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Posts Tagged ‘Luis Fernando Veríssimo’

Por Alberto Nannini

o-pacto_joe-hillQuando as pessoas que você ama lhe viram as costas, e sua vida se torna um inferno, ser o diabo não é tão mau assim”. Esta é a chamada de capa do livro O pacto, de Joe Hill. Fisgou minha atenção numa livraria, e me levou a ler a sinopse e as orelhas, achando-o instigante, até finalmente comprá-lo.

Depois de já começada a leitura, meu amigo César me informou que Joe Hill é filho de Stephen King, para meu espanto. Embora não seja uma regra absoluta (vide Antonio Prata e Mário Prata, Érico Veríssimo e Luis Fernando Veríssimo, dentre outros), não utilizar o sobrenome famoso, quando se tenta o mesmo ofício que o pai bem sucedido, é um bom sinal e soa corajoso.

Uma história de chifres

O livro fala sobre um rapaz, Ignatius Perrish, o Ig, que vive um pesadelo dantesco: o amor de sua vida, Merrin, foi estuprada e assassinada, e todos acham que ele é o culpado, já que eles tinham rompido o namoro e brigado feio na noite do crime. Inocentado mais pela influência da família do que por provas, um belo dia ele acorda com chifres (que é o título original da obra – Horns). As pessoas veem os chifres, mas quase não se assustam, logo se esquecem de tê-los visto, e começam a contar a Ig seus desejos e pecados mais secretos.

Ig está se tornando o (ou um) diabo, e quer descobrir quem matou Merrin e por que, e se vingar. Parece que será uma tarefa fácil. Mas, a princípio, os chifres e seu poder de fazer as pessoas confessarem se mostram mais como um incômodo constrangedor do que uma vantagem, já que Ig descobre segredos inconfessáveis de seus parentes, amigos e até desconhecidos, e também o que eles pensam dele de verdade. Mas fica muito pior: em matéria de maldade, perto de muitos humanos, diabos são reles amadores, e a jornada do novo chifrudo será, literalmente, um inferno.

Impressões sobre o livro

A construção de personagens é talvez o ponto alto da trama. Ig, Merrin e Lee Torneau, o melhor amigo de Ig (antes do crime), são muito bem delineados, e parecem saltar das páginas para o mundo. Ficaram bem reais. Outros personagens, como Gleena, namorada de Ig após o crime, e Terry, seu irmão, também mostram, em sua caracterização e ações, perfis psicológicos consistentes. Isto é fundamental para que tramas que tenham um pé no sobrenatural fluam de maneira satisfatória. Ponto para o autor.

A divisão dos capítulos, que procura alternar o ponto de vista entre os três protagonistas, funciona muito bem. Suas motivações e o tipo de elo que os une, além das impressões que tem uns dos outros, engrenam perfeitamente.

Outro ótimo mérito é a premissa do homem se tornar o diabo. Bastante criativa, abre o leque para uma série de interpretações e considerações, que serão retomadas mais à frente.

O estilo de escrita é condizente. Há palavrões quando cabem, e não há abuso de adjetivos. A tradução parece não comprometer, embora tenha encontrado pelo menos um erro grave nela (tudo indica que foi traduzido terrific como terrível). Mas as pouco mais de 300 páginas passam bem rápido, e o livro prende, na expectativa do desfecho que explique as ações dos personagens e que mostre a trajetória do novo diabo.

Como pontos negativos, não me convenceu bem o fato de todos acharem que Ig era o culpado pelo crime de estupro e morte da namorada e grande amor de sua vida. As narrativas de sua história, que incluem episódios da infância e adolescência com Lee e Terry, e também do momento em que conheceu Merrin e sua paixão instantânea por ela, nunca demonstraram que ele seria capaz de um ato como este – já que foram namorados por seis anos até o crime, e tinham rompido naquela noite, numa briga triste mas nada fora do comum, como bem sabe qualquer um que já tenha terminado algum relacionamento.

