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Posts Tagged ‘João Dutra’

Por João Dutra

WhatsappNos últimos anos, novas tecnologias têm mudado de maneira evidente a forma como nos comunicamos.

Aqui no Canto, já discutimos como o Twitter pauta seus usuários a escreverem usando métricas e regras de etiqueta, comparáveis aos poetas clássicos, que adotavam diretrizes específicas em sua produção literária.

Também não é difícil constatar que o aumento do uso do Facebook parece ter aumentado proporcionalmente o uso de termos como “curtir”, “compartilhar” e “postar” em nosso dia-a-dia no mundo real.

Outro fenômeno, ao qual quero dar destaque hoje, é o das abreviações que foram inventadas, por assim dizer, na comunicação online. Em inglês, essas abreviações recebem o nome de “texting”, por conta da origem nas mensagens de texto, ou “text messages”.

Quem nunca usou o “pq” quando deveria usar “por que” ou “vc” ao invés de “você” ao conversar com um amigo na internet? Trata-se de um novo vocabulário global, criado e dominado pelos adolescentes, os principais adotantes dos meios digitais.

Vítima de muitas críticas, essa linguagem tem se intensificado com a popularização de aplicativos como o WhatsApp. Há quem diga que temos nos tornado preguiçosos economizando vogais ou mesmo perdendo o apreço pela escrita formal.

A despeito das acusações, o professor John McWhorter, Ph.D. em linguística pela Universidade de Stanford, faz uma defesa primorosa dessa nova forma de diálogo, em sua palestra intitulada espirituosamente de “Txtng is killing language. JK!!!”.

No discurso, John aponta que o novo vocabulário surgiu da necessidade de agilidade na comunicação escrita, disseminada inicialmente com as mensagens de texto via SMS. Sua massificação fez emergirem as críticas daqueles que o consideravam uma morte gradual da linguagem.

A partir daí, ele retoma diversos momentos históricos, em que o discurso falado considerado culto era aquele próximo dos discursos políticos feitos para grandes massas, repletos de termos pouco compreensíveis ao grande público, mas que atribuíam poder de persuasão e certo status superior aos que falavam.

Explica-se que, nos últimos anos, houve uma milagrosa inversão: ao invés de buscarmos falar como se escreve, passamos a escrever como se fala. As abreviações do texting têm aí seu valor: a busca pela comunicação eficaz. Num mundo que exige agilidade, os comunicadores se adaptaram e criaram uma nova linguagem.

Nesse sentido, os adolescentes, líderes na elaboração desse novo conteúdo não deveriam ser repreendidos, mas compreendidos. E, na minha opinião, exaltados, como autores de um mecanismo que facilita a comunicação.

Ainda que haja uma série de críticas necessárias a essa forma de escrita – e há realmente muitas, é preciso ressaltar –, isso não deixa de ser uma inovação. Como diz o próprio linguista, uma novidade que impressiona.

Então, da próxima vez que receber uma notificação com uma mensagem via WhatsApp perguntando “Td bem com vc?”, saiba que está vivenciando uma inovação sem precedentes. Um milagre da comunicação humana. Amém!

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Por João Dutra

jesusNo princípio, Deus criou o céu e a terra. De lá para cá, a gente também criou um monte de coisas: a roda, o chuveiro elétrico e o iPad. Mas, como li outro dia em um desses posts compartilhados no Facebook: “as melhores coisas do mundo não são coisas”. Muito do que criamos realiza muito bem os desejos do corpo – afinal, quem ousaria duvidar dos benefícios do banho quente no inverno? –, mas e os desejos da alma, para os quais a ciência e a tecnologia não têm respostas tão precisas?

É necessário buscar soluções em outras perspectivas a respeito da vida: a arte, a filosofia e a religião. Tentemos usar esses três elementos para contar a história de um homem que veio ao mundo para nos apresentar um caminho para fazer a vida valer a pena.

Amor democrático

Em “Pride (in the name of love)”, a banda irlandesa U2 nos apresenta a história do criador de uma forma inovadora de amar:

One man come in the name of love
One man come and go
One man come here to justify
One man to overthrow

Este é Cristo. Como a própria letra diz, é um homem que veio ao mundo para subverter.

O amor cristão é subversivo pois é uma reação intensa e declarada ao contexto em que se inseria no momento em que foi criado. Lembremos que o mundo greco-romano, a região civilizada, por assim dizer, da época de Cristo, era em essência aristocrático.

Os dois tipos de amor sobre os quais refletimos anteriormente aqui no Canto, o Eros platônico e o Philia aristotélico, não são nada democráticos. O desejo erótico é apenas pelo que nos falta, a beleza que nos falta, a força que nos falta, o talento que nos falta. A Philia de Aristóteles é por aqueles poucos e bons amigos e amigas que nos alegram por serem como são.

