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Posts Tagged ‘Joseph CAMPBELL’

Por Alberto Nannini

o-pacto_joe-hillQuando as pessoas que você ama lhe viram as costas, e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim”. Esta é a chamada de capa do livro O pacto, de Joe Hill. Fisgou minha atenção numa livraria, e me levou a ler a sinopse e as orelhas, achando-o instigante, até finalmente comprá-lo.

Depois de já começada a leitura, meu amigo César me informou que Joe Hill é filho de Stephen King, para meu espanto. Embora não seja uma regra absoluta (vide Antonio Prata e Mário Prata, Érico Veríssimo e Luis Fernando Veríssimo, dentre outros), não utilizar o sobrenome famoso, quando se tenta o mesmo ofício que o pai bem sucedido, é um bom sinal e soa corajoso.

Uma história de chifres

O livro fala sobre um rapaz, Ignatius Perrish, o Ig, que vive um pesadelo dantesco: o amor de sua vida, Merrin, foi estuprada e assassinada, e todos acham que ele é o culpado, já que eles tinham rompido o namoro e brigado feio na noite do crime. Inocentado mais pela influência da família do que por provas, um belo dia ele acorda com chifres (que é o título original da obra – Horns). As pessoas veem os chifres, mas quase não se assustam, logo se esquecem de tê-los visto, e começam a contar a Ig seus desejos e pecados mais secretos.

Ig está se tornando o (ou um) diabo, e quer descobrir quem matou Merrin e por que, e se vingar. Parece que será uma tarefa fácil. Mas, a princípio, os chifres e seu poder de fazer as pessoas confessarem se mostram mais como um incômodo constrangedor do que uma vantagem, já que Ig descobre segredos inconfessáveis de seus parentes, amigos e até desconhecidos, e também o que eles pensam dele de verdade. Mas fica muito pior: em matéria de maldade, perto de muitos humanos, diabos são reles amadores, e a jornada do novo chifrudo será, literalmente, um inferno.

Impressões sobre o livro

A construção de personagens é talvez o ponto alto da trama. Ig, Merrin e Lee Torneau, o melhor amigo de Ig (antes do crime), são muito bem delineados, e parecem saltar das páginas para o mundo. Ficaram bem reais. Outros personagens, como Gleena, namorada de Ig após o crime, e Terry, seu irmão, também mostram, em sua caracterização e ações, perfis psicológicos consistentes. Isto é fundamental para que tramas que tenham um pé no sobrenatural fluam de maneira satisfatória. Ponto para o autor.

A divisão dos capítulos, que procura alternar o ponto de vista entre os três protagonistas, funciona muito bem. Suas motivações e o tipo de elo que os une, além das impressões que tem uns dos outros, engrenam perfeitamente.

Outro ótimo mérito é a premissa do homem se tornar o diabo. Bastante criativa, abre o leque para uma série de interpretações e considerações, que serão retomadas mais à frente.

O estilo de escrita é condizente. Há palavrões quando cabem, e não há abuso de adjetivos. A tradução parece não comprometer, embora tenha encontrado pelo menos um erro grave nela (tudo indica que foi traduzido terrific como terrível). Mas as pouco mais de 300 páginas passam bem rápido, e o livro prende, na expectativa do desfecho que explique as ações dos personagens e que mostre a trajetória do novo diabo.

Como pontos negativos, não me convenceu bem o fato de todos acharem que Ig era o culpado pelo crime de estupro e morte da namorada e grande amor de sua vida. As narrativas de sua história, que incluem episódios da infância e adolescência com Lee e Terry, e também do momento em que conheceu Merrin e sua paixão instantânea por ela, nunca demonstraram que ele seria capaz de um ato como este – já que foram namorados por seis anos até o crime, e tinham rompido naquela noite, numa briga triste mas nada fora do comum, como bem sabe qualquer um que já tenha terminado algum relacionamento.

Além disso, com todo o aparato tecnológico que existe para se apurar crimes – especialmente os de grande apelo popular, de caráter sexual e que envolva famosos ou seus parentes, como no caso – dificilmente não seria desvendado.

O surgimento dos chifres poderia ter sido melhor amarrado. Talvez eu não tenha entendido direito a origem deles (tenho algumas hipóteses que não posso revelar, porque seriam spoilers), mas o fato é que eles surgem sem explicação, cerca de um ano após o crime; Ig está vivo, conversa e convive com todos que o toleram, embora esteja reduzido à condição de pária e beberrão.

Lá pelo fim, há uma explicação da atitude de Merrin, sobre o fim do namoro; achei desnecessária. Tenta amarrar bem esta ponta, e erra a medida. Muitas outras pontas terminam soltas, como o destino final de Ig.

De qualquer forma, é um livro notável, no meu entender, tanto pelos méritos e até pelos deméritos artísticos, como pela discussão que traz à baila: a personificação do mal.

O diabo e outros males

Na minha última resenha/artigo, que falava sobre o genocídio em Ruanda, perguntei se você, leitor, acredita que o Mal seja personificado. Uma tirinha de Calvin e Haroldo (brilhante!) que ilustra o artigo lança um olhar interessante:

Calvin: Você acredita no demônio? Sabe, um ser supremo, maligno, dedicado à tentação, corrupção e destruição do homem?

Haroldo: Não sei se o homem precisa desta ajuda…

Discutindo um pouco a origem do mito, tudo remete às dicotomias, e à natureza dual do homem. Quase sempre precisamos do oposto para entender algum conceito: claro/escuro, longe/perto, bem/mal.

O Deus único é um conceito relativamente recente. Por isso, chegaram a nós bem documentadas as tradições de muitas civilizações mais antigas que cultuavam panteões de deuses, como o caso da grega, um dos pilares da civilização ocidental. E há outras que ainda são assim nos dias de hoje, como o hinduísmo e algumas religiões africanas.

Este Deus único e seus pressupostos de perfeição – Onipotência: tudo poder; Onisciência: tudo conhecer e ver e Onipresença: estar em todos os lugares – gera alguns paradoxos, como o problema da existência do mal. Tal aspecto é tão importante que, conforme já havia citado no mesmo artigo de Ruanda, o filósofo Leibniz sistematizou uma corrente de pensamentos que procura conciliar a existência dele com a existência do mal – a Teodiceia, e a cisma entre os teístas e os ateus (especialmente os modernos ateus militantes, como Richard Dawkins, Sam Harris e o falecido Christopher Hitchens) baseia-se principalmente nisto.

A solução mais comum e antiga sempre foi a personificação da maldade em um opositor – o diabo, com a origem de todos os males sendo a ele atribuída.

A face do Mal

O antagonismo ao deus único já figurava no zoroastrismo, religião monoteísta mais antiga que se tem registro. Nela, o opositor era Ahriman, ainda que não representasse propriamente uma entidade, mas sim uma manifestação de tudo o que é negativo.

Na tradição judaico-cristã, o diabo, originalmente, tinha outra atribuição, como o próprio nome dizia: acusador. Conforme se desenrolam as narrativas da Bíblia, vai mudando de função. Ele se torna a serpente, que dá o fruto da árvore do conhecimento do Bem e do Mal (só este nome é mais que significativo…) à Eva; em Jó, vira o adversário, que tem livre acesso a Deus, e O contesta, quando Ele aponta Jó como exemplo de homem íntegro. Segundo o diabo, Jó só era assim porque tinha todas as graças. Então, Deus autoriza que se tire tudo de Jó, poupando-lhe só a vida.

