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Posts Tagged ‘IPA’

Por Fábio Guimarães 

Uma apresentação inusitada com proposta muito criativa foi lançada pela microcervejaria norte americana Buzzards Bay Brewing (Just Beer) em parceria com o escritor Paul Goodchild. Trata-se de uma série limitada de uma cerveja India Pale Ale que leva o mesmo nome do romance policial escrito por Goodchild para esta série: ”The Case of the IPA”. A história se passa em 1920, fala sobre um detetive que investiga mistérios envolvendo um rico cervejeiro e faz várias referências à indústria cervejeira dos Estados Unidos. A coleção é composta por 12 garrafas e, em cada rótulo, uma parte da história é desvendada. Foram também vendidas em caixas fechadas com 12 unidades onde nenhum rótulo era repetido, tendo assim o “leitor” o romance na íntegra, e impresso na caixa haviam frases bem humoradras e trocadilhos como leia sem moderação e não beba o capítulo 12 pimeiro.

As fotos que consegui na internet não estão muito nítidas mas percebe-se que os rótulos não apresentam maiores detalhes ou ormanentos. Fundo predominantemente branco com uma leve textura e a tipografia não poderia ser outra, tipos que remetem as antigas máquinas de escrever.

A seguir o primeiro capítulo traduzido:

1) O Caso da IPA

Não vou me gabar. Minhas credenciais são as de um aventureiro intrépido. Elas são tão óbvias quanto a cicatriz no meu peito e tão sutis quanto o estrabismo no meu olho. Já faz muitos anos sou um investigador meia-boca numa cidade suja, áspera, blueseira e bacana de algum renome. Entrei quando o caldo entornou no Caso da India Pale Ale. Começou com um chamado de um rico cervejeiro chamado Cornelius Fuggle (sem parentesco). Ele vivia numa mansão elegante que dava para o gasto, nos subúrbios. Os empregados me levaram até seu escritório, bateram uma vez, depois gesticularam. Eu abri a porta, empurrando uma pilha de papéis e livros. “Cuidado onde pisa”, disse uma distraída voz incorpórea. Costurei pelas pilhas de tomos amarelados indicativas de TOC até uma clareira dominada por uma reprodução gigante, uma imitação de mapa antigo. Fuggle estava tramando uma rota de Blackwall até o sub-continente, obtendo informações de um diário de bordo embolorado, manejando cuidadosamente um compasso e uma régua, desenhando com uma pena molhada num tinteiro com seu próprio sangue. “Autenticidade!”, exclamou ele e depois desmaiou.

Tradução: Milu Lessa com colaboração de Guilherme Gama.

Texto publicado originalmente no blog Bier Design.

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Jim Knipfel


Jim Knipfel é um desgraçado. Passou boa parte de sua infância e adolescência preocupando-se em tumultuar a vida dos outros apenas para se divertir com isso. Tentava colocar fogo em prédios, roubava, vandalizava…  Achava bonito ser maloqueiro. Cresceu e deixou de cometer as babaquices de outrora, mas vê (ou quase isso) o mundo e os seres humanos de uma forma extremamente pessimista. Digo ou quase isso porque Knipfel é praticamente cego, não consegue andar na rua sem sua bengala e, ainda assim, vive tropeçando por aí. Beberrão assumido, tentou se matar algumas vezes. Fracassou.

Passou por diversos empregos medonhos até chegar à recepção do jornal New York Press. Como se experimentava às vezes  como escritor, Knipfel resolveu tentar a sorte em uma vaga para jornalista do periódico. Se deu bem. Seu texto ganhou prestigio e, tempo depois, tornou-se colunista. Todas essas histórias – e muitas outras, claro – estão presentes em A arte de ser desagradável, um dos livros de memórias do autor e o único traduzido para o português. Na obra, o escritor também faz questão de exaltar o bairro onde vive com orgulho: o Brooklyn.

Se vive e passa boa parte de sua vida no famoso bairro de Nova Iorque, Knipfel deve conhecer a Brooklyn Brewery. Se não conhece, está perdendo muita coisa. Fundada em 1988, a cervejaria é uma das mais importantes no efervescente cenário de cervejas artesanais dos Estados Unidos. Seu mestre cervejeiro, Garret Oliver, talvez atualmente seja o nome de maior relevância quando o assunto é harmonização entre cerveja e comida.

Garret Oliver

No ano passado, alguns rótulos da Brooklyn chegaram ao Brasil, dentre eles a East India Pale Ale, uma cerveja aromática e com amargor pronunciado, como pede o estilo, que provavelmente agradaria (ou agrada, quem sabe) o paladar de Knipfel.

A India Pale Ale, ou apenas IPA, surgiu na Inglaterra na época das grandes navegações. Como as viagens para a Índia eram muito longas, as cervejas chegavam no país asiático estragadas. A solução para o problema foi acrescentar mais lúpulo as Pale Ale, aumentando o seu tempo de conservação e, conseqüentemente, seu amargor (proveniente do lúpulo).

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