Na Bíblia, Cristo estimula os leitores a amar “o próximo”. Mas, que próximo? Quando perguntado, sua resposta veio em forma de parábola, aquela que talvez melhor represente o pensamento cristão: a do bom samaritano (“Lucas 10.25-37”).

Essa conhecida história é precedida por aquilo que Cristo relata ser o caminho para a salvação:

Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo.” (“Lucas 10.27”)

A palavra usada para descrever esse amor é Ágape, palavra latina de origem grega.

Amor “em” Deus

Ágape é um daqueles termos difíceis de serem traduzidos, por significar mais do que outros idiomas permitem. Há quem o traduza como “caridade”, mas certamente representa mais do que a esmola dada a um desconhecido no semáforo ou a uma ligação para o Criança Esperança.

Em Aprender a viver, o filósofo francês Luc Ferry faz uma tentativa de atribuir significado ao termo. O que Cristo nos ensina não seria a amar invariavelmente a qualquer um. A sabedoria está em amar a Deus sobre todas as coisas (incluindo a roda, o chuveiro elétrico e o iPad). Desse amor, baseado na fé – não na racionalidade, aqui o pensamento cristão se descola da filosofia – deriva o amor por todos os filhos do Criador. O próximo.

Então, Ágape seria sobre amar aos outros “em” Deus, sustentado na fé de que somos todos filhos do mesmo Pai.

Ali, nas parábolas de um homem simples e pobre, surgiu pela primeira vez a base sobre a qual se sustentaria toda a civilização dali em diante: a crença que, de alguma forma, todos somos iguais. Foi o berço das ideias de humanidade, igualdade, fraternidade, democracia.

Morte e ressureição

Não por acaso, tal subversão condenou seu idealizador à pior das penas da época, como faz referência a letra do U2:

One man caught on a barbed wire fence
One man here resist
One man washed up on an empty beach
One man betrayed with a kiss

Traído pelo beijo cruel de Judas, Cristo, depois de resistir às tentações terrenas e divinas, foi crucificado.

O professor Sir. Ken Robinson, nomeado cavaleiro pela corte britânica graças a seu trabalho em defesa da Educação, aponta no livro The element que um verdadeiro criativo deve estar preparado para resistir contra todos os que o forçarem a manter o status quo, que se incomodam com suas ideias originais. Cristo não hesitou em defender sua ideia, até as últimas consequências. Um criador. Um criativo.

Em sua canção, o U2 exalta um dos seguidores de Ágape, outro revolucionário, que morreu em nome do amor:

Early morning, april four
Shot rings out in the Memphis sky
Free at last, they took your life
They could not take your pride

Este é Martin Luther King, pastor protestante, que morreu na defesa dos direitos civis dos negros nos EUA. A manhã de 4 de abril certamente foi um momento de muita tristeza para os que acreditam que todos devemos ser tratados igualmente perante a lei.

A despeito de todos os milagres de Cristo relatados na Bíblia, imagino que o maior de todos tenha sido a capacidade de fazer com que o amor da forma em que acreditava ressurgisse em pessoas como Martin Luther King, Mandela, Madre Teresa e todos aqueles que no dia-a-dia praticam Ágape. Vida eterna para o amor.

Como diria o U2 em “Walk on”, em outra canção bastante inspiradora, amar não é nada fácil, mas no final das contas, parece ser a única coisa que vale a pena levar conosco.

Seja movido pelo Eros de Platão, por Philia de Aristóteles ou pelo Ágape de Cristo, amar é uma busca pessoal por uma fonte rica de significado. Uma criação mais valiosa que a roda, o chuveiro elétrico e o iPad. Uma maneira inspiradora de compartilhar o fato de que as melhores coisas da vida não são coisas.

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Por João Dutra

Avicii-Hey-Brother-single-coverSegundo dados do Facebook, cada brasileiro tem, em média, 208 amigos na rede social. Há um filósofo grego, precursor do conceito de amizade, que ficaria surpreso em saber disso. Esse cara é Aristóteles.

Aristóteles viveu por volta de 300 a.c. e foi aluno de Platão, pensador mais influente da história. Também foi tutor de Alexandre, o Grande, maior conquistador do mundo antigo.

Em sua obra mais famosa, Ética a Nicômaco, busca nos ensinar o que uma vida deveria ter para ser boa. Dois dos dez capítulos desse livro são dedicados ao amor, um tipo bem específico de amor.

No meu último texto aqui no blog, refletimos sobre o amor segundo a perspectiva do seu mestre, Platão. Para este, amor é Eros, Eros é desejo e desejo é energia para buscar o que nos falta. Simples assim.

Para Aristóteles, amar não tem nada a ver com a falta. Pelo contrário, a presença é condição de sua existência. Assim, surge o conceito de amor movido pela alegria, ao qual o filósofo atribuiu o nome de Philia.