No novo testamento, Jesus se encontra com o diabo, que por três vezes lhe tenta a cair. Demônios são expulsos das pessoas, e depois, os apóstolos advertem para as pessoas se defenderem das artimanhas do tinhoso. No livro de apocalipse, se dá a batalha final do diabo contra as hostes angélicas, e o dia do juízo final, onde todas as pessoas, vivas e que já morreram, serão julgadas e terão que enfrentar seu derradeiro destino: subir aos céus, aonde reina Jesus, ou ser banida para o inferno, e lá sofrer por toda a eternidade.

Na cultura, o diabo é um personagem riquíssimo, e já figurou em literatura, peças, filmes e muitas outras manifestações artísticas – além deste livro.

O sermão de fogo

Aproveitá-lo em seu enredo, e reinventá-lo totalmente foi a sacada do autor em O pacto. Afinal, quem está ali é sempre Ignatius (trocadilho no nome do inglês igneous – ígneo: que é de fogo). Ele se torna um quase-diabo, mas é sempre ele por baixo dos chifres. Meio como Peter Parker se tornar o Homem Aranha.

Sem apologia ao ateísmo, Joe Hill ataca os estigmas usuais do diabo e de deus, com um jocoso “sermão de fogo”. Só isso já vale o livro. Cito apenas dois trechos dele para você apreciar ou contestar:

Há muito tempo Satanás é conhecido como o Adversário, mas Deus teme muito mais às mulheres do que ao diabo, e Ele está certo. Ela, com seu poder de trazer vidas ao mundo, é quem foi realmente feita à imagem e semelhança do criador, e não o homem.

O diabo sabe que só aqueles que têm coragem de arriscar a alma por amor merecem ter alma, mesmo que Deus não saiba.

quadrinhos carlos ruasSua interpretação diferente do papel do diabo não é nova, mas tem personalidade. Saramago, ateu declarado, reviu o papel do adversário em seu clássico O evangelho segundo Jesus Cristo (já indicado aqui no Canto dos Livros). Para ele, o diabo é muito mais próximo da humanidade do que Deus. Outro autor consagrado que inverteu o conceito da figura (Lúcifer, no caso) foi Neil Gaiman, em seu clássico Sandman (que muitos julgam ser a melhor história em quadrinhos já publicada). Seu Lúcifer é quase discreto, e está cansado de cuidar do inferno, o larga e vem viver entre os humanos.

A mitologia do anjo caído

Toda a história criada a respeito de um arcanjo que era o mais bonito, mas que caiu em desgraça pelo pecado do orgulho, é uma mitologia muito bonita e rica. Pensando bem, não difere, em sua estrutura, daquelas que ninguém leva ao pé da letra, como as de diversos exemplos da mitologia grega – como Hades ter se tornado senhor dos infernos, e que depois sequestrou Perséfone e deu origem às estações do ano.

Indo um pouco mais a fundo na do arcanjo caído – Lúcifer, que embora se confunda com satanás e com o diabo, não é o mesmo ente – o orgulho foi a causa de sua queda. Ora, veja se este orgulho que ele teve não é tal e qual o do filho primogênito, que tem a atenção roubada pela chegada do caçula. Não parece igual? O amor confundir-se com o ciúme é algo humano, demasiado humano. E que pai expulsaria seu primogênito, por ele dizer e acreditar ser melhor e mais bonito que o filho mais novo? (O caçula de Deus, segundo a tradição, é a humanidade). O que há de fora do comum nisso? Tudo bem que a mitologia de Lúcifer diz que ele queria usurpar o posto de Deus. Este é um pecado mais grave, mas danação eterna sempre me pareceu exagero, até para o diabo, que um dia amou a deus e foi amado por ele.

Mas quais pecados são além da redenção?

Difícil responder. De qualquer forma, é de se pensar: se Deus detesta os pecadores, e o diabo os pune, ambos não estariam do mesmo lado?

Bem, Deus tem critérios misteriosos. Algumas coisas este deus não aceita, e insurgência, como bem sabem Lúcifer, Adão e Eva, parece ser o pecado mais grave aos seus olhos – tal e qual qualquer ditador.

Personalização de deus

Na minha opinião, toda esta polêmica e os furos irremediáveis da mitologia cristã se dão pela personalização excessiva de deus. Algo perfeitamente compreensível, ao se ver os atributos que tinham as antigas deidades.

Para um povo nômade e continuamente expulso, como os judeus, ter um deus senhor dos exércitos fazia bastante sentido. Já hoje, sabendo o que há numa guerra, e pensando que todos são seus filhos, é, no mínimo, um contrassenso.

Deus ter “inimigos” entre os humanos é uma desproporção. Ele tomar partido de um povo e auxiliá-lo em guerras contra outros é ingênuo. Era exatamente o que eu desejava quando era pequeno e os caras grandes na escola me batiam – torcia para Deus se vingar deles por mim (o que, felizmente, parece nunca ter acontecido).

Ou seja, a visão de deus e do diabo de muitos – até mesmo a de religiões – é muito semelhante à visão de super-heróis e super-vilões que é tão comum hoje. Deus é o super-herói supremo, e o diabo, o arquivilão. Além de ser algo incrivelmente infantil, também é uma redução de sentido totalmente disparatada. Um ser onipotente teria mais o que fazer do que se preocupar com orações bem feitas, adorações e pecados.

Pretendo retomar esta discussão em outra resenha. Há muito para se considerar sobre isso.

Pobres diabos

Joe Hill parece promissor. Seus livros tem feito sucesso e ele angariou muitos fãs. Quanto ao O pacto, li resenhas apaixonadas sobre, pessoas que o consideraram o melhor que já leram. Acho que não é para tanto. É um bom livro, uma história bem construída e contada, ainda que tenha algumas falhas, na minha opinião, que, se sanadas, resultariam em uma obra mais coesa.

De qualquer forma, se o ler, preste atenção ao “Sermão de Fogo”, uma contraposição ao Sermão da Montanha, sem contudo desrespeitá-lo ou desacreditá-lo (o que não seria possível, de qualquer forma).

Talvez o diabo esteja com os dias contados. Disse o sociólogo francês Michel Maffesoli, em seu livro A parte do diabo: “a pessoa plural num mundo policultural tende a integrar o mal como um elemento entre outros”. Ou seja, o mal personificado vai perdendo sua função, e o diabo vira um personagem literário.

Sobre a maldade dele, me assustam mais os homens em qualquer guerra, ou munidos de alguma justificativa semelhante, ou simplesmente possuídos (?) pelo ódio e pela ignorância. Pobres diabos, estes (sub)humanos. Concordo com o que cantam os Racionais MC’s, em seu clássico “Diário de um detento”:

Já ouviu falar de Lucífer? / Que veio do Inferno com moral, um dia… / No Carandiru, não… ele é só mais um. / Comendo rango azedo, e com pneumonia…

E, por último, a respeito destas e de outras crenças, o magistral Joseph Campbell:

Mitologia é o nome que damos às religiões dos outros..