Além disso, com todo o aparato tecnológico que existe para se apurar crimes – especialmente os de grande apelo popular, de caráter sexual e que envolva famosos ou seus parentes, como no caso – dificilmente não seria desvendado.

O surgimento dos chifres poderia ter sido melhor amarrado. Talvez eu não tenha entendido direito a origem deles (tenho algumas hipóteses que não posso revelar, porque seriam spoilers), mas o fato é que eles surgem sem explicação, cerca de um ano após o crime; Ig está vivo, conversa e convive com todos que o toleram, embora esteja reduzido à condição de pária e beberrão.

Lá pelo fim, há uma explicação da atitude de Merrin, sobre o fim do namoro; achei desnecessária. Tenta amarrar bem esta ponta, e erra a medida. Muitas outras pontas terminam soltas, como o destino final de Ig.

De qualquer forma, é um livro notável, no meu entender, tanto pelos méritos e até pelos deméritos artísticos, como pela discussão que traz à baila: a personificação do mal.

O diabo e outros males

Na minha última resenha/artigo, que falava sobre o genocídio em Ruanda, perguntei se você, leitor, acredita que o Mal seja personificado. Uma tirinha de Calvin e Haroldo (brilhante!) que ilustra o artigo lança um olhar interessante:

Calvin: Você acredita no demônio? Sabe, um ser supremo, maligno, dedicado à tentação, corrupção e destruição do homem?

Haroldo: Não sei se o homem precisa desta ajuda…

Discutindo um pouco a origem do mito, tudo remete às dicotomias, e à natureza dual do homem. Quase sempre precisamos do oposto para entender algum conceito: claro/escuro, longe/perto, bem/mal.

O Deus único é um conceito relativamente recente. Por isso, chegaram a nós bem documentadas as tradições de muitas civilizações mais antigas que cultuavam panteões de deuses, como o caso da grega, um dos pilares da civilização ocidental. E há outras que ainda são assim nos dias de hoje, como o hinduísmo e algumas religiões africanas.

Este Deus único e seus pressupostos de perfeição – Onipotência: tudo poder; Onisciência: tudo conhecer e ver e Onipresença: estar em todos os lugares – gera alguns paradoxos, como o problema da existência do mal. Tal aspecto é tão importante que, conforme já havia citado no mesmo artigo de Ruanda, o filósofo Leibniz sistematizou uma corrente de pensamentos que procura conciliar a existência dele com a existência do mal – a Teodiceia, e a cisma entre os teístas e os ateus (especialmente os modernos ateus militantes, como Richard Dawkins, Sam Harris e o falecido Christopher Hitchens) baseia-se principalmente nisto.

A solução mais comum e antiga sempre foi a personificação da maldade em um opositor – o diabo, com a origem de todos os males sendo a ele atribuída.

A face do Mal

O antagonismo ao deus único já figurava no zoroastrismo, religião monoteísta mais antiga que se tem registro. Nela, o opositor era Ahriman, ainda que não representasse propriamente uma entidade, mas sim uma manifestação de tudo o que é negativo.

Na tradição judaico-cristã, o diabo, originalmente, tinha outra atribuição, como o próprio nome dizia: acusador. Conforme se desenrolam as narrativas da Bíblia, vai mudando de função. Ele se torna a serpente, que dá o fruto da árvore do conhecimento do Bem e do Mal (só este nome é mais que significativo…) à Eva; em Jó, vira o adversário, que tem livre acesso a Deus, e O contesta, quando Ele aponta Jó como exemplo de homem íntegro. Segundo o diabo, Jó só era assim porque tinha todas as graças. Então, Deus autoriza que se tire tudo de Jó, poupando-lhe só a vida.

