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Posts Tagged ‘literatura erótica’

Rodrigo Casarin

Os-Cadernos-de-Dom-RigobertoConhecido principalmente por obras como A cidade e os cachorros, A guerra do fim do mundo e Conversas no Catedral, pelo prêmio Nobel de 2010 e pelas polêmicas com Gabriel Garcia Márquez, Mario Vargas Llosa também é um grande autor de literatura erótica. Os cadernos de dom Rigoberto traz a continuação da história que começa em Elogio da madrasta.

Valiosos são os cadernos que trazem as inusitadas fantasiais sexuais de Rigoberto e a ambigüidade de Fonchito, que, agora adolescente, continua vivendo no limite entre a ingenuidade e a sedução – ora pendendo para um lado, ora para outro – e confundindo a sua madrasta, Lucrecia – nome que já diz muito sobre a personagem. Se no primeiro volume o garoto foi o responsável pela separação de Rigoberto e Lucrecia, na continuação ele tenta fazer com que os dois voltem a se unir.

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Por Rodrigo Casarin

capa_historia_O - 2.inddEm 1954, a francesa Pauline Reage publicou A história de “O”, um clássico da literatura erótica. O livro, obviamente, narra a história de O, uma bela mulher que é levada por René, seu amante, a uma mansão onde é submetida a diversas e cada vez mais intensas práticas de dominação e submissão. Com grande apelo sexual, um dos méritos do trabalho de Reage é não se limitar somente ao tentador plano físico, como acontece com muitas obras do gênero, mas tocar também o psicológico de sua protagonista.

Passados alguns anos, em 1975, o quadrinista italiano Guido Crepax, famoso por ser o pai da personagem Valentina Rosselli, transpôs A história de “O” para os quadrinhos. A adaptação, que acaba de ser relançada no Brasil pela L&PM, tem uma intensidade erótica imensa. Raríssimas são as páginas que não contam com algum elemento sexual explícito. Contudo, difere em um ponto crucial de outros quadrinhos adultos.

É comum que em HQs tidas como eróticas o enredo seja refém do sexo, que exista apenas para levar o leitor de uma cena apimentada a outra, fazendo com que os livros tenham histórias terrivelmente pobres, quase inexistentes. Uma obra famosa no meio que exemplifica muito bem isso é a paupérrima Clic, de Milo Manara. Nela, tudo funciona somente para que Claudia Christiani, a protagonista, tire a roupa.

Outros títulos apresentam problemas semelhantes. Os contos gráficos de Giovanna Casotto, da própria Giovanna Casotto, e Chiara Rosenberg, de Roberto Baldazzini e Celestino Pes, por exemplo, são quase tão rasos quanto Clic. Superior a todos esses trabalhos é a série Bórgia, de Manara em parceria com o cineasta Alejandro Jodorowsky. Nos quatro volumes que compõem a obra,  a sexualidade está bem inserida dentro da forte história da família Bórgia à frente da Igreja Católica, resultando em um conteúdo mais sólido. Entretanto, ainda há um grande fosso que as separa a HQ das histórias – eróticas ou não – absolutamente boas.

Ao analisar os trabalhos de Crepax, o jornalista e crítico italiano Marco Giovannini também detectou esse problema. Ele assina o prefácio da versão em quadrinhos de A história de “O”, onde escreve sobre o nível de leitura das obras do quadrinista. Como o texto aborda HQs com qualquer conteúdo, tratando o enredo como “uma aventura a ser contada”, também toca as eróticas:

“O primeiro nível de leitura, o mais simples, é aquele tradicional da leitura dos quadrinhos. A vinheta, o diálogo, o balão, o rumor. E assim por diante. Até completar a história. É o mais simples e o menos interessante em Crepax: ele, de fato, como narrador puro e simples, como criador de histórias de aventuras, não é o melhor autor de quadrinhos italiano, e nem está entre os melhores. Existe um abismo entre os desenhos, sempre impecáveis, perfeitos, minuciosos, e os nexos, as relações, os movimentos da história que, ‘aventurosamente’ falando, são simples demais ou, até mesmo, inexistentes”. 

