciência do leitor num nível muito baixo de entendimento da realidade, ou ajudando-o a despertar para uma visão transformadora, que não termina no ângulo puramente derrotista, negativista” – Edvaldo Pereira Lima

“Geralmente, há uma esnobação equivocada que cerca a ficção. Eu adoro belos romances, mas a verdade é que genialidade na ficção é rara e a vasta maioria dos autores que se empenha em fazê-lo acaba produzindo uma bobagem banal” – Jeremy Mercer

“A ficção é parte do real, não se opõe a ele; não é o oposto da verdade. A ficção é um modo de se tornar visíveis relações constitutivas do real” – José Luiz Passos

“Sinto que todo escritor sofre de uma hipermetropia: pode enxergar bem a obra dos outros, à distância, mas a sua própria sempre aparece aos seus olhos imprecisa e turva” – Julián Fuks

“Acho que no geral há uma possibilidade razoável de nos próximos anos termos bons livros para ler. No entanto, parece-me que boa parte da produção ainda reproduz – sem criticar ou, ainda pior, aderindo ao que há de pior no Brasil. Digamos que estamos diante, se formos falar no geral, de uma produção amena e edulcorada” – Ricardo Lísias

“O que mais me incomodava, além dos entraves burocráticos, era a minha completa inaptidão para conversar com as pessoas. Às vezes eu ficava em silêncio ao lado de algum entrevistado vendo os ônibus passarem, por puro pânico e falta de perguntas. Isso às vezes era uma vantagem, porque o sujeito acabava falando qualquer coisa que lhe viesse à mente” – Vanessa Barbara

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Por Rodrigo Casarin

escritor fim do mundoO ano era 2007 e Juremir Machado da Silva, tradutor de Michel Houellebecq para o português (vertera Partículas elementares Extensão do domínio da luta até então), havia conseguido que o escritor francês fosse um dos convidados do ciclo de palestras Fronteiras do Pensamento. Convite aceito, Houellebecq pede ao “amigo” Juremir que, junto com sua mulher Claudia, também o acompanhe a uma viagem a Buenos Aires, Ushuaia e El Calafate. Vão à Patagônia porque é o lugar habitado mais ao Sul do mundo; porque, para os franceses, há a impressão de que nenhum outro canto pode ser mais longe — ainda que a Nova Zelândia seja mais distante da França — e porque, na ocasião, Houellebecq vendia mais livros na Argentina do que em todos os outros países hispânicos juntos.

Claro que o casal aceita o pedido — caso contrário, Um escritor no fim do mundo (viagem com Michel Houellebecq à Patagônia) não existiria e, conseqüentemente, esta resenha tampouco. Embarcam em uma viagem de sete dias, e é importante notar como de algo tão breve Juremir retirou um bom e valioso relato. Livros de viagens costumam retratar longas expedições — como Na trilha da humanidade, de Airton Ortiz —, aventuras que duram meses — O safári da estrela negra, de Paul Theroux —, buscas por algo quase sagrado — A última casa de ópio, de Nick Tosches — ou profundas imersões na cultura um país ou região ao menos um pouco estranho ao viajante-escritor — Colômbia espelho América, de Edvaldo Pereira Lima. Em todos os casos, quanto mais tempo o explorador tiver para flanar pelo desconhecido, melhor.

Talvez por não ter tido tanto tempo para esmiuçar a cultura local, talvez por não ter vivido nenhuma grande aventura — a viagem que Juremir, Michel e Claudia fazem é estritamente turística: andam de avião, táxi, hospedam-se em bons hotéis, integram excursões a atrações tradicionais, comem em bons restaurantes… — ou por estar acompanhado de um interessante escritor de renome internacional, o foco da escrita de Juremir se concentra muito mais no relacionamento que desenvolve com Houellebecq do que na viagem em si, que fica em segundo plano.

