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Posts Tagged ‘Lars von Trier’

Ricardo Lísias é um dos escritores nacionais de quem os leitores mais podem esperar algo atualmente. Autor de O livro dos mandarins, obra singular sobre o mundo corporativo, também escreveu Cobertor de estrelas, que foi traduzido para o espanhol e o galego, Duas praças, terceiro colocado no Prêmio Portugal Telecom de 2006 e Anna O. e outras novelas, de contos. O céu dos suicidas, seu próximo romance, já está no forno e deverá ser lançado até o começo de abril pela editora Alfaguara. Confira abaixo uma entrevista com Ricardo, onde ele fala sobre O livro dos mandarins, prêmios literários e, dentre outras coisas, o texto que escreveu recentemente para a revista Piauí.

Canto dos Livros: Para começar, o que é literatura para você?

Ricardo Lísias: Muita coisa especial, mas nesse momento da minha vida estou preferindo praticá-la a pensá-la. Talvez possa dizer que entre tanta coisa, uma das que mais me agrada é a forma particularmente profunda e eficaz de expressão.

CL: Qual o papel da literatura de ficção?

RL: Creio também que muitos: entre eles, fugir da vulgaridade, fugir do lugar-comum, resguardar discursos particulares etc.

CL: Como vê a literatura não ficcional?

RL: Acho que dentro de suas particularidades, pode ser tão especial quanto a ficção. Eu não colocaria em patamares diferentes Franz Kafka e Walter Benjamin.

CL: O livro dos mandarins pode ser considerado um retrato dos executivos atuais? Como o livro foi recebido por pessoas dessa classe?

RL: Em parte, sim. Tive notícias apenas das pessoas que serviram como informantes. Todas gostaram. Muita gente que trabalhou nesse meio – sobretudo em bancos – me disse que a representação e  ideologia também ficaram adequadas. Mas algumas pessoas também se sentiram agredidas pelo livro. Recebi algumas manifestações nesse sentido.

CL: Em O livro dos mandarins quase todos os seus personagens se chamam Paulo (ou Paul, Pablo…). Por que a escolha por esse recurso e esse nome especificamente?

RL: Há a tentativa de mostrar a despersonalização das pessoas no ambiente corporativo. O nome Paulo foi utilizado porque foi o que eu achei que permite um grande número de variações.

CL: O livro dos mandarins foi lançado em 2009 e provavelmente concorreu aos prêmio de 2010, quando Minha mãe se matou sem dizer adeus, de Evandro Affonso Ferreira, ganhou o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte, Leite derramado, de Chico Buarque, levou o Jabuti de melhor livro do ano de Ficção – enquanto Se eu fechar os olhos agora, de Edney Silvestre, foi escolhido como melhor romance – e o mesmo Leite derramado venceu o Prêmio Portugal Telecom, apenas para ficarmos em três premiações das mais conhecidas. Em uma entrevista para a revista Vice, você diz não ter recebido nenhum grande prêmio com O livro dos mandarins por ter uma postura que desagrada muitos jurados, por não fazer média com os outros. Você acredita que o seu livro seja superior a todos esses citados?

RL: Não acho que eu tenha dito exatamente isso para a Vice, mas não vou olhar a revista agora, para não me influenciar com a resposta aqui. Eram também dois momentos diferentes para mim. Antes de tudo, acho que o livro de Evandro Affonso Ferreira saiu um ano depois do meu, não creio que concorremos a nada juntos. Mas já respondendo a uma parte da pergunta, acho o livro dele bom, como também acho bom o romance do Chico Buarque. Já o livro do Edney Silvestre, acho muito bem feito e bom como os outros dois, mas com um detalhe: é um livro claramente infanto-juvenil. Para esse público, é excelente. 