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eduardo-spohrHá uma clara divisão na literatura nacional. Enquanto a maior parte dos escritores se desdobra para que a venda de seus livros atinja o milhar, alguns raríssimos podem se gabar de centenas de milhares (ou até mais de um milhão) de exemplares vendidos. Muitos desses bestseller pertencem ao nicho da literatura fantástica, como é o caso do carioca Eduardo Spohr, autor de A batalha do Apocalipse, Filhos do Éden: herdeiros de Atlântida, Protocolo bluehand: Alienígenas ,Filhos do Éden: anjos da morte e A torre das almas e editor do blog Filosofia Nerd. Amado por milhares (ou milhões?) de fãs, defendido por Paulo Coelho e sustentando que a literatura deve ser analisada com o coração, Spohr falou com o Canto dos Livros. 

Canto dos Livros: Sobre seu primeiro trabalho, A batalha do Apocalipse, você já declarou que, devido à dificuldade em encontrar informações concretas durante a pesquisa, teve de criar uma “mitologia própria”. Tolkien talvez tenha sido o escritor que melhor desenvolveu este trabalho, criando um universo completamente novo. Quais foram as dificuldades encontradas nas pesquisas? Como foi criar uma mitologia própria? Em quais pontos foi bom ou ruim não ter algum embasamento prévio?

Eduardo Spohr:  Foi longo, porém mais fácil dos que as pessoas pensam porque eu já jogava RPG dentro desse universo, e tive anos para desenvolvê-lo. Então, a coisa aconteceu de forma orgânica e gradual. Quando comecei a escrever A batalha do Apocalipse, já tinha praticamente tudo pronto. O mais difícil, acredito, é manter a coerência com as “regras” estabelecidas para esse universo fantástico.

CdL: É comum vermos você falando de mitos. Conte-nos um pouco sobre a sua relação com a mitologia, com a obra de Joseph Campbell e o impacto que isso tem na sua escrita.

ES: Quando eu conheci Campbell, já tinha escrito o meu primeiro livro, mas o curioso foi ver que tudo o que ele falava, eu já tinha aplicado nas minhas histórias. Então, estudando mais sobre as teorias dele, eu entendi o porquê e comecei a desconstruir todo o processo.

CdL: Flertando com Campbell, de que forma um personagem deve ser construído para que desperte emoção no leitor?  Quais seus personagens mais amados? E os mais odiados?

ES: Bom, acho que acima de tudo o personagem deve ser crível. Como fazer isso? Cada escritor deve encontrar o seu caminho. No meu caso, não tenho personagens mais amados ou odiados. São todos como filhos (risos).

CdL: De que forma você enxerga a tradicional personificação do mal, na figura de um adversário – Diabo, Satã, Lúcifer ou equivalente? Sobre a responsabilidade do mal cometido pelos e sobre os homens, a quem ela recai?

ES: É uma forma de ver as coisas. De fato o mal existe dentro de nós, assim como o bem. Está nas nossas mãos escolher o que fazer: o certo ou o errado, geralmente sendo o errado mais tentador. Metaforicamente é uma alegoria poderosa.

CdL: Suas crenças religiosas ou espirituais interferiram na escrita de seu livros ou a escrita de seus livros interferiram em suas crenças?

ES: Não. O livro é 100% ficção, não há nada relacionado com as minhas crenças ou algo do tipo.

CdL: Além de livros, você produz bastante conteúdo das suas histórias em outros formatos, como podcasts e textos no blog. Como esses formatos te ajudam a construir sua obra e envolver os leitores?

ES: São materiais diferentes, na verdade. Não acho que exista grande influência dos podcasts, por exemplo, nos meus livros.

CdL: De que forma a interação online com seus mais de 30 mil fãs no Facebook e mais de 50 mil seguidores no Twitter exerce impacto na sua obra?

ES: Eu sempre fico de olho no que os leitores falam, e escuto suas críticas. Isso tem me ajudado muito a melhorar, tenho certeza.

CdL: Você demonstra desejo de compartilhar sua experiência como escritor aos novos talentos. Há, inclusive, um post no seu blog com inúmeras referências, podcasts e vídeos sobre o assunto. O que te motiva a estimular a nova geração? Quais foram seus maiores professores na profissão?

ES: Eu acho um barato que a galera curta meus livros e o meu trabalho. Então, quando me fazem perguntas sobre como escrever, eu tenho o maior prazer em ajudar, daí eu ter feito esse post. Meu principal mentor creio que foi o escritor José Louzeiro, uma pessoa que admiro muito.

CdL: Num mundo cada vez mais racional, pelos avanços da ciência e do conhecimento, a literatura de fantasia tem hoje um papel diferente do que tinha antes?

ES: Não. Acho que é o mesmo. O papel de reconstruir a nossa sociedade e nós mesmos de forma metafórica.

CdL: Você esteve na Feira de Frankfurt este ano. O que achou da participação do Brasil no evento e como encarou todas as polêmicas que a cercaram, principalmente a lista de autores levados pelo governo e o discurso do Luiz Ruffato na abertura?

ES: Frankfurt é muito corrido. É uma reunião atrás da outra, com editores, agentes, etc. Confesso que nem tive tempo de parar e nem de pensar nas polêmicas. Estava totalmente concentrado em apresentar meu trabalho aos editores internacionais. Vamos torcer para que dê certo.

CdL: Como é a receptividade das editoras internacionais pela literatura de fantasia brasileira? O país de origem influencia no interesse dos editores? 

ES: Creio que dependa do caso. Nos lugares onde meu livro já saiu (Alemanha, Holanda e Portugal), a recepção foi bem legal.

CdL: É nítido o amadurecimento no seu texto desde o primeiro trabalho até o mais recente, Filhos do Éden: Anjos da Morte. Além da evolução como escritor, o que acha que mudou nesse tempo? Como a mudança tem sido recebida pelos leitores?

ES: Muito obrigado. Bom, claro que eu tenho tentado melhorar. Os leitores parecem estar curtindo também, pelo feedback que estão me dando.

CdL: Sobre sua evolução, você já declarou que precisava melhorar nos diálogos. Esse é um dos pontos cuja diferença pode ser percebida se compararmos o seu primeiro e o terceiro romance. Para você, qual a importância desse recurso dentro do todo? Em que exatamente e quanto acha que melhorou nesse sentido? 

ES: Muito importante. É o diálogo que dá vida aos personagens. Não só ele, mas é uma parte importante, acredito. Eu não posso dizer que melhorei (isso é para o leitor avaliar), posso dizer apenas que me esforcei para tentar melhorar.

CdL: Sua obra alcançou um grande público no Brasil, tornando-se um bestseller. Você faz parte também da coletânea de contos Geração Subzero, que reuniu autores “esquecidos pela crítica”. Afinal, não estar nas críticas da grande imprensa faz falta para você? Qual é a real importância destas críticas?

ES: Para mim é mais importante a crítica do leitor. Mas acho que toda crítica, quando feita com respeito, é válida e nos ajuda a evoluir.

CdL: Na sua opinião, um livro deve ser analisado dentro do seu nicho específico ou comparado com tudo o que compõe a literatura? Em outras palavras, uma obra de fantasia deve ser analisada tendo somente Tolkien como parâmetro ou podemos colocá-la ao lado de Graciliano Ramos, por exemplo?