No novo testamento, Jesus se encontra com o diabo, que por três vezes lhe tenta a cair. Demônios são expulsos das pessoas, e depois, os apóstolos advertem para as pessoas se defenderem das artimanhas do tinhoso. No livro de apocalipse, se dá a batalha final do diabo contra as hostes angélicas, e o dia do juízo final, onde todas as pessoas, vivas e que já morreram, serão julgadas e terão que enfrentar seu derradeiro destino: subir aos céus, aonde reina Jesus, ou ser banida para o inferno, e lá sofrer por toda a eternidade.

Na cultura, o diabo é um personagem riquíssimo, e já figurou em literatura, peças, filmes e muitas outras manifestações artísticas – além deste livro.

O sermão de fogo

Aproveitá-lo em seu enredo, e reinventá-lo totalmente foi a sacada do autor em O pacto. Afinal, quem está ali é sempre Ignatius (trocadilho no nome do inglês igneous – ígneo: que é de fogo). Ele se torna um quase-diabo, mas é sempre ele por baixo dos chifres. Meio como Peter Parker se tornar o Homem Aranha.

Sem apologia ao ateísmo, Joe Hill ataca os estigmas usuais do diabo e de deus, com um jocoso “sermão de fogo”. Só isso já vale o livro. Cito apenas dois trechos dele para você apreciar ou contestar:

Há muito tempo Satanás é conhecido como o Adversário, mas Deus teme muito mais às mulheres do que ao diabo, e Ele está certo. Ela, com seu poder de trazer vidas ao mundo, é quem foi realmente feita à imagem e semelhança do criador, e não o homem.

O diabo sabe que só aqueles que têm coragem de arriscar a alma por amor merecem ter alma, mesmo que Deus não saiba.

quadrinhos carlos ruasSua interpretação diferente do papel do diabo não é nova, mas tem personalidade. Saramago, ateu declarado, reviu o papel do adversário em seu clássico O evangelho segundo Jesus Cristo (já indicado aqui no Canto dos Livros). Para ele, o diabo é muito mais próximo da humanidade do que Deus. Outro autor consagrado que inverteu o conceito da figura (Lúcifer, no caso) foi Neil Gaiman, em seu clássico Sandman (que muitos julgam ser a melhor história em quadrinhos já publicada). Seu Lúcifer é quase discreto, e está cansado de cuidar do inferno, o larga e vem viver entre os humanos.

A mitologia do anjo caído

Toda a história criada a respeito de um arcanjo que era o mais bonito, mas que caiu em desgraça pelo pecado do orgulho, é uma mitologia muito bonita e rica. Pensando bem, não difere, em sua estrutura, daquelas que ninguém leva ao pé da letra, como as de diversos exemplos da mitologia grega – como Hades ter se tornado senhor dos infernos, e que depois sequestrou Perséfone e deu origem às estações do ano.

Indo um pouco mais a fundo na do arcanjo caído – Lúcifer, que embora se confunda com satanás e com o diabo, não é o mesmo ente – o orgulho foi a causa de sua queda. Ora, veja se este orgulho que ele teve não é tal e qual o do filho primogênito, que tem a atenção roubada pela chegada do caçula. Não parece igual? O amor confundir-se com o ciúme é algo humano, demasiado humano. E que pai expulsaria seu primogênito, por ele dizer e acreditar ser melhor e mais bonito que o filho mais novo? (O caçula de Deus, segundo a tradição, é a humanidade). O que há de fora do comum nisso? Tudo bem que a mitologia de Lúcifer diz que ele queria usurpar o posto de Deus. Este é um pecado mais grave, mas danação eterna sempre me pareceu exagero, até para o diabo, que um dia amou a deus e foi amado por ele.

Mas quais pecados são além da redenção?

Difícil responder. De qualquer forma, é de se pensar: se Deus detesta os pecadores, e o diabo os pune, ambos não estariam do mesmo lado?

Bem, Deus tem critérios misteriosos. Algumas coisas este deus não aceita, e insurgência, como bem sabem Lúcifer, Adão e Eva, parece ser o pecado mais grave aos seus olhos – tal e qual qualquer ditador.