Eu li uma parte das “discussões” que se seguiram às premiações sobre o livro do Edney Silvestre e do Chico Buarque e fiquei impressionado como não houve nenhum tipo de atenção a esse detalhe. Como quase sempre, aliás, não houve discussão estética…

De resto, não acho de forma alguma que meu livro tenha sido prejudicado (ou não tenha sido…) em prêmios literários por causa de alguma possível radicalidade. Sequer me sinto à vontade para dizer que há alguma radicalidade no meu romance. Não é minha função, como também não é minha função dizer se eu merecia ter ganho ou não, ou aliás, quem merecia.

O que acho claramente é que os prêmios e tudo o que cerca a literatura brasileira são parte do Brasil, portanto também um reflexo dele. É só pensar nas eleições: de vez em quando, elegemos de longe o melhor candidato, outras vezes, o Tiririca. Prêmios dizem mais sobre o júri do que sobre o autor vencedor e os outros. Também não quero ser hipócrita: o dinheiro é importante, lógico, facilita o trabalho de todo mundo.

Acho ainda que o comportamento “morno” de muitos grandes ganhadores de prêmio no Brasil os ajuda a chegar ao consenso. Dificilmente um senhor desses faz alguma declaração incômoda…

Mas de jeito nenhum eu me sinto prejudicado: ganhei alguns, perdi outros, mas frequento boa parte dessas listas já faz tempo, e nunca fiz nenhuma concessão, de nenhuma ordem. Nem vou fazer.

CL: Por outro lado, O livro dos mandarins foi o último campeão da Copa de Literatura Brasileira, ganhando de goleada d’O filho da mãe, do Bernardo Carvalho, na final. Isso tem alguma importância para você?

RL: Sem dúvida, muita importância. Em primeiro lugar, muitos dos textos sobre o meu livro eram ótimos e mostravam coisas que eu não tinha visto. Depois confirmaram algo que venho sentindo há algum tempo: que meus textos cada vez mais agradam as novas gerações de leitores, inclusive muitos afastados do mainstream literário e com reservas a ele. A Copa de Literatura está fora dos espaços já muito viciados. Fiquei bastante satisfeito com o resultado.   

CL: Você tem um conto chamado Concentração, na Granta edição de narrativas e contos de viagem. Sua estrutura é perspicaz, acompanhando acontecimentos dramaticamente irônicos em torno do personagem Damião. Como foi o processo de criação desta narrativa?  

RL: Em 2001, em julho, tive um problema em uma conexão e acabei ficando bastante tempo no aeroporto de Buenos Aires. Comprei alguns jornais e fiquei espantado com a situação do país. Como já gostava de literatura latino-americana e tinha estudado os movimentos autoritários dessa região, mergulhei na história argentina e desde esse mesmo ano visitei o país algumas vezes. Comecei a escrever ainda no aeroporto. Devo tê-lo refeito inúmeras vezes em vários anos. Comprei alguns arquivos de jornais e fiz algumas pequenas coleções de material histórico sobre a Argentina, até concluir esse conto, em 2008. Foi o texto em que trabalhei por mais tempo até hoje, mesmo contando os romances. Tive certa obsessão pela história e pela literatura argentina, mas ela já passou.

CL: O que você pensa dos outros escritores de sua geração? Quais destaca?

RL: É incômodo para mim responder essa pergunta de maneira pontual, porque uns poucos deles são amigos muito próximos, então não vou citá-los. Acho que a Vanessa Barbara é bastante notável em vários aspectos, inclusive (ou sobretudo) tecnicamente. Também gostei bastante do livro do José Luis Passos (Nosso grão mais fino) e tenho bastante expectativa com relação ao próximo dele. Gostei de tudo o que li até hoje do Julian Fuks também. O livro de Brisa Paim me surpreendeu. Também gostei dos últimos textos da Verônica Stigger, achei-os bastante originais. Acho que no geral há uma possibilidade razoável de nos próximos anos termos bons livros para ler. No entanto, parece-me que boa parte da produção ainda reproduz – sem criticar ou, ainda pior, aderindo ao que há de pior no Brasil. Digamos que estamos diante, se formos falar no geral, de uma produção amena e edulcorada.