ES: Acho que deve ser analisado com o coração. Pelo menos eu faço isso, enquanto leitor. Obviamente, os críticos discordariam.

CdL: Levando em conta toda a literatura brasileira contemporânea, como sua obra se situa nela?

ES: Para mim, é difícil fazer essa auto-avaliação. Prefiro que o leitor o faça.

CdL: Fazendo um exercício de futurologia, daqui cem anos, quais dos escritores brasileiros atuais continuarão sendo lidos? Por quê?

ES: Impossível dizer. E qualquer resposta seria errada. Prefiro não arriscar (risos).

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nelsonNão é raro alguém enxergar um escritor de fantasia como um sonhador, que tende a ver implicações metafísicas em todos os cantos. Claro que muitos autores justificam esse estereótipo, mas não é o caso de Nelson Magrini. Engenheiro Mecânico, estudioso e pesquisador em Física, com ênfase em Mecânica Quântica e Cosmologia, professor e consultor de Gestão Empresarial e Logística, exerce carreira profissional no Brasil e nos países do Mercosul. Responsável por projetos de inclusão e cidadania, agente literário, revisor, copidesque e autor de livros como Anjo a face do mal, Ceifadores – Anjo a face do mal II, e Relâmpagos de Sangue, além de participante de coletâneas de contos, é um escritor estabelecido no seu segmento. Escreve (preferencialmente) fantasia, mas, na entrevista que concedeu ao Canto dos Livros, mostra pés solidamente calcados ao chão e uma lógica que nada tem de fantasiosa. 

Canto dos Livros: Você buscou na escrita uma alternativa às consultorias que prestava como engenheiro. Dez anos depois dessa mudança profissional, é possível dizer que a estratégia compensou? Por quais motivos?

Nelson Magrini: Antes de tudo, meu agradecimento a toda equipe do Canto dos Livros por esta oportunidade. Em relação à questão, é necessário entender que essa alternativa sempre foi vista em longo prazo. Assim, treze anos depois que decidi me tornar escritor e nove anos depois de ter publicado meu primeiro livro, Anjo – a face do mal, a estratégia funcionou no sentido de ser um escritor relativamente conhecido, de fazer parte da história da literatura fantástica nacional e, mesmo, de ser um dos expoentes da fase, digamos, contemporânea ou atual, de ter contribuído para esse novo início e desenvolvimento. Contudo, em se tratando de ser um “autor de sucesso”, creio que falta me tornar ainda mais conhecido, abrangendo, desta feita, o grande público e, é claro, ser financeiramente recompensador. Apesar de todas as batalhas, lutas e triunfos dos mais diversos, o sonho de viver exclusivamente de escrever livros ainda permanece por alcançar. Mas seguramente não foi abandonado.

CL: O raciocínio lógico da engenharia influencia na escrita dos livros? 

NM: Tenho certeza que sim, muito embora possa passar despercebido para mim. Penso que até como se manifesta minha criatividade é de uma maneira lógica, embora tudo comece com um insight, normalmente uma imagem ou cena. E apesar de não gostar de traçar linhas gerais e deixar a imaginação correr solta, ainda assim vejo uma estruturação lógica por detrás de meus projetos.

CL: Você é estudioso e pesquisador em Mecânica Quântica e Cosmologia. Há um movimento que utiliza a mecânica quântica e algumas de suas particularidades para iluminar questões metafísicas, como na obra do indiano Amit Goswami e outros, que puderam ser vistos no filme Quem somos nós?. Já o americano Brian Greene enfatiza mais o estudo da mecânica quântica para aplicação em teorias científicas. Para qual lado pende os seus estudos?

NM: Eu pendo totalmente para o único lado verdadeiro da Mecânica Quântica (MQ), ou seja, o lado de Brian Greene. De fato, até existe possibilidades de se utilizar a MQ para clarear ou nortear certas questões metafísicas, mas estas se encontram no domínio da Filosofia, tipo a natureza da realidade, onde se discute muito o Realismo, o que ele significa, se é possível mantê-lo como visão de mundo, etc. Contudo, sou bastante enfático e contrário ao que Goswami e outros fazem, onde a MQ é chamada a suportar qualquer tipo de crendice sem nenhum fundamento científico. Aliás, a MQ jamais deu qualquer validade a questões espirituais e similares, embora um número bem grande de pessoas pareça necessitar que algo assim ocorra, como sustentando seus pensamentos e fé. Nesse sentido, Goswami e outros são apenas pessoas que escrevem tendo como alvo um público bastante específico, onde o intuito do lucro fácil é mais que claro. Perceba que, apesar da propaganda que os meios interessados fazem, Goswani, por exemplo, apesar de ser um físico, nunca publicou um trabalho sequer em Física de verdade e que fosse pioneiro. Apesar do marketing de que ele “calou os críticos por meio de várias publicações técnicas a respeito de suas teorias”, a pergunta é: quais publicações técnicas? Chamar seus livros de publicações técnicas é uma piada! Goswami sequer responde ao simples desafio de mostrar nas equações da MQ quais termos representam aquilo que ele afirma. Por que não o faz? Porque simplesmente os termos não representam nada do que ele prega, simples assim.

Vale lembrar que livros desse tipo, ou filmes como Quem somos nós?, são conhecidos no meio científico como charlatanices, e é uma pena que poucos físicos sérios tenham tempo para expor e denunciar esse tipo de divulgação.

CL: Como você enxerga a receptividade dos jovens para as narrativas fantásticas hoje em dia, quando a aridez do mundo adulto parece contagiá-los de forma tão prematura?

NM: Penso que a receptividade ocorra exatamente pelo fato do mundo adulto ser tão árido. Apesar do contágio prematuro, cada vez mais enfático, existe no jovem (e não só) aquela vontade de poder desligar do mundo real, mesmo que por algum tempo, onde a imaginação volta a correr solta. Possivelmente, em uma sociedade cada vez mais dura, a fuga momentânea venha a ser vista como mais um modo das pessoas combaterem o stress. Talvez, em um futuro não muito distante, pessoas com tal perfil sejam vistas como portadores de uma habilidade valiosa. Algo assim não me espantaria.

CL: É correto afirmar que sua obra é segmentada ao nicho de fantasia?

NM: De modo geral, sim, embora o termo mais abrangente seja literatura fantástica. Eu escrevo, basicamente, tramas de mistério, suspense e terror, sempre incorporando um ou mais elementos fantásticos. Contudo, embora notadamente uma literatura de entretenimento, sempre que possível e dentro do contexto, ou seja, pertinente à trama, gosto de fazer meus leitores pensarem, questionarem, e tal pode se dar em relação a temas bem mais realistas. Mas no fundo, como sempre digo, minhas histórias são para divertir, para que os leitores passem umas boas horas vivenciando o mistério e o suspense, e, se possível, que pulem de susto!

CL: O livro Anjo – a face do mal tem personagens pertencentes a diversas mitologias, inclusive do panteão afro-brasileiro. Há alguma intenção ou mensagem na utilização deles?