O autor opta por iniciar a obra com uma confissão que é quase um paradoxo para o que vem a seguir: “Eu amo as viagens e as memórias fugitivas. Mas odeio os viajantes e seus relatos”. Logo depois, trabalha com um conceito um tanto básico das narrativas de viagem: “Fomos ao exterior. Viajamos para o interior de nós mesmos. É essa narrativa que pretendo fazer aqui: a história de uma viagem ao interior de um homem”. E o que entrega ao leitor não é simplesmente um relato da sua passagem pela Argentina, mas principalmente uma interessante mistura de perfil do escritor francês — uma viagem ao seu interior — com ensaio sobre a relação dos dois — ou dos três, em alguns momentos. 

Difícil companheiro

Michel Houellebecq é um gênio ou um grande idiota, depende de quem o avalia. Em abril de 2002, Moacyr Scliar resenhou Plataforma, terceiro romance do francês, para a revista Veja. O título do texto, bastante elogioso à obra, era exatamente uma alusão a esses dois extremos de tratamento ao escritor: “Seria o autor francês um novo Albert Camus ou apenas um romancista medíocre e apelativo?”.

Seus romances são perturbadores. Pessimistas, politicamente incorretos, cheios de humor negro e com cenas de sexo que alguns dizem se aproximar da descrição de um filme pornô, de alguma maneira refletem a imagem do próprio autor. Houellebecq gosta de polêmicas e parece não se preocupar com o que os outros pensam dele (os brasileiros que o digam: o escritor já cancelou duas vezes sua vinda à Flip; a segunda, inclusive, aconteceu neste ano). Esforça-se para nutrir a imagem construída em torno da sua figura.

Na relação com Jurandir, faz questão que seja visto como alguém arrogante e eurocentrista, além de reiteradamente mostrar-se sedento por sexo. “Eu adoraria transar com brasileiras de dezessete anos que me acham radicalmente delicioso, mas isso me parece difícil dado o pouco tempo que ficarei em Porto Alegre. Tu não poderias organizar um concurso para descobrir a mais motivada dessas garotas? Afinal, estou ficando velho e talvez seja a minha última oportunidade de ir para a cama com uma brasileira”, diz em determinado momento para o parceiro, que, em algumas ocasiões, tem a clara impressão de que ouvirá Houellebecq se convidando para participar de um ménage à trois junto com o brasileiro e sua mulher.

Como é de se imaginar, a relação com o escritor francês não é exatamente tranqüila. Imprevisível, pode desencadear uma longa e surpreendente discussão sobre o que pingüins e lobos marinhos supostamente representariam — Houellebecq defende os primeiros; Juremir, os segundos, numa discussão que ganha corpo e importância ao longo do livro —, mas também se comunicar com o interlocutor apenas por meio de “humm” com entonações e sentidos diferentes, tudo depende do seu humor. Uma pena, pois quando o francês resolve efetivamente falar, surgem boas conversas, cheias de idéias, teorias e discussões intercaladas por amenidades e bobagens — que dão um toque pessoal e informal aos diálogos, bem ao ritmo de uma viagem sem grandes compromissos —, muito bem transpostas para o livro por Juremir.

Como não poderia ser diferente, o assunto que rende os melhores papos é literatura. Ciente do vasto conhecimento do francês, Juremir, em uma preocupação típica de intelectual, até decora o trecho de um texto de Jean Baudrillard para poder citá-lo e se fazer de erudito. Com essa alternância entre quase monólogos seguidos de lacônicos “humm” e longos, profundos e bem humorados diálogos, Juremir e Houellebecq ora parecem estar se descobrindo, ora parecem velhos amigos. 

Paisagens de gelo

Talentoso e atento, Juremir não se perde quando o francês resolve praticamente se enclausurar em si mesmo. Utiliza a relação com Claudia, as experiências que vivem, as refeições e momentos turísticos para dar corpo e movimento ao livro. Também observa bastante Houellebecq, em alguns momentos até demais: “É sempre comovente e elegante esperar um escritor famoso urinar”, confessa.