Eu gostaria de conhecer um pouco melhor a poesia e a crítica para falar desses campos também, mas seria leviano com o pouco que li.

CL: Sobre o processo criativo, você relatou para a revista Piauí deste mês uma verdadeira saga, aonde o ato de correr e depois treinar para completar a Corrida de São Silvestre foram sua terapia para superar problemas e conseguir concluir seus escritos pendentes. Não raro, diz-se que a tristeza e a adversidade auxiliam na criação. Quais diferenças você sentiu – ou não – na sua criação durante este período, comparado a outros normais? E como era o seu processo até então?

RL: No segundo semestre de 2011 sofri uma espécie de “acidente biográfico” que me causou um colapso emocional. Escrevi sobre isso em três momentos, durante o tratamento de recuperação. Na verdade, ainda estou me tratando, com um psicanalista com quem eu já tinha feito análise uma vez. Como continuo sob impacto emocional, ainda que muito melhor, não quero falar sobre isso em um gênero diferente dos que já me manifestei.

CL: Este relato da Piauí daria um excelente roteiro para ser aproveitado em outras mídias, como filmes (de curta metragem, no caso) ou quadrinhos biográficos. Você aprecia estas mídias? É influenciado por algumas delas? Se sim, por quais autores e obras?

RL: Eu não costumo ler quadrinhos, apenas alguns casos muito especiais, como Art Spiegelman e Joe Sacco, mas mesmo assim sem muita constância. Sobre o cinema, ao contrário dos quadrinhos, tenho muito interesse. Não sei dizer em que medida o cinema poderia influenciar uma obra literária. Acho que não muito, se formos pensar na particularidade formal de cada gênero. Gosto bastante de documentários, de uma parte do cinema norte-americano e de alguns diretores específicos, como Antonioni, Buñuel e, entre outros, Lars von Trier.

CL: Ainda sobre o publicado na Piauí, a fragilidade e a sinceridade que você corajosamente demonstra se devem ao gênero do escrito, bem como à situação e tempo específicos, ou poderia se dizer que eles permeiam sua obra e estilo?

RL: Acho que tudo se intensificou por conta da violência enorme da situação. Mas como eu disse acima, sinto-me melhor me manifestando sobre o “incidente” em outro gênero que não a entrevista.

CL: Qual é o seu objetivo ao editar o jornal literário Silva? Como ele se mantém, já que você não o vende?

RL: Silva tem um pouco para mim a função de reafirmar a importância do papel. Ele só existe porque o papel permite o formato. Não tenho obviamente nada contra as mídias digitais, que na verdade me interessam muito, mas não gosto do discurso que diz que elas soterrarão o papel. Nesse sentido, o Silva é um objeto de resistência. Também gosto bastante de edições alternativas e fanzines. Por isso fiz uma.

Ele se mantém com meus recursos próprios, até aqui. No entanto, para ser justo, é preciso dividir a autoria com o artista gráfico Luciano Arnold, que faz um excelente trabalho por um valor quase que abaixo do custo.

CL: Quais conselhos que gostaria de ter ouvido quando começou a escrever e poderia dizer hoje aos iniciantes?

RL: Não sei se eu acredito em conselhos. Mas eu acredito na leitura dos bons livros (dos grandes livros) e na procura intensa por um caminho particular. Acredito também em consciência de trabalho, de forma e de ideologia. Por fim, acredito que é preciso se distanciar dos grupos, do glamour e da vida “chapa-branca”.

CL: Do que se trata O céu dos suicidas, livro seu que será lançado em breve? O que podemos esperar dele?

RL: Em 2008, um dos meus amigos mais próximos se matou, depois de uma situação muito complicada. Fui uma das últimas pessoas a estar com ele antes. O livro é sobre isso. Eu não queria adiantar mais, porém.