Há uma linha muitas vezes tênue e abstrata, de caráter sempre pessoal, que separa uma “história com fortes cenas de sexo” de “fortes cenas de sexo interligadas por uma quase-história”. Mais do que um jogo de palavras, essa distinção é fundamental. É o que diferencia, ao meu ver, uma obra erótica de uma obra pornográfica – e aqui a lógica vale para a literatura, os quadrinhos, o cinema ou qualquer outro tipo de arte.

Uma possível explicação para que a adaptação de A história de “O”, uma obra erótica, seja mais consistente do que outros trabalhos de Crepax – e outros quadrinhos adultos – provavelmente está em sua origem literária. A história já estava pronta, bastava adaptá-la ao formato desejado, e isso o italiano realizou com maestria. Toda a maneira como a trajetória de O se desenrola – sua preparação, os novos desafios impostos, a reação dela às novidades – e como tudo isso impacta na personagem foram muito bem transpostos para os desenhos, que garantem à obra a consistência e o tom artístico que se espera de uma boa HQ.

E talvez as adaptações literárias seja mesmo um possível caminho para os quadrinistas que gostam de desenhar belas mulheres e cenas de sexo, mas (ainda?) não possuem capacidade criativa suficiente para desenvolver grandes histórias que comportem o talento com os traços. Particularmente, adoraria ver obras como Animal Tropical, de Pedro Juan Gutiérrez, e A casa dos budas ditosos, de João Ubaldo Ribeiro, transformados em quadrinhos. Alguém se habilita?

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elogioDom Rigoberto e dona Lucrécia vivem um grande romance. O respeito, carinho e admiração entre os dois são grandes; o sexo, pleno e satisfatório. Além dos dois, a mansão em que moram é habitada por empregadas e Alfonso, filho de dom Rigoberto, fruto de seu primeiro – e mal sucedido – casamento. Fonchito, como é chamado carinhosamente o menino, é um pré-adolescente exemplar, bom aluno e filho disciplinado, e com os desejos sexuais começando a aflorar.

Certo dia, enquanto Rigoberto realiza o seu ritual de banho – quando, após passar pelo chuveiro, dedica-se longamente à higienização de alguma parte do corpo – Lucrécia vai, somente com sua sensual roupa de dormir, ao quarto de Fonchito lhe dar boa noite. Ao perceber as curvas do corpo da madrasta o garoto se encanta e, ao ser abraçado pela mulher, agarra-se a ela como jamais havia feito. A partir daí, começa a vê-la com outros olhos. O menino, então, passa a fazer de tudo para agradar, chamar a atenção e aproveitar cada momento, cada toque, de Lucrécia. Todavia, após perceber a mudança de postura de Fonchito e se afastar por um momento do jovem – que chega a cogitar um suicídio por isso – a relação entre os dois se torna mais intensa, até o momento em que acabam transando.

Incursão do renomado e influente escritor peruano Mario Vargas Llosa no gênero romance erótico (como está escrito na orelha do livro), um dos principais trunfos de “Elogio da Madastra” é, ao final, deixar o leitor com a dúvida de até que ponto as atitudes de Fonchito são realmente ingênuas, como sugere praticamente toda a narrativa. Outro ponto alto é a descrição da relação sexual entre dom Rigoberto e dona Lucrécia, ainda no começo do livro.

Os capítulos que tratam da história em si são intercalados por outros menores, no qual quadros são apresentados e inspiram uma narrativa paralela que, de alguma forma, relaciona-se com a trama principal.

A parte desagradável do livro acaba sendo a escolha de palavras excessivamente rebuscadas em determinados momentos, só não sei se isso foi uma opção do próprio Vargas Llosa ou de Remy Gorga, que traduziu a versão que li (cuja capa não é esta que ilustra o post e o título foi traduzido como “Elogio à madrasta”), publicada em 1988 pela editora Francisco Alves.

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