NM: Não necessariamente uma mensagem, mas a intenção foi exatamente utilizar uma mitologia extremamente rica e, por que não dizer, famosa no Brasil, e que nunca foi, ou é muito pouco explorada em livros de aventura e entretenimento. O mais interessante é que, ao se pesquisar ou estudar a respeito desse panteão, deparamo-nos com personagens (entidades) com personalidade própria e que podem ser muito explorados. Curiosamente, recebi alguns comentários negativos em relação ao uso desses personagens, comentários que transpareciam certo preconceito, como se fosse normal se falar em anjos ou mesmo demônios, mas que não era de bom tom tratar de “entidades” usadas em macumba! Mas foram muito poucos, e penso que a maioria dos leitores gostou da maneira como edifiquei tais personagens.

CL: O deus retratado na obra lembra muito o demiurgo de que fala a gnose e presente em alguns dos evangelhos apócrifos. Quais leituras fez antes de começar a escrever?

NM: Curiosamente, em relação a deus, nenhuma. Mesmo em relação a Lúcifer, um personagem marcante da obra, não fiz nenhuma pesquisa específica, muito embora, ao longo de anos, já havia lido muito a respeito, e até mesmo participado de um grupo de estudo sobre o assunto, De qualquer modo, antes mesmo de iniciar o projeto, eu já tinha muito bem definido as características de tais personagens, e se tais características são similares às apresentadas em determinadas doutrinas ou linhas de pensamento, isso se deve a mera coincidência.

CL: Ainda sobre Anjo – a face do mal, o protagonista da obra, Lúcifer, é apresentado de forma bastante original e guarda poucas semelhanças com a mitologia cristã. Dois autores consagrados fizeram o mesmo com o personagem: Neil Gaiman, em Sandman, e Saramago em, O Evangelho segundo Jesus Cristo. Eles o influenciaram? Quais autores o inspiram?

NM: Em se tratando de Lúcifer, eu já conhecia e admirava o personagem de Gaiman, mas não tive contato com o de Saramago. Independente disso, eu já tinha a minha visão muito bem estruturada e já sabia o que queria de meu personagem, então não penso que tive qualquer influência literária mais direta.

Já em relação a autores que me inspiram, são muitos, desde Isaac Asimov e Arthur Clark, quando lia muita ficção-científica, até mais contundentemente Stephen King e Dean Kootz, mestres do terror moderno, terreno que mais gosto de trabalhar. Mas vale lembrar que esses são apenas alguns nomes. Eu devorei tantos livros durante minha vida inteira que seguramente muitos me influenciaram, mesmo que não me recorde dos nomes hoje em dia.

CL: Como seu trabalho conta com influências de narrativas mitológicas, você chega a se inspirar na estrutura da Jornada do Herói, conceituada por Joseph Campbell e, mais adiante, remodelada por Christopher Vogler?

NM: Pode até ser que em parte sim, mas é totalmente inconsciente, ou seja, não é algo intencional. Penso que muito da Jornada do Herói já se instaurou na mente de qualquer leitor voraz, exatamente por devorar milhares de tramas onde tal característica é destacada, e seguramente, isso resgata à mente quando se compõe uma história. Mas nunca me preocupei com tal questão a ponto de estudar a respeito e aplicá-la de maneira consciente e proposital em meus textos.

CL: Que tipo de retorno tem obtido dos fãs e da crítica com respeito a seu trabalho?

NM: Os fãs, de modo geral, me trazem uma resposta muito gratificante. Críticas ou comentários negativos são bastante raros, tendo a esmagadora maioria dos leitores gostado muito de meus livros. Em relação à crítica, seja em blogs ou veículos mais especializados, também sempre foram muito positivas, o que me mostra que estou no caminho certo.

CL: Como você observa a relação entre a literatura fantástica e a crítica literária?

NM: Se considerarmos como crítica literária a chamada crítica especializada ou profissional, a relação não é nada boa, com raras exceções, principalmente se nos restringirmos aos autores nacionais. Aliás, em relação à esmagadora maioria desses últimos, nem dá para falar que os críticos falam mal; eles simplesmente os ignoram. Até entendo que ainda existe muitos autores amadores nesse segmento, mas também tem muita gente boa que já está presente há anos, têm presença no meio, inúmeros fãs e, ainda assim, é praticamente nula a atenção da crítica.

CL: O cenário de literatura de fantasia no Brasil está consolidado?

NM: Sem dúvida. É um nicho que não para de crescer em termos de leitores, bem como, onde a todo mês surgem novos nomes. Obviamente, ele necessita uma maior estruturação e atenção por partes das editoras, principalmente as chamadas grandes, com destacada penetração no mercado.

CL: Qual influência autores estrangeiros, como Anne Rice e Stephanie Meyer, exercem sobre o mercado nacional?

NM: Autores estrangeiros de sucesso seguramente influenciaram e influenciam toda uma geração, ainda mais com o aporte de marketing com que tais títulos chegam ao país. Antes mesmo de ser consumido pelos leitores, estes já são despertados para o novo Big 1 que está chegando. Uma vez que, na sua esmagadora maioria, os novos (assim como os velhos) escritores são leitores vorazes e compulsivos, é óbvio que estes terão uma influência muito grande, não só das duas escritoras citadas, mas de vários outros. Como qualquer influência, se o novo escritor não souber dosar e procurar seu próprio estilo e caminho, ela poderá vir a ser muito negativa.

CL: Indo um pouco além, na sua opinião, qual papel a fantasia tem hoje no mundo?

NM: Penso que o mesmo que sempre teve: divertir as pessoas e levá-las a um mundo de faz de conta por um tempo. Talvez, o que se vê hoje em dia seja uma maior e mais rápida disseminação de determinados universos de fantasia, que acabam virando moda, com milhares de seguidores. Nesse sentido, pode-se ter a impressão de que a fantasia tem uma maior influência na moldagem do mundo e, mesmo, de certos convívios sociais, mas creio que a maioria que curte tais aventuras saiba diferenciar entre a realidade e o imaginário. Existem extremos? Sem dúvida, mas não creio que sejam percentualmente representativos.

Como já comentei, vivenciar por um período a literatura de fantasia pode vir a ser encarada, em um futuro não tão distante, como uma forma de se combater o stress de uma sociedade cada vez mais competitiva e exigente. Por fim, vale lembrar que a indústria de entretenimento fatura bilhões de dólares por ano. Seguramente, isso diz alguma coisa sobre a natureza humana.

CL: Em entrevista ao blog Fontes da ficção você fala dos problemas que acontecem em diversos setores da cadeia editorial. Como autor, qual a melhor maneira de ajudar a solucionar esses ou parte desses problemas e alavancar as vendas de um livro?

NM: Taí uma muito boa pergunta , mas de difícil resposta. O Brasil não é diferente de outros países onde, uma editora, assim como qualquer empresa, visa e necessita obter lucro para prosperar e se manter no mercado. Contudo, aqui falta uma função que lá fora é executada em larga escala, seja através de agentes literários (refiro-me a profissionais sérios e capacitados, aquele que investe no talento, uma figura que faz extrema falta por aqui) ou dos próprios editores. No geral, o editor nacional ou não aposta no escritor brasileiro ou aposta pouco. E pior, se contenta com pouco. Se um autor vende 3 mil, 5 mil cópias de um título, e esse é seu montante constante a cada novo lançamento, está ótimo (não me refiro a autores que já se consagraram e conseguem, com o passar do tempo, vender bem acima desses números). Eles investem um tanto nesse nome e obtém um certo retorno. Vale dizer que 3 ou 5 mil exemplares de um título está extremamente acima do que a maioria vende em um lançamento, cujas tiragens variam de mil a 3 mil exemplares para editoras que não trabalham sob demanda.