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Por Rodrigo Casarin

Está aí o verão. Principalmente nesta época do ano, é difícil passarmos um dia sem ver na tevê, escutar no rádio ou ler em alguma revista ou site alguém falando sobre como cuidar do corpo. A ordem é clara: todos precisam estar em forma. Ser saudável não basta, é preciso ser sarado. É preciso que seu corpo esteja de acordo com os padrões de beleza atuais, nada de se achar bonito apenas por seguir critérios renascentistas. Ter uma barriga passa a quase ser um crime. Se ainda o barrigudo for flagrado se deliciando com uma bela porção de calabresa acebolada e um tonel de cerveja, aí o julgamento e a acusação são inevitáveis: precisa se cuidar mais.

E ta lá no programa das 13h20: tome suco de clorofila com jaca para diminuir a barriga; na revista semanal: corra 150km por dia e coma apenas mato para atingir o corpo perfeito; na Internet: plante a própria melancia e conquiste o corpo da mulher fruta da estação… É um policiamento constante, uma lavagem cerebral permanente.

Claro que ter um corpo saudável é importante, contudo, não é isso que pregam, não se enganem. Basta ver a quantidade de pessoas que tomam diversos tipos de substâncias maléficas ao ser humano apenas para atingir os formatos que nos empurram goela abaixo como sendo os ideais. Agora, se fingem querer que todos tenham uma saúde impecável, por que não desejam o mesmo para o cérebro?

Que interessante seria se assistíssemos na televisão, ouvíssemos nas rádios e lêssemos em qualquer canto sistematicamente coisas do tipo: “Você precisa ler mais, é importante para o seu cérebro”, “Não dê opiniões sem fundamentações básicas, estude o assunto antes de meter o bedelho”, “Ache o que quiser, mas saiba embasar os seus achismos”. Poderiam criar programas, que passariam no horário nobre, com dicas de leituras e debates sobre obras consagradas. Com o tempo, as pessoas se acostumariam com nomes como Tolstoi, Philip Roth, Gabriel Gárcia Márquez, Cristovão Tezza ou Jorge Luis Borges. Ficariam íntimas de Ryszard Kapuscinski e Charles Bukowski. Não estranhariam aquele gordo que continua comendo feito um porco, mas qualquer um que não saiba o mínimo sobre Dostoievski.

Obviamente outros programas abordariam outras manifestações artísticas. Os filmes enlatados dos Estados Unidos dariam lugar a verdadeiras obras de arte. Menos Spielberg, mais Ricardo Darín, Almodóvar e Lars Von Trier. Em seguida, discussões sobre as obras e como elas se encaixaram no contexto da época em que foram filmadas. Outras formas de se expressar também teriam seu lugar, tudo para que o cérebro de cada um seja realmente desenvolvido.

Alguns bons anos depois, teríamos muito mais pessoas cultas e verdadeiramente inteligentes por aí, com real capacidade para lidar com os problemas, com uma dimensão muito maior da realidade, que saberiam conviver muito melhor com as diversidades e respeitar o próximo. O próximo, esse sim, poderia ser gordo, magro, tanto faz, desde que saudável. Saudável de corpo e, principalmente, de mente (com o perdão do cacófato).

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Por Fred Linardi e Rodrigo Casarin

Escritor, jornalista e professor, com mestrado em Jornalismo pela Universidade de São Paulo e doutorado em Letras pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Renato Modernell dedica boa parte de sua carreira às narrativas de viagem, gênero que ensina no próprio Mackenzie e na Academia Brasileira de Jornalismo Literário (ABJL). Autor de Viagem ao pavio da vela, Sonata da última cidade (que levou um Jabuti), Che Bandoneón e Meninos de Netuno, entre outros, publicou recentemente Em trânsito – um ensaio sobre narrativas de viagem. E é exatamente a relação de viajantes com as palavras que norteia o papo abaixo.

Canto dos Livros: O que é uma boa narrativa de viagem?

Renato Modernell: É uma narrativa que revela percursos não apenas no mundo externo, mas também na geografia da alma do viajante.

CC: O que rende uma narrativa de viagem rica? Tempo e dinheiro são barreiras a serem rompidas nesta categoria?