Personalização de deus

Na minha opinião, toda esta polêmica e os furos irremediáveis da mitologia cristã se dão pela personalização excessiva de deus. Algo perfeitamente compreensível, ao se ver os atributos que tinham as antigas deidades.

Para um povo nômade e continuamente expulso, como os judeus, ter um deus senhor dos exércitos fazia bastante sentido. Já hoje, sabendo o que há numa guerra, e pensando que todos são seus filhos, é, no mínimo, um contrassenso.

Deus ter “inimigos” entre os humanos é uma desproporção. Ele tomar partido de um povo e auxiliá-lo em guerras contra outros é ingênuo. Era exatamente o que eu desejava quando era pequeno e os caras grandes na escola me batiam – torcia para Deus se vingar deles por mim (o que, felizmente, parece nunca ter acontecido).

Ou seja, a visão de deus e do diabo de muitos – até mesmo a de religiões – é muito semelhante à visão de super-heróis e super-vilões que é tão comum hoje. Deus é o super-herói supremo, e o diabo, o arquivilão. Além de ser algo incrivelmente infantil, também é uma redução de sentido totalmente disparatada. Um ser onipotente teria mais o que fazer do que se preocupar com orações bem feitas, adorações e pecados.

Pretendo retomar esta discussão em outra resenha. Há muito para se considerar sobre isso.

Pobres diabos

Joe Hill parece promissor. Seus livros tem feito sucesso e ele angariou muitos fãs. Quanto ao O pacto, li resenhas apaixonadas sobre, pessoas que o consideraram o melhor que já leram. Acho que não é para tanto. É um bom livro, uma história bem construída e contada, ainda que tenha algumas falhas, na minha opinião, que, se sanadas, resultariam em uma obra mais coesa.

De qualquer forma, se o ler, preste atenção ao “Sermão de Fogo”, uma contraposição ao Sermão da Montanha, sem contudo desrespeitá-lo ou desacreditá-lo (o que não seria possível, de qualquer forma).

Talvez o diabo esteja com os dias contados. Disse o sociólogo francês Michel Maffesoli, em seu livro A parte do diabo: “a pessoa plural num mundo policultural tende a integrar o mal como um elemento entre outros”. Ou seja, o mal personificado vai perdendo sua função, e o diabo vira um personagem literário.

Sobre a maldade dele, me assustam mais os homens em qualquer guerra, ou munidos de alguma justificativa semelhante, ou simplesmente possuídos (?) pelo ódio e pela ignorância. Pobres diabos, estes (sub)humanos. Concordo com o que cantam os Racionais MC’s, em seu clássico “Diário de um detento”:

Já ouviu falar de Lucífer? / Que veio do Inferno com moral, um dia… / No Carandiru, não… ele é só mais um. / Comendo rango azedo, e com pneumonia…

E, por último, a respeito destas e de outras crenças, o magistral Joseph Campbell:

Mitologia é o nome que damos às religiões dos outros..

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Começa hoje e vai até domingo a décima edição da Flip, a Festa Literária Internacional de Paraty. Para quem não pode ir à cidade fluminense para estar no evento literário mais importante do país, o que resta é fazer como eu e acompanhar as palestras pela Internet. Todas serão transmitidas pelo site da festa, que é este aqui: http://www.flip.org.br/

Por lá você também poderá conferir a programação completa da Flip. Dentre todas as mesas, as que destaco são:

– A abertura com Luis Fernando Veríssimo, nesta quarta, às 19h.