Philia: amar o que se tem

Nas palavras do autor, Philia é “querer para alguém o que se pensa de bom, por sua causa e não pelas nossas próprias, e assim estar inclinado, tanto tempo quanto quiser fazer tais coisas por ele”.

Hoje, chamaríamos essa relação de amizade. Não sei para você, mas para mim essas palavras são música para os ouvidos. Quem conta e canta muito bem essa história é o Avicii, na letra inspiradora de “Hey Brother”

Irmãos que declaram a força de seu laço, a despeito de qualquer tipo de adversidade imposta pelo mundo.

Oh, if the sky comes falling down, for you

there’s nothing in this world I wouldn’t do.

Em oposição a Eros, intenso e fugaz, Philia é paciente e resistente. A pessoa em si, aquela que amamos, é razão da alegria. Por isso, vale a dedicação. Ainda que o céu caia, a relação permanece de pé.

Aristóteles aponta elementos necessários ao que acredita ser o amor verdadeiro, virtuoso, os quais Avicii tratou de transformar em versos na canção.

What if I fall from home?

Oh brother I will hear you call.

What if I lose it all?

Oh sister I will help you out!

Se há um gene que não pode faltar no DNA de Philia é o da reciprocidade. O amor, neste caso, se faz quando o sentimento é recíproco. Você me alegra, eu te alegro.

Necessário aqui esclarecer melhor, para evitar mal-entendidos: Aristóteles é didático ao explicar que esse laço não pode se dar com base em interesses. A linha pode parecer tênue entre Philia e uma relação qualquer, mas não é.

Philia não depende da utilidade do outro, ou da medida em que o outro me causa prazer. Philia é a admiração pela natureza alheia. Nas palavras de Cláudio Montoto, em Amor: Eterna Metáfora, o amado é um “outro si mesmo”. Amo alguém pelo que é. Isso me basta. E me alegra. Ponto final.

Sentimento que cresce com o tempo

Além da reciprocidade, Aristóteles condiciona seu amor ao tempo. Novamente em oposição a Eros, cujo desejo se consome a cada segundo, Philia cresce e só se realiza plenamente depois de maduro, por assim dizer.

Hey brother, there’s an endless road to rediscover

Essa redescoberta de uma estrada sem fim conduz amante e amado a uma jornada de crescimento mútuo, a uma convivência de aprofundamento no outro. O destino é vida boa, vida alegre, aquela que vale a pena, ao que o filósofo chama de eudaimonia, a palavra grega para felicidade.

Aristóteles provavelmente duvidaria de quem afirmasse que tem 208 amigos no Facebook. Diria que esses 208 não o representam, ou ao menos não representam sua crença sobre o amor. Philia é para poucos. Poucos e bons.

Amar um outro desconhecido, por vezes tão diferente de nós, era uma ideia inconcebível na Grécia Antiga. Essa subversão, esse conceito de amor pelo próximo, qualquer próximo, de qualquer cor, credo ou classe social, surge mais tarde.

O defensor dessa ideia é, para mim, o maior revolucionário da história do pensamento. Um autêntico transgressor das leis da época, que não se submeteu a tradições, enfrentou um império e por isso mesmo, sofreu a pior das condenações.

Vamos refletir sobre essa inovadora forma de amar, ao som do pop rock do U2, no próximo post do blog, o último dessa trilogia sobre o tema.

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Por João Dutra

david_guetta_one_more_lovePoucas experiências são tão bacanas quanto sentar à mesa, na companhia de amigos, para uma boa refeição. Além da comida, parte do prazer vem da conversa, da troca de experiências e ideias.

 

Isso vale para hoje, como valia em 380 a.C. Enorme salto temporal! Estamos em Atenas, democracia Grega. Na segunda esquina à esquerda, depois da Ágora, mora o poeta Agatão, que, nesta noite, convida alguns de seus colegas para um jantar, cujo prato principal é… o Amor. “Diálogos sobre o Amor”. Esse é o cenário de um dos livros essenciais da filosofia: O Banquete, de Platão.

 

Nesses diálogos, várias são as explicações sobre o que é Eros, conceito grego que descreve esse sentimento que nos move. Por exemplo, aquela ideia (que você já deve ter ouvido) das metades da laranja, de que as pessoas que se amam, se completam, nasceu aqui. O autor dessa peça é o dramaturgo Aristófanes, um dos convidados.

 

Mas falemos de Aristófanes e suas laranjas em outra oportunidade. Aqui, o que nos importa é o amor definido por Sócrates, aquele filósofo que só sabe que nada sabe, que te incita a conhecer-te a ti mesmo. Para ele, é muito simples:

 

Eros é o desejo pelo que não se tem, “carência em busca de plenitude”.

 

Platão curte, comenta e compartilha essa ideia. É a sua preferida.