Contudo, falta aquele que verá um autor com uma venda pobre, mas que vê o talento que ele possui, ou seja, que enxerga que, se (bem) trabalhando, ele venderá 10, 15, 20, 50 mil exemplares ou mais. Porém, para isso, além de se ler a obra desse autor promissor, tem-se que investir, e aí a coisa complica. O que falta aqui é esse apostador no talento, que esteja disposto, como em qualquer tipo de negócio, diga-se de passagem, a colocar dinheiro para ganhar muito mais. Um autor bom vende bem; torne-o muito mais conhecido que ele venderá muito mais. Basta um conhecimento básico de marketing para saber que essa relação não é linear. Se fosse, o mundo jamais seria o que é hoje e jamais se investiriam bilhões nesse campo.

Como eu disse, é uma pergunta bastante complexa de se responder e o descrito acima é apenas um ponto. Seguramente, existem muitos outros.

CL: Na entrevista acima citada você também diz não possuir nenhuma influência literária nacional. Continua não tendo? Por quê?

NM: Basta ver as influências que citei acima. Eu lia todos eles na minha adolescência e nos anos seguintes. Naquela época, dentro do segmento que eu adorava, ficção-científica e, depois, terror, inexistiam autores nacionais ou eram desconhecidos. Lembro-me de ter lido um ou dois contos do André Carneiro, mas nem me recordo onde. Se hoje, o autor nacional de literatura fantástica tem como divulgar seu trabalho na Internet e ficar mais conhecido do público, naquela época era praticamente impossível. Pelo menos, eu nunca ouvi falar de nomes que publicavam nessa linha. Pensando bem, imagino que tenha até lido autores brasileiros nesse segmento, mas eles (ou as editoras) publicavam com pseudônimos estrangeiros.

Então, nesse cenário, nunca me identifiquei com algum nome que viria a acompanhar, como Stephen King, por exemplo, e que seguramente iria me influenciar. E, de fato, continuo não tendo, talvez porque agora sejamos todos contemporâneos. Isso não significa que não possa aparecer algum autor nacional e que venha a exercer influência em minhas obras futuras, mas por enquanto não existe.

CL: O que é um livro de sucesso?

NM: Um livro de sucesso é aquele que apresenta uma trama instigante, daquelas que prende o leitor da primeira à última página, que o faz pensar em determinados momentos da história, que o faz sentir saudades dos personagens e lamentar o término do livro. Também precisa ser bem escrito, com um português, no mínimo, elegante, variado. Um livro de sucesso tem tudo isso, mas isso tudo, por si só, não garante sucesso algum. Ele também tem de ser bem trabalhado pela editora, o autor ser promovido, seja por esforço próprio, como pela editora, em um esquema que gere real penetração no mundo dos leitores, tornando o título conhecido, bem como seu autor. Vale lembrar que um trabalho bem feito faz a editora ser reconhecida, o que leva leitores a observar com mais cuidado os títulos de seu catálogo.

Em se conseguindo isso, o retorno é garantido.

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Acontece amanhã o lançamento do livro Celebrando a Jornada do Herói, da psicóloga junguiana Adélia Hill, que será publicado pela editora Riemma. A obra é fundamentada nos estudos do mitólogo Joseph Campbell e do psiquiatra Carl Gustav Jung

Dia: 8 de março

Horário: das 18h30 às 21h30

Local: Livraria da Vila (Rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena) – São Paulo

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Edvaldo Pereira Lima é uma daquelas pessoas muito complicadas de se definir. Seu currículo, ainda que condensado, abrange páginas e mais páginas, mas vamos tentar dar uma ideia de quem ele é. Professor aposentado da Escola de Comunicação e Artes da USP, é Doutor em Ciências da Comunicação pela mesma universidade e realizou o pós-doutorado em Educação pela Universidade de Toronto, no Canadá. Também deu aulas como professor-visitante nas universidades de Florença, na Itália, e Londres, na Inglaterra. É co-fundador da Academia Brasileira de Jornalismo Literário, onde ainda ministra aulas.

Ed, como costuma ser chamado pelos conhecidos, foca boa parte de suas pesquisas nas narrativas de não-ficção, mas costuma ir além do convencional, propondo integrações multidisciplinares ao jornalismo.  Já escreveu diversos livros, dentre eles Páginas Ampliadas – o livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura, O que é livro-reportagem, Colômbia Espelho América, Aytorn Senna: o guerreiro de aquário e Escrita total. Recentemente, escreveu o capítulo sobre o Brasil do livro Literary Journalism around the Globe.

Nesta conversa para o Canto dos Livros, Ed fala sobre Jornalismo Literário (ou simplesmente JL), o poder das histórias edificantes e como a falta delas afeta o ser humano, mitologia, física quântica, olhar holístico sobre o mundo e alguns outros assuntos, como uma paixão de adolescente que levou para o mundo profissional.

Canto dos Livros: É constante o aumento de livros de não ficção nas livrarias. O que isso significa? As pessoas estão perdendo o interesse pela ficção?

Edvaldo Pereira Lima: Não sei se estão perdendo o gosto pela ficção, mas é fato que os livros de não ficção conquistaram nos anos mais recentes um lugar especial na produção das editoras, nas prateleiras das livrarias e no gosto do leitor.  Talvez parte desses leitores também leia ficção, enquanto uma parcela significativa (da qual fazem parte  leitores que antes não tinham o  hábito de ler, talvez) escolhe particularmente a não ficção.  De qualquer modo, o fato demonstra a maturidade do mercado editorial de livros, pelo menos nos grandes centros urbanos do país. Esse público encontra nos livros de não ficção abordagens exclusivamente disponíveis em livros, retratando distintos aspectos da vida real, quanto linhas temáticas de algum modo tratado por outras mídias, mas sem a longa duração e – às vezes – o aprofundamento desejado.

CL: Quais as boas novidades que apareceram no Jornalismo Literário nos últimos anos?

EPL: No caso brasileiro, o que merece registro é a continuação da produção de livros-reportagem em volume respeitável, sejam traduções de obras assinadas por autores internacionais, sejam trabalhos de escritores nacionais.  Alguns desses títulos apresentam qualidade narrativa considerável.  É o caso, recentemente, de Os Últimos Soldados da Guerra Fria,  de Fernando Morais, publicado pela Companhia das Letras. Trata-se de uma saborosa e competente narrativa da história algo que tragicômica de espiões cubanos que se infiltram no movimento anti-castrista dos Estados Unidos.

CL: Recentemente foi publicado o livro Literary Journalism around the Globe, cujo capítulo sobre o Brasil é de sua autoria. O Brasil tem alcançado seus próprios traços no Jornalismo Literário? 