Apesar do foco na convivência com Houellebecq, em alguns momentos a narrativa de Um escritor no fim do mundo aproxima-se dos tradicionais livros de viagem. Juremir traz um pouco do fim do mundo para o leitor — lá encontram marcas da civilização que parecem se espalhar por toda a parte: American Express, Diesel, Puma, Adidas, Renault, Sony e BMW, por exemplo — e apresenta interessantes histórias de alguns lugares por onde passam, como o presídio de Ushuaia.

Ainda levando em conta os elementos locais, são interessantes as poucas oportunidades em que o autor se utiliza de algo tradicionalmente hermano como recurso. Eis uma amostra: “O silêncio tornou-se espesso. Parecia a defesa de um time argentino de futebol, de tão compacto”. Aliás, o futebol aparece em diversos momentos, mas é uma pena que daí surjam os raros deslizes do autor. Escrever que “em time que está ganhando não se mexe” para justificar o pedido de outra garrafa do mesmo vinho que estavam tomando ou que quando vêem um enorme bloco de gelo, correm para fotografá-lo junto com “as torcidas reunidas do Flamengo e do Corinthians” é optar por soluções fáceis demais.

Entretanto, não fossem construções tão óbvias, passariam desapercebidas perante os méritos do escritor. Durante uma das muitas conversas sobre literatura, Houllebecq pergunta: “Por que os seus livros não são lidos, Juremir?”. “Talvez por serem ruins. Essa é a opinião dos que me criticam”, responde o brasileiro. Não sei como andam as vendas nem o número de leitores de Um escritor no fim do mundo, mas, caso não estejam sendo satisfatórios, o problema está em algum outro lugar, não na qualidade da obra. Ao menos na opinião deste que lhe critica, Juremir.

Resenha publicada originalmente na edição 160 do jornal literário Rascunho 

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CLB26 CapaA Colômbia de Gabriel García Márquez, as histórias do tempo colonial e retratos instantâneos da geografia, povo e situações sociais são a primeira plataforma de leitura de Colômbia Espelho América 26, de Edvaldo Pereira Lima, nova edição atualizada de obra lançada com título ligeiramente modificado em 1987. A segunda é o tema subjacente do sonho da integração latino-americana, espelhado nas dores e dramas da situação colombiana.

“Tantos anos depois, o livro ganha um status de registro histórico, além de atualizar aspectos da vida colombiana de hoje”, comenta o autor, professor universitário, escritor e jornalista. Trata-se, comenta, de um formato narrativo singular da literatura de não ficção cujo propósito é oferecer ao leitor um mergulho intelectual, simbólico e sensorial em locais onde o escritor penetra como protagonista de uma jornada de descoberta, carregando consigo a probabilidade da projeção futura de quem vai lê-lo.

“Quando saiu a primeira edição, o Brasil dava pouca atenção a seus vizinhos de língua espanhola”, prossegue o autor. “Não mudou muito na área cultural, mas no setor empresarial muita gente agora se interessa, pois cresce a presença corporativa brasileira nos demais mercados sul-americanos. A Colômbia, em particular, ganha muita atenção, pois tem o segundo mercado doméstico mais importante da região após o Brasil. Da mesma forma, a curiosidade dos colombianos pelo nosso país se amplia, mobilizando muita gente a aprender o português, além de se informar sobre a cultura e a economia brasileira”.

O livro serve como introdução ligeira à Colômbia, além de discutir a questão da integração continental. É, para o autor, também um trampolim convidativo para estimular o leitor a outras leituras mais ambiciosas ou a viagens de conhecimento cujo propósito transcende o interesse meramente turístico.

A obra é publicada pelo sistema editorial Clube de Autores. Clique aqui para visitar sua página.

Veja a entrevista que fizemos em janeiro do ano passado com Edvaldo Pereira Lima.