 

Quando nos referimos, até hoje, ao amor platônico, em certa medida estamos admitindo se tratar de um sentimento que se realiza na falta, não na presença. Algo que se projeta no mundo das ideias, mais do que se vive no mundo real. Intenso, uma força que assume o controle de nós. A pessoa amada se torna a razão do viver, gerando demanda para todo tipo de propaganda nos postes da cidade.

 

Agora, voltemos a 2014. Novo salto! Brasil, ano de Copa. Naquela balada, que fica ali na travessa da Rua Augusta, toca David Guetta. DJ internacional, famoso por parcerias surpreendentes com cantores de diversos estilos. Algo me diz que ele também curte, comenta e compartilha as ideias de Sócrates.

 

Tomemos de exemplo a parceria com a talentosa (e bela) Kelly Rowland, que você pode ver e ouvir aqui:

 

Na canção, há versos que não deixam margem para dúvida, descrevem o poder que Eros exerce sobre nós:

 

Head under water, now I can’t breath

It never felt so good

When love takes over (yeah-ah-eah)

You know you can’t deny

Esse prazer, que nos invade, nos impede de respirar… essa é a falta, avassaladora, que toma nossos pensamentos. Mergulhados no Eros socrático-platônico, estamos à mercê da maré do amor.

 

Mas nosso DJ não para por aí. Uma outra parceria, desta vez com os rappers Chris Brown e Lil Wayne, é descaradamente clara: David Guetta – I Can Only Imagine (feat Chris Brown and Lil Wayne)

 

Aqui, podemos parar no título da canção. É literal. O Eros em questão só se realiza na imaginação. No mundo das ideias, tão valorizado por Platão, em detrimento ao pobre e limitado mundo do corpo.

 

Não fossem os 2.300 anos de distância, acredito que David Guetta e Platão fariam uma bela parceria, reforçando, quase que didaticamente, o conceito de Eros proposto por Sócrates. O mesmo ritmo, a mesma melodia, o mesmo som. Eros, o amor-desejo, que se realiza na falta e desaparece na presença.

 

Alguém, porém, levanta a mão e diz que esse conceito de amor pode ser um tanto triste, desanimador. incapaz de descrever a complexidade do sentimento. Afinal, quando acaba a falta, acaba o desejo, acaba o amor.

 

Pois então, não é que o DJ também fez coro pra que o Usher se declarasse perdido sem seu amor? – David Guetta – Without You (feat Usher).

 

O amor de Usher se faz na presença, representa um sentimento diferente, menos intenso, mais perene. Aí, já saímos da casa de Agatão e das ideias de Platão. Agora estamos junto a um outro grande pensador, Aristóteles e o amor Philia, autor de Ética a Nicômaco. Mas essa já é a introdução da próxima música. Será o tema do meu próximo post.

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Por João Dutra

reproduçãoEm entrevista sobre o lançamento de seu novo livro, o escritor Bernardo Carvalho fez críticas ao uso banal da internet.

“[…] E há o narcisismo, a exposição no Facebook, que pega um ponto central. É perverso, a conquista vai em pontos frágeis da psique, você se sente uma celebridade. Do ponto de vista político, você acha que está usando, mas está sendo usado. O livro expressa esse desconforto.”

O tema da comunicação digital faz parte da narrativa de sua nova obra, Reprodução. O personagem central da história é um rapaz chinês que tem como característica marcante a rotina de comentários ofensivos, preconceituosos e anônimos em blogs da internet, além de uma sabedoria predominantemente gerada por artigos da Wikipédia.

Em sua crítica, o autor cita também o comportamento narcísico dos usuários de redes sociais. De fato, a vida editada, na qual só o lado positivo é exposto ao público tem sido motivo de debates e reflexões sob diversas óticas.

A despeito da mediação tecnológica, a questão da supressão de aspectos negativos da vida cotidiana não é novidade. Fernando Pessoa dá voz a Álvaro de Campos, que, em “Poema em Linha Reta”, de forma irônica critica a sociedade que exalta apenas as virtudes de seus membros e causa angústia a ele próprio, simples mortal, na infinidade de seus defeitos e limitações:

“Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda; […]”

A angústia apontada pelo poeta se ajuda a explicar um elemento sobressalente da cultura da comunicação digital e, citada por Bernardo Carvalho: a limitação da compreensão da vida sob o ponto de vista do que é compartilhado na internet.

Nesse sentido, é essencial a reflexão sobre o papel da literatura como provedora clássica de críticas que ajudam a dar sentido à nossa existência. Tanto a obra do poeta português, quanto do escritor contemporâneo, atendem ao chamado de compreensão do cenário sócio-político da época em que vivem.