EPL: Sim, há  características peculiares que marcam a produção do jornalismo literário por autores brasileiros. Nem sempre a precisão é tão meticulosa como se vê na produção norte-americana, por exemplo. Em compensação, o estilo é às vezes algo mais esteticamente livre,  como nas reportagens de Eliane Brum, ou apresentam um tom descontraído, quase como uma conversa entre compadres, como se percebe em textos de José Hamilton Ribeiro, por exemplo.  Participar deste livro – lançado nos Estados Unidos em 2011 pela University of Massachusetts Press, por iniciativa da International Association for Literary Journalism Studies, foi uma honra, contribuindo para divulgar internacionalmente os trabalhos pioneiros de Euclides da Cunha e João do Rio, assim como a fase exuberante da revista Realidade e do Jornal da Tarde na década de 1960. O livro, por sinal, pode ser comprado no Brasil através dos serviços de importação de grandes livrarias, como a Cultura, ou por meio da Amazon, na Internet.

CL: Dentro do JL, o que é inspiração? Você acredita no famoso 99% de transpiração e 1% de inspiração? O que você faz para conseguir esse bendito 1%?

EPL: Esses duas marcas da produção do JL geralmente atuam juntas.  Há um movimento de esforço e trabalho duro do autor – especialmente na pesquisa, no levantamento de campo, nas entrevistas, nas observações in loco –, por um lado, e inspirações que iluminam questões essenciais de uma obra, de outro,  ou ajudam a gerar passagens narrativas de qualidade estética. Uma coisa não existe sem a outra. Colocando de outro modo, uma delas, sozinha, é geralmente insuficiente para gerar uma boa obra de JL.  Você precisa das duas abordagens.

CL: A sua pesquisa envolve muito as chamadas histórias edificantes. Quais são os traços dessas narrativas? Como dosar este teor entre o drama humano e algo que edifique o leitor?

EPL: O que move o bom JL é a procura de compreensão dos episódios reais sob uma perspectiva integral, plena, que abarca tanto os aspectos factuais quanto os conteúdos subjetivos.  Se o autor é consciente de que o eixo condutor da boa narrativa  está nos conflitos que marcam o drama humano da existência, tem condição de manter o interesse do leitor do princípio ao fim, mesmo que a história escape de um final trágico ou amargo, ou mesmo que apesar de algo dessa natureza, exista um significado edificante.  Na vida real, nós seres humanos somos criaturas conscientes até um certo ponto; inconscientes, noutra medida.  O drama motor de toda existência humana é a pressão interna para que a nossa consciência se expanda ao máximo, diminuindo tanto quanto possível nossa porção inconsciente, que nos traz sofrimentos existenciais terríveis.   Somos seres impulsionados para sairmos das sombras – as porções negativas e muitas vezes destrutivas do inconsciente –, reconhecermos o que rejeitamos em nós próprios, nos demais e no mundo, e iluminarmos essa parte indesejada da nossa realidade, transformando-a.  Toda narrativa pública transporta implicitamente uma visão de mundo, contribuindo ou para manter o grau de consciência do leitor num nível muito baixo de entendimento da realidade, ou ajudando-o a despertar para uma visão transformadora, que não termina no ângulo puramente derrotista, negativista.  A visão negativista que conduz o leitor a um beco sem saída e à construção mental de uma representação destrutiva – a imagem de que o mundo não tem saída, de que a espécie humana é mesmo esse desastre sem conserto que vemos nos infinitos casos de corrupção profundamente imoral ou nas infindáveis histórias de crueldade do homem contra o homem – não é algo gratuito, sem efeito. Ao contrário, colabora para gerar, no inconsciente coletivo, que abarca a todos nós, um funesto pessimismo e uma desvalorização perigosa da nossa identidade enquanto indivíduos e espécie. Lamentavelmente, boa parte da produção de massa, na indústria cultural, contribui para a escravização das consciências nesse baixíssimo patamar de visão reduzida, ignóbil, das coisas, como é exemplo bem recente este polêmico caso do Big Brother, da Rede Globo de Televisão, em que vemos um deprimente episódio da baixaria que domina os princípios diretrizes de um programa produzido com todo o requinte tecnológico moderno, com audiência estrondosa, mas vergonhoso patamar de valores. A que serve algo assim? A manter as pessoas como que hipnotizadas, alienadas dos aspectos mais sublimes da vida.  São como que vampirizadas na consciência.  Resulta que ao se exporem a assistir sistematicamente a esses medíocres espetáculos de baixaria, estão dando um tiro no coração de sua própria dignidade como seres humanos.

No JL, se queremos que cumpra um papel que realmente valha a pena, nobre, na sociedade, não pode se sujeitar a essas imbecilidades dos meios de comunicação de massa. Precisa transcender essa nuvem nebulosa do pão e circo que domina boa parte da mídia, procurando retratar a realidade em sua complexidade vital, onde imperam fenômenos tanto luminosos quanto escurecedores da consciência, mas onde também manifestam-se inúmeros casos de seres humanos que transcendem a banalidade doentia da maior parte do nosso mundo contemporâneo, revelando que sim, temos esperança como espécie, ainda somos capazes de grandeza e nobreza.  A descoberta dessas qualidades, sua manifestação e consolidação nas pessoas exige um esforço enorme, às vezes dramático, em busca da consciência perdida. O drama humano verdadeiramente poderoso, narrativamente, é a trajetória dessa descoberta, na qual a consciência individual atravessa as barreiras tenebrosas dos poderes – políticos, culturais, econômicos – coletivos que tentam de todas as formas impedir que o indivíduo  liberte-se das visões de mundo escravizantes que para eles é cômoda, mas que para a pessoa humana é terrível, pois achatam e sufocam sua liberdade potencial de ser integral, pleno, verdadeiramente independente.  Dramas deste tipo, das jornadas de crescimento da consciência individual rumo ao seu potencial pleno, são cheios de suspense e desafios que não deixam a desejar a nenhum bom roteiro de Hollywood. Cabe ao autor de JL o exercício da sensibilidade para captar esse drama e contá-lo com maestria, tocando o coração e a mente do leitor, tanto pela qualidade narrativa de sua história quanto pela visão de mundo transformadora inerente a histórias desse quilate.
CL: Como o conhecimento de diferentes mitologias pode auxiliar um escritor a construir um texto de ficção ou não ficção?

EPL: Mais do que o conhecimento de mitos específicos – isto é, de histórias que apresentam sentido profundo, pela simbologia que transportam –, é bastante útil a escritores de ficção e não ficção conhecerem o processo arquetípico conhecido pelo nome de Jornada do Herói, padrão estruturador de narrativas que tem se mostrado universalmente aplicável na organização da sequência e dos elementos que compõem uma boa história dramática. O processo foi sistematizado gradativamente, começando pelo clássico livro O Herói de Mil Faces, do mitólogo Joseph Campbell, e chegando à  Jornada do Escritor, de Christopher Vogler – que reúne tanto conceitos de Campbell quanto do pai da psicologia humanista, Carl Gustav Jung –, ambos trabalhos de enorme importância na construção narrativa dos filmes de Steven Spielberg, George Lucas e James Cameron, por exemplo.  Pude formatar uma adaptação dessa linha estuturadora de narrativas a matérias de JL, formato este todo como partida para a Tese de Doutorado de Monica Martinez que resultou em seu livro Jornada do Herói: A  Estutura Mítica na Construção de Histórias de Vida em Jornalismo (Annablume, 2008).  A Jornada do Herói serve como baliza decisiva, ajudando o autor a compreender a dinâmica narrativa potencial da história sobre a qual esteja trabalhando, e a organizá-la no seu texto.