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Nos últimos dias, Edvaldo Pereira Lima, jornalista, escritor e uns dos mestres que inspiram este blog, teve destaque por duas vezes na programação da Rádio Jovem Pan. A primeira delas foi em uma entrevista de aproximadamente 12 minutos sobre a Escrita Total, com ênfase em sua função terapêutica, que você pode baixar por aqui.

Depois foi a vez de Álvaro Alves, poeta e crítico de poesia, fazer um belo comentário de Poemas para Lucy e outros amores sagrados, livro que Edvaldo escreveu em homenagem à sua ex-esposa que faleceu em 2011. Ouçam aqui.

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Veja aqui a entrevista que fizemos com Edvaldo Pereira Lima.

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Unindo uma história real de amor, espiritualidade, viagens internacionais e o mundo da escrita, os textos dePoemas Para Lucy e Outros Amores Sagrados, de Edvaldo Pereira Lima, publicado pelo sistema editorial Clube de Autores, compõem homenagem à esposa do autor, falecida em 2011, navegam por territórios da difícil jornada humana rumo à individuação, desembocam em considerações sociais sobre o Brasil de hoje.

Poemas biográficos, de um lado, espontâneos, de outro, têm como contexto de fundo questões existenciais que transcendem a história particular do poeta, conduzindo o leitor pelo arco temporal de quase 18 anos de vida amorosa espelhando os prazeres, as dores, os desencontros, os desafios, as alegrias de um longo relacionamento, assim como o confronto inevitável com a morte, temas universais de todos nós. Racional e intuitivo, emocional e intelectual, tocado pela inquietude espiritual, o autor – também professor universitário e jornalista – evita formas e fórmulas rígidas, preferindo seus poemas orgânicos, livres, sem obediência a nenhum formato imposto por modismos externos.

A linha condutora de tudo é o dramático impulso à ampliação de consciência que a vida nos coloca neste complexo momento histórico de transformação individual, social e planetária que vivemos”, destaca Pereira Lima. “Homens e mulheres configuram novos tipos de relacionamentos, os papéis se alteram, os casais são pressionados a vencer modelos antigos e todos nós, coletivamente, vivemos o grande desafio de descobrirmos o sagrado em todas as áreas das nossas vidas, como indivíduos e membros de uma única espécie que configurou uma civilização potencialmente fabulosa, mas em precário estado de sub vivência”, completa.

Os poemas da primeira parte refletem essas questões no campo romântico, partindo de tributo ao amor em “Além do Possível”, passando, entre outros, pelo sugestivo “Hula” – ondulante como as ondas do Havaí -, visitando em forma bilíngue “London Eye” (a Roda Gigante/O Olho de Londres) e terminando no tocante “Linda”, testemunho do final de uma vida humana. Os da segunda navegam por temas espirituais dramáticos – como “Armagedon” – ou de entrega – “Senhor Além da Ponte Nebulosa” -, por questões psicológicas do ego e do Self –PoemaSanto” -, por viagens de descobertas –Cruzeiro aéreo Caribe” e “Paisagem” -, por considerações quanto aos propósitos superiores de países e nações – “América do Meu Jeito” e “Arábia” -, terminam num contundente exame da nação e de brasileiros extraordinários do século XXI, o país encharcado, em paradoxo, pelo câncer endêmico da corrupção política, em “Brasil”. Jornalistas literários e a artista pop Reba McEntire também são homenageados nessa parte. Na terceira e última, os leitores recebem um bônus surpresa de um texto de terceiros, bastante útil para a alma.

Poemas Para Lucy e Outros Amores Sagradosé o décimo livro do autor, seu primeiro de poemas, tem 346 páginas impressas, custa R$45,53 na versão padrão, mais correio. O leitor pode optar por diferentes formas de acabamento e por uma versão colorida. Está à venda pelo sistema Clube de Autores e livrarias virtuais associadas, com acesso para encomenda e leitura de algumas partes da obra por aqui.

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