Como aponta o escritor Ricardo Azevedo, ganhador de cinco prêmios Jabuti, a literatura assume, como propósito, a responsabilidade por preencher a falta primordial de sentido do indivíduo. Em mesa da Flip de 2013, ele comenta:

“A literatura e a ficção são alguns dos inventos que o homem fez para tentar preencher as lacunas, as perguntas, as angústias, os vazios.”

Enquanto surgem novas formas de tecnologia e mediação da comunicação, potencializando aspectos perenes da condição humana, é essencial retomar a literatura como porto seguro para as angústias que vivemos em nossas jornadas pessoais.

Cada autor coloca em sua obra um pouco de si e da época em que vive. Em um momento da história em que o mercado parece ser o guia maior dos comportamentos das pessoas, inclusive na literatura, é nos livros clássicos e nas críticas à contemporaneidade que continuamos mantendo nossa postura crítica, por meio de autores capazes de questionar o senso-comum, nos fazendo refletir sobre nossa condição.

Isso, porém, não significa que devamos rejeitar as novidades advindas da evolução na comunicação. Blogs e redes sociais foram protagonistas de protestos e movimentos políticos recentes, no Brasil e no mundo. Ambos fazem parte do dia-a-dia de boa parte das pessoas, sobretudo nas grandes metrópoles.

O que é necessário é justamente avaliar com parcimônia o conteúdo e discernir aquilo que deve ou não ser aproveitado. Fernando Pessoa e Bernardo Carvalho nos alertam para a tendência da sociedade em editar a realidade à sua regalia e o quanto isso pode tornar banal a comunicação.

Neste ponto, é necessário o equilíbrio para se utilizar das ferramentas que indubitavelmente podem potencializar nosso conhecimento e nossa experiência cultural. Como alerta à falta de autenticidade da informação na internet, vale lembrar a frase atribuída ao general romano Pompeu, na obra de Plutarco (106-48 AC) e eternizada por Fernando Pessoa: “Navegar é preciso, viver não é preciso”. Com essa expressão, o general chamava a atenção para o fato de que havia precisão no ato de navegar, visto que era guiada por matemática e outras ciências exatas. Na vida, isso não era possível.

À luz do que nos ensina o guerreiro dos tempos de Império, considerando a importância da internet como ferramenta que potencializa nosso poder de comunicação, mas nos expõe, com frequência, a conteúdo sem muito valor, sobretudo nas redes sociais, há de se crer que, na internet, navegar é preciso, Facebook não é preciso.

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Por João Dutra

RousseauGeralmente desconfio de livros que prometem a realização de desejos em alguns passos. As prateleiras das livrarias estão cheias deles! 5 passos para o sucesso profissional, 7 passos para se tornar um milionário, 12 passos para um bom casamento. Se fosse tão simples, acredito que cada uma dessas conquistas, o sucesso profissional, o dinheiro e o casamento, perderiam um pouco de sentido.

Justamente por acreditar que as coisas nem sempre são tão simples quanto aparentam, fiquei surpreso e entusiasmado com a proposta do psicanalista Adam Philips e da historiadora Barbara Taylor, ambos ingleses, ao escreverem o livro On Kindness (sem versão brasileira), cujo objetivo é desvendar, durante toda a história, os mistérios da gentileza.

A princípio, não parece haver mistério nenhum. Pelo contrário, poucas situações são tão óbvias quanto um ato gentil. Dar um bom-dia, fazer um elogio, segurar a porta do elevador, daria pra escrever um livro só com exemplos de gentileza. Entretanto, a pergunta que guia o texto da obra nos provoca desde o início: se é tão óbvia, por que há tanta gente que a evita no seu dia-a-dia?

Entender a ambivalência humana esclarece parte da questão. Ao mesmo tempo em que as pessoas demonstram afeto e cordialidade naturais, também carregam uma boa dose de agressividade e receio. Ao mesmo tempo, todo gesto gentil é, em essência, um reflexo da nossa capacidade de perceber o sentimento alheio. Justamente por isso, a gentileza costuma estar regada por uma sensação de vulnerabilidade. Ser gentil é compreender o outro e mostrar-se a ele, expondo o que nos faz fortes e o que nos faz fracos.

Isso contribuiu para que a gentileza assumisse diferentes nuances em diferentes épocas. O conceito está no cerne do Cristianismo, representado pela parábola do bom Samaritano. Houve o tempo em que, por conta da associação à fragilidade e delicadeza, era concebida como uma característica intrinsecamente feminina. A própria origem do termo gentileza, referida na filosofia grega pelo termo “caritas”, teve seu sentido original – relacionado a compaixão e alegria do bem estar alheio – alterado com o passar dos séculos e, hoje, sua herança é a palavra “caridade”, sinônimo de filantropia.

Da época de Platão até os dias de hoje muita coisa mudou. O Cristianismo se reformou, características femininas emergem como aspectos dominantes no mundo e a evolução das comunicações vem potencializando uma série de fenômenos das relações humanas. A gentileza, obviamente, persiste e assume novas facetas.