CL: Você defende que um escritor tenha uma base holística. Quais pontos de vista comumente vêm sendo negligenciados por esses profissionais?

EPL: A visão holística verdadeira nada tem a ver com concepções místicas de qualidade duvidosa.  Diz respeito, sim, a uma visão de mundo  integral, sistêmica, complexa.   É uma abordagem muito diferente desse patamar raso, mecanicista, superficial, esquemático que impera na maior parte dos relatos públicos, tanto na mídia jornalística quanto mesmo em obras de ficção. A nossa sociedade está nessa situação crítica em que se encontra parcialmente por causa desse olhar míope sobre a realidade que impera na maior do sistema cultural e do sistema educacional.  Essa visão distorcida e reducionista trouxe à nossa civilização este mundo em perigoso caminho de autodestruição em que nos encontramos. É urgente uma revisão e uma transformação do nosso olhar, rumo a uma perspectiva complexa, integral – portanto holística, já que a palavra “holos” quer dizer todo –, dinâmica, processual.  Se um jornalista literário absorve os instrumentos comprovadamente eficazes do JL para construir narrativas e a isso acrescenta um modo de ver holístico, realiza um trabalho de grande importância para a transformação da consciência do leitor rumo a um patamar relevante de compreensão dinâmica da realidade.  A aquisição de um olhar holístico é possível através do estudo de propostas de vanguarda existentes em vários campos do saber e da prática em que o autor reeduca sua maneira de ver as coisas, desenvolvendo para isto não só seus potenciais mentais, intelectuais, mas também suas emoções e seus processos intuitivos, colocando-se a serviço de captação e ressignificação da realidade.

CL: O que a física quântica, um assunto cujo estudo é de seu interesse, tem a acrescentar ao jornalismo?

EPL: Muito, pois é um dos campos da ciência que nos ajuda exatamente a olhar para a realidade com uma angulação complexa, dinâmica, abrangente. Tome-se, por exemplo, o conceito de múltiplas realidades apresentado pelo grande físico téorico David Bohm, e já estaremos vendo os fatos da história imediata de nossos dias não como algo raso, superficial e mecânico, mas como um processo complexo que nos abre um horizonte muito mais vasto de entendimento orgânico, vivo, efetivo e significativo do que é, verdadeiramente, esse fenômeno extraordinariamente desafiador e belo que se chama vida.

CL: Como podemos utilizar o máximo de potencial de nossa mente na hora de contar uma história?

EPL: Conhecendo a mente, abrindo nossa percepção para descobrir como pensamos, como vemos a realidade, que fatores condicionam o modo como a percebemos.  Praticando exercícios de distintas metodologias que nos ajudam a sairmos fora do padrão reduzido de visão das coisas apenas pelo lado estreito da racionalidade reduzida. Aprendendo a usar técnicas e métodos de ativação da criatividade que ensinamos nos cursos de pós-graduação da Academia Brasileira de Jornalismo Literário, como a visualização criativa.  Exercitando alguns desses dispositivos de vanguarda que disponibilizo no meu método e livro Escrita Total de redação espontânea.  Aprendendo a meditar, como nos cursos e práticas do budismo, especialmente em suas linhagens tibetanas.  Abandonando os preconceitos da racionalidade estreita. Deixando nossa sensibilidade falar mais alto.

CL: Em todo seu tempo de carreira, qual sua maior decepção literária (um livro, um autor, algo que tenha ficado muito abaixo da sua expectativa…)? Por quê?

EPL: Não seria ético citar nomes, mas há alguns livros-reportagem decepcionantes, assinados por profissionais de renome do jornalismo, mas que nada sabem sobre a natureza real e as exigências do livro-reportagem. São pessoas famosas da mídia diária, mas que ao trabalharem um tema potencialmente rico, em livro-reportagem, levam para essa modalidade o mesmo padrão de linguagem e o mesmo caráter efêmero, superficial, do jornal do dia a dia. Metem os pés pelas mãos, produzindo um resultado pífio.

CL: Qual você julga ser o erro mais frequente de um pretendente a autor de não-ficção? E de ficção?

EPL: No primeiro caso, querer deitar verdades, como se sua leitura da realidade fosse a mais perfeita e a mais absoluta de todas. No segundo, achar que destilar pobreza de olhar o mundo a partir de seu próprio umbigo é a coisa mais esplendorosa que já aconteceu na história da literatura.

CL: Por que a opção por publicar alguns de seus livros por conta própria? Qual a vantagem, para o autor, nesse tipo de publicação?

EPL: No meu caso, não se trata propriamente de publicação por conta própria, mas sim de publicação por um sistema editorial independente e inovador.  Tenho livros publicados por editoras convencionais, mas também tenho títulos pelo Clube de Autores, iniciativa que democratiza sobremaneira a publicação de livros no país. O Clube oferece aos autores um modo de publicação instantânea, sobre a qual têm controle e domínio bastante grande do processo de edição, em si, sem custos e sem a burocracia operacional que cerca o trabalho costumeiro das editoras convencionais.

CL: Sua paixão pela aviação é amplamente reconhecida. Você trocaria tudo o que realizou dentro do jornalismo – e, mais amplamente, dentro de todo campo de narrativas de não ficção – para ter sido piloto? Por quê?

EPL: Não. O sonho de ser piloto foi uma paixão de adolescência. O que me move na aviação, mais do que tudo, é o que representa como liberdade e velocidade para unir culturas, conhecer mundos, transpor distâncias, descobrir territórios, povos e histórias dos mais variados cantos do globo. Estou feliz em unir de um jeito peculiar as duas coisas.  Parte da minha atividade profissional consiste em escrever, como jornalista, sobre aviação comercial.

CL: Um daqueles clichês, mas que todos gostam de saber a resposta: quais os seus livros e autores preferidos?

EPL: No JL, quase todos os livros de Gay Talese, com destaque para seu clássico Fama & Anonimato, assim como  para o ótimo  O Olho da Rua, de Eliane Brum. Em biografias, o bom O Mago, de Fernando Moraes, sobre Paulo Coelho.  Na ficção, o divertidíssimo Pantaleão e as Visitadoras, de Mario Vargas Llosa, assim como o extraordinário romance de ficção científica Shikasta, de Doris Lessing.  Na filosofia da ciência e suas implicações para toda a sociedade, o fabuloso Ponto de Mutação, de Fritjof Capra. Na categoria de boa narrativa por cientistas, Muito Além do Nosso Eu, de Miguel Nicolélis.   No conhecimento não convencional da realidade, os intrigantes livros assinados por Ramatís, psicografados pelo médium Hercílio Maes, com destaque para A Fisiologia da Alma. Em narrativa de viagem, o excelente Um Adivinho Me Disse, de Terziano Terzani.

CL: Está preparando alguma novidade que já possa nos contar?

EPL: Estou preparando sim, mas prefiro nada dizer, por enquanto.

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