RM: O viajante autêntico estabelece sua própria noção de tempo, que não tem necessariamente a ver com aquele do calendário ou do relógio, mas antes com o ritmo pelo qual ele assimila as coisas que vai encontrando ao longo do caminho.

CC: No Brasil, essas narrativas ainda dependem de ações independentes dos autores para serem realizadas?

RM: Não apenas disso. Há instituições que, vez por outra, dão apoio a projetos que envolvem viagens. É o caso, por exemplo, das conhecidas aventuras marítimas de Amyr Klink. Isso depende muito do tipo de viagem e também da notoriedade da pessoa. Como regra geral, é melhor o repórter viajante tentar custear a viagem por conta própria, porque deste modo ficará mais livre e mais aberto para o que der e vier.

CC: Quais obras dessa modalidade você indica? Por quê?

RM: A última casa de ópio, de Nick Tosches, é um texto cativante e que vai muito além da viagem em si, constituindo uma bela crítica (na verdade, uma sátira) da sociedade consumista em que vivemos. Os anéis de Saturno inaugura um novo modo de observar os fatos, e creio mesmo que seu autor, W. G. Sebald, é uma figura tão importante para a literatura quanto Lars von Trier o é para o cinema. Um adivinho me disse, de Tiziano Terzani, mostra a surpreendente transformação pessoal do viajante ao longo da viagem, e tem também ingredientes romanescos bem trabalhados. Viagem à Itália, de Goethe, é um clássico escrito por um gênio da literatura, e por isso indispensável.

CC: Por que as narrativas de viagem, principalmente as de não ficção, ainda são raras de se encontrar nas livrarias?

RM: Não creio que sejam raras. Ao contrário, tenho visto muita coisa saindo por aí. Podem não ser todas de qualidade, é claro, mas isso é outro assunto. As Modismos como a peregrinação a Santiago de Compostela, por exemplo, ou mais recentemente as incursões à Patagônia, ajudam a divulgar esses lugares, o que é bom, em tese, mas ao mesmo tempo pasteurizam a forma de observá-los, nivelando por baixo, o que é ruim. Mas relatos de viagem são produzidos às pencas. As pessoas viajam e anseiam por contar o que viram, mesmo que seja aquilo que todo mundo já sabe.

CC: Ao seu ver, qual a relação entre narrativas de viagem e o jornalismo literário?

RM: A narrativa de viagem está dentro do campo do jornalismo literário, valendo-se de suas técnicas e de seus pressupostos.

CC: Como está sendo levar as narrativas de viagem para a academia? Como tem sido a aceitação dos colegas? Quais pesquisas você destaca nessa área?

RM: A cada semestre me surpreendo com o número crescente de alunos de jornalismo que se inscrevem na disciplina optativa Narrativas de Viagem, que ministro no Mackenzie. Em agosto deste ano, publiquei “Em trânsito – Um ensaio sobre narrativas de viagem”, pela Editora Mackenzie, mas não conheço outro trabalho congênere. No Brasil, há muito pouca coisa publicada sobre o assunto em termos de reflexão teórica. Mas isso pode mudar nos próximos anos, acredito.

CC: Sua produção em livros é predominantemente ficcional. Após você ter viajado por vários países do globo, a pergunta que fica é: para escrever narrativa de viagens é preciso resistir à tentação de criar um romance?

RM: Uma coisa não elimina a outra. Um certo toque romanesco é bem-vindo em tudo, até num relatório, e na narrativa de viagem mais ainda, já que o viajante, mesmo que não se dê conta disso, é levado a um estado de fabulação inerente à própria viagem. Esta é uma das teses secundárias de meu livro. Um romance, porém, é outra coisa. Trata-se de uma modalidade de escrita muito mais complexa, flexível e profunda. Não basta romancear para se fazer um romance. É preciso atender a um chamado, uma espécie de convocatória, um apelo que parte do próprio livro, ainda inexistente, à espera de um autor.

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