Em On Kindness, os autores apontam o filósofo francês Jean-Jacques Rousseau, ícone iluminista do século XVIII, como o maior influenciador do ideal gentil como conhecemos atualmente. Ironicamente, o pensador era conhecido por ser solitário e introspectivo. Isso não o impediu de explorar e compartilhar conosco um profundo conhecimento a respeito do tema. Isso nos remete ao universo das redes sociais na internet, território fértil para entender as novas dinâmicas da interação interpessoal, mas de maneira contraditória, o berço da discussão contemporânea sobre o prejuízo dos relacionamentos pessoais presenciais, por assim dizer, em detrimento ao mundo virtual.

Contradição parece ser mesmo uma palavra-chave para descrever o ser humano. Justamente por isso, é necessário refletir sob diversos pontos de vista e tornar complexo algo que pode parecer simples: o sucesso, o dinheiro, o casamento e a gentileza. A reflexão ajuda a dar sentido a tudo isso. Rousseau tinha muito a dizer sobre ser gentil, mas parecia não ter a capacidade de expressar isso pessoalmente. Talvez se vivesse na atualidade, encontraria seu modo de conexão recorrendo aos recursos disponíveis, para explorar essa complexidade.

Provavelmente Rousseau, a despeito da introversão, se em nossa época estivesse, com seu smartphone e acesso à internet, teria milhares de amigos no Faceboook, compartilharia posts que simbolizassem suas crenças e pensamentos íntimos e frequentemente curtiria o meu e o seu status, se amigos lhe fossemos, como forma de demonstrar gentileza. Estranho, complexo e humano.

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Panorama do setor, cobertura do mercado livreiro e o que Cinquenta tons de cinza pode nos ensinar sobre incentivo à leitura

Por Igor Antunes Penteado

A Bienal Internacional do Livro de São Paulo encerrou sua 22ª edição no último domingo, 19 de agosto, no Pavilhão de Exposições do Anhembi. Segundo dados da organização, nos 34 mil metros de exposição, o evento terminou com um saldo de mais de 750 mil visitantes – 123 mil apenas no último sábado (18/08), um recorde histórico.  De acordo com o que afirmou a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), Karine Pansa, essa edição pode ser considerada “o maior encontro literário da América Latina” e evidencia que a “leitura continua crescendo no interesse da população”.

Outros dados da CBL apontam que a Bienal conseguiu trazer a São Paulo cerca de 1.180 autores – 18 deles internacionais -, contou com aproximadamente 1.829 lançamentos de livros, recebeu a visita de 120 mil alunos das escolas públicas e particulares, vindos da capital e interior do Estado de São Paulo, e obteve presença destacada nas redes sociais, com 84,7 mil “curtidores” no Facebook (que geraram 12 mil compartilhamentos) e 17,3 mil seguidores no Twitter (com dois mil retweets até o sábado 18/08).

Nesta 22ª edição, o tema central foi “Livros transformam o mundo, livros transformam pessoas”, mas será mesmo que esses números revelam o cenário brasileiro ou tratam-se apenas de um recorte positivo e inverossímil da nossa realidade?

Panorama

De cara, recentemente, tivemos a publicação de diversos dados sobre a preocupante situação brasileira em termos de leitura, notícias como: no ensino superior 38% dos alunos não sabem ler e escrever plenamente, brasileiro vai cada vez menos às bibliotecas, Brasil enfrenta o desafio de formar novos leitores  e cerca de 75% dos brasileiros jamais pisaram em uma biblioteca. Há também a cada vez mais nítida e acentuada segmentação do setor, com dados como os de que cresce o número de títulos e caem tiragens de livros no Brasil.

Nesta realidade, durante a Bienal, foi lançada a obra Retratos da Leitura no Brasil, livro homônimo à pesquisa apresentada em março e que compila seus principais dados. Coordenada pela socióloga Zoara Failla, a iniciativa traz artigos de pesquisadores, escritores e de profissionais do governo, de entidades do livro e de organizações do terceiro setor acerca dos mais variados temas abordados no levantamento que ouviu, em 2011, 5.012 pessoas de 5 anos ou mais, moradoras de 315 municípios. Traz ainda os números da pesquisa e gráficos comparativos, apresentando um mapa do comportamento leitor brasileiro – o que lê, quando e onde lê, por que lê.

Entretanto, o principal dado que a pesquisa mostra é nossa sensível deficiência no estímulo à leitura. Não só no sentido de ensinar as crianças a juntar letras e formar palavras e frases, mas incentivá-las e transformá-las em leitores críticos, que terão prazer em ler um livro de literatura e que continuarão buscando novas leituras quando saírem da escola e não forem mais obrigadas a ler. Melhor retrato disso é que o índice de leitura do brasileiro é de quatro livros por ano segundo a pesquisa, mas, quando excluímos as obras indicadas pela escola, ou seja, quando consideramos apenas a leitura espontânea, chega-se ao risível índice de pouco mais de um livro por ano.

É, o cenário não parece positivo, apesar do incentivo que o governo federal tem mostrado quanto ao assunto, como o Plano Nacional do Livro e da Leitura – PNLL, instância interministerial do Ministério da Cultura e do Ministério da Educação, para o qual a ministra da Cultura, Ana de Hollanda, anunciou em abril investimentos de R$ 373 milhões em ações situadas em quatro eixos estratégicos: democratização do acesso, fomento à leitura e à formação de mediadores, valorização institucional da leitura e fomento às cadeias criativa e produtiva.

Outro cenário que parece positivo é mostrado pela pesquisa da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) sobre o mercado editorial do Brasil, que apontou que os brasileiros compraram cerca de 469,5 milhões de livros em 2011. Contudo, em debate virtual entre os autores deste Canto dos Livros, surgem ainda mais questionamentos sobre os números. Um exemplo é que boa parte dessas vendas é feita para o governo. “Isso significa que, teoricamente, os livros estão chegando a escolas e bibliotecas, mas não necessariamente na mão dos leitores”, argumentou Rodrigo Casarin.

Já João Dutra foi ainda mais fundo na questão, e a analisou sob o ponto de vista econômico. “Lembro que vi manchetes em cadernos de Economia dizendo que a Classe C agora compra carro importado, faz cruzeiro, consome luxo… e como isso impactou no crescimento desses mercados. Mas não me lembro de ter visto nada sobre a Classe C comprar mais livros. Imagino que esse [pequeno] aumento na compra de livros provavelmente deva ter vindo de quem já comprava antes”, salientou.

Dentro disso, é imprescindível acabarmos com o conceito de que o brasileiro não lê por problemas econômicos – com a falácia de que o livro é caro, desconstruída brilhantemente aqui – e analisarmos a própria indústria do livro, o que ela tem oferecido, como divulga seus produtos e como tem pautado sua produção meramente sob o ponto de vista mercadológico.

Mercado Editorial e suas nuances

Na sexta-feira (17/08), a Bienal realizou o encontro “A Cobertura do Mercado Editorial Pela Imprensa”, com as participações de Antoune Nakkhle, jornalista e diretor de comunicação da assessoria de comunicaçãoespecializada em livros e cultura Parceria 6, Luiz Costa Pereira, jornalista, doutor em filosofia e educação pela USP, criador e editor da revista Língua Portuguesa (Editora Segmento), e de Rinaldo Gama , também jornalista e editor do caderno Sabático – Um tempo para a leitura, do jornal O Estado de S. Paulo.

Durante a conversa, sob mediação de Guilherme Loureiro, os três discutiram o quanto a imprensa influencia – ou deveria influenciar – positivamente no hábito de leitura da população. Até porque, intrinsecamente, Literatura e Jornalismo têm a mesma origem, como lembrou Rinaldo. “Literatura é um conceito recente. Ambos são e derivam da arte da escrita. No final do século XIX e início do século XX, era o jornal que publicava literatura e ajudava a popularizá-la. Claro, popularizava dentro do contexto histórico de analfabetismo da época”.

O editor do Sabático também lembrou que a nossa realidade ainda é calcada no fato de que só a obrigatoriedade é capaz de estimular os alunos a lerem. “Nossa sociedade é acostumada com a leitura compulsória, quando as pessoas são obrigadas a ler. Pesquisas mostram que alunos da universidade leem mais no primeiro ano do que no último, o que é no mínimo estranho”, afirmou Rinaldo. Já Luiz Costa Pereira lembrou outra de nossas deficiências. “Hoje o Brasil tem muito mais editora do que livraria. Só pra ter um exemplo, o estado do Acre inteiro tem apenas uma livraria” disse ele.

Outro aspecto bastante discutido durante o encontro foi o papel da imprensa especializada no incentivo à leitura. Todos os participantes foram unânimes em concordar que a imprensa é importante – e não desaparecerá tão cedo –, já que as pessoas desenvolveram o hábito de precisar de alguém que diga o que consumir, já que hoje a literatura é vista também, e principalmente, como uma forma de entretenimento. “A imprensa de hoje é uma espécie de curadoria, que diz o que é legal ou não. Só que o problema é que tem tanto lançamento que não tem como dar tudo. Aí, claro, existem as apostas óbvias, como um lançamento de um escritor consagrado, e fica difícil achar bons autores novos”, confidencia Luiz.

Ele também destacou que a vastidão de conteúdo que pode ser encontrado na internet ajuda a fazer com que o trabalho de quem cobre o setor de livros seja mais aprofundado. “Se eu for falar de um livro do Machado de Assis, eu não posso ficar falando da vida e da obra dele, porque isso já tem na internet. Mais e melhor. Eu tenho que fazer uma crítica que envolva muitos outros aspectos”.  Entretanto, no Brasil, o relacionamento entre editores e jornalistas ainda encontra dificuldades, como parece ser a tônica de todo o setor.

Relação mercado editorial X imprensa

“’Se meu livro é bom, por que eu vou anunciar? Vão dar de qualquer jeito nos suplementos dedicados à literatura mesmo’. Esse é o pensamento do editor”, diz Rinaldo Gama. Segundo ele, as editoras até hoje não têm a tradição de serem anunciantes como outros seguimentos da cultura cultivaram e, assim, a divulgação de lançamentos fica quase exclusivamente por conta das resenhas e críticas. Quem fez coro nesse sentido foi o assessor Antoune Nakkhle, que disse encontrar severas dificuldades de abertura do mercado editorial ao relacionamento com os jornalistas.

Segundo ele, 99% dos editores não entendem que é necessário oferecer um PDF, mesmo que ainda sem os ajustes finais, 30 dias antes do lançamento de um livro para o jornalista trabalhar em cima do material. “Eu trabalho com o outro 1%”, brincou Antoune. Ele também destacou que os editores querem garantias de que, estabelecendo uma relação com a imprensa, seus livros serão com certeza divulgados, o que nem sempre é possível. “O cara quer que eu dê garantias de o que o livro dele vai sair no jornal, e isso eu não tenho como fazer. O que eu sinto é que o editor tem uma expectativa diametralmente oposta a dos jornalistas que cobrem livros. A mentalidade tem que ser de que se deve dar o livro porque ele é bom e você acredita nele, não só pra vender”, postulou.

Mas o assunto mais discutido entre todos – e também certamente o mais polêmico – foi a questão da qualidade do que tem sido publicado.  Essa discussão girou dentro do tema de um excelente questionamento feito pelo Rodrigo (colega e idealizador aqui do Canto) há uns meses atrás, sobre se as livrarias andam sendo frequentadas por mais leitores ou por simples consumidores de livros, e que também deu ideia para este post. Para Rinaldo Gama, essa conversa deve começar, necessariamente, com uma ressalva. “É importante lembrar que nem tudo o que se publica em livro é literatura, como nem tudo que se publica em jornal é jornalismo. Muitas vezes trata-se de outro tipo de expressão que usa o mesmo ferramental”, definiu.

Seguindo na mesma linha, Luiz Costa Pereira concordou com Rinaldo, mas ampliou um pouco mais a discussão, ressaltando que um best seller, ainda que de qualidade duvidosa, merece sim atenção, o cuidado que deve ser tomado é com o tamanho da importância que se dá ao fato. “Um livro vender muito, quantidades fora dos padrões, é um fato cultural que eu, como jornalista, não posso dar as costas. A questão é a relevância que você dá a ele”, explicou. Para exemplificar ainda melhor, Luiz lembrou um fato que, segundo ele mesmo, até hoje não sai da sua cabeça. “Nunca me esqueço do dia em que o Jornal Nacional exibiu uma reportagem de dez minutos sobre o nascimento da filha da Xuxa e, no mesmo dia, apenas dois minutos sobre a privatização da telefonia no Brasil”. Segundo ele, é essa a dosagem que o jornalista tem de ter.

Sem discordar completamente dos companheiros de debate, Antoune, entretanto, defendeu a importância de todo tipo de livro ser, sim, discutido e divulgado na imprensa. “Quem sustenta uma editora é quem compra o livro que não é literatura, principalmente autoajuda e livros técnicos. Isso é fato”, provocou. E, mesmo afirmando que sua empresa cresce devagar porque “não trabalha com lixo”, disse que atende também a todos estes segmentos.

Aqui chegamos a uma outra discussão, que já foi proposta por aqui antes, mas que creio estar longe de ser esgotada. Qualquer tipo de leitura vale para incentivar este hábito nas pessoas? Leitores que são formados através de livros que nada tem a acrescentar podem migrar pra leituras mais complexas? Devemos continuar a criticar livros de qualidade duvidosa mesmo sabendo de sua extrema importância para a saúde financeira das editoras, inclusive para a viabilidade de toda a sua produção?  Fato é que a Bienal do Livro 2012, pra mim, parece ter encerrado deixando mais perguntas do que respostas. Mas quem disse que isso é ruim, não?

*Nota do Autor. O livro Cinquenta tons de cinza foi usado no subtítulo do texto simplesmente como exemplo recente de um best seller que sofreu duramente nas mãos da crítica especializada. Entretanto, este exemplo poderia conter outros tantos nomes. Vale lembrar que essa iniciativa não significa um pré-julgamento meu (que não li o estrondoso sucesso da inglesa E.L. James) e tampouco dos outros autores deste Canto dos Livros.

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