– “Apenas Literatura”, com Enrique Vila Matas, Alejandro Zambra e mediação de Paulo Roberto Pires, na quinta, às 15h

– “Ficção e história”, com Javier Cercas, Juan Gabriel Vasquez e mediação de Ángel Gurría-Quintana, na quinta, às 17h15

– “Autoritarismo, passado e presente”, com Luiz Eduardo Soares, Fernando Gabeira e mediação de Zuenir Ventura, na quinta, às 19h30

– “O mundo de Shakespeare”, com Stephan Greenblatt, James Shapiro e mediação de Cassiano Elek Machado, na sexta, às 12h

– “Encontro com Jonathan Franzen”, com mediação de Ángel Gurría-Quintana, na sexta, às 19h30

– “Pelos olhos do outros”, com Ian McEwan, Jennifer Egan e mediação de Arthur Dapieve, no sábado, às 12h

– “Música para malogrados: conferência de Enrique Vila Matas”, no sábado, às 19h30

– “Mesa Los Amigos”, com Angeli, Laerte e mediação de Claudiney Ferreira, no sábado, às 21h30

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Desde que me tornei um leitor mais assíduo – e lá se vão bons anos – costumeiramente penso sobre formas de incentivar a leitura em um país que não a tem como tradição primária. Mas, em contrapartida, também penso sobre alguns meios que vez ou outra surgem em larga escala, mas que são absolutamente controversos.

O batido conselho “deve-se ler tudo, não importa o tema, nem que seja bula de remédio”, ainda que soe num tom quase desesperador, não apresenta nenhuma grande surpresa, afinal, é realmente melhor que o hábito de ler comece de alguma forma, nem que pelo desenvolvimento de uma possível hipocondria.

Entretanto, uma das formas de “incentivo” que surgiu com a popularização da internet, e que me incomoda desde que comecei a usar ativamente uma conta de e-mail, é a dos textos apócrifos. Para quem não sabe, um texto apócrifo é um texto cuja autoria é duvidosa ou não pode ser verificada, ou seja, com grandes chances de ser falso – ou falsamente atribuído a alguém, claro.

Pois é, levante a mão quem aqui nunca recebeu por e-mail (por mais bem intencionado que fosse o remetente) um texto fofo e meigo, “assinado” por Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Mario Quintana ou, o mais comum, o gaúcho Luis Fernando Verissimo. Arnaldo Jabor, Fernando Pessoa e Vinícius de Moraes também têm a “honra” de alguém lhes dar a paternidade de textos piegas, excessivamente sentimentais e, no geral, notadamente mal escritos.

Esses fatores, obviamente, evidenciam a falsidade dos textos, que geralmente fogem por completo do estilo dos autores a que são atribuídos, mas não são os únicos. Muitas vezes o descuido com a estética da escrita – é comum ver erros de grafia nas palavras, muitas vezes provocados pelo encurtamento que a escrita na Internet promoveu, como, por exemplo, em “vc” – ou até mesmo na correta reprodução do nome do autor. Luis Fernando Verissimo é comumente reproduzido como Luiz Fernando Veríssimo (sic).

A origem mais comum de tais falsas atribuições é dar uma maior dimensão a textos de autores que estão começando, que certamente não teriam se fossem assinados por eles. Muitas vezes a má fé não parte dos autores, mas fica difícil identificar onde a fraude começou. Enfim, esse fato cai diretamente na discussão proposta, vale qualquer coisa para incentivar a leitura?

Bom, a minha opinião é terminantemente contrária a essa ou qualquer outra prática que, ainda que com o objetivo de incentivar algo producente, utilize-se de métodos que firam a ética e a moral, extremamente envolvidas na questão dos direitos autorais. Eu sei, não é tão simples assim identificar, só pela leitura, se um texto é ou não do autor ao qual está sendo atribuído. Mas, claro, é uma covardia passar adiante um texto de origem duvidosa, que muitas vezes propaga de modo medíocre – tanto em forma quanto em conteúdo –, de lista em lista, ideias recheadas de lugares comuns e obviedades, e que claramente não seriam assinadas por nenhum grande escritor.

Dessa forma, ainda que a mensagem seja legal, o conteúdo motivacional, ou simplesmente o texto contenha uma história engraçadinha, passar adiante textos cuja autoria não possa ser verificada é reforçar um padrão criado por alguém sem coragem de assumir as próprias ideias – ou que também foi “fraudado” sem saber – e que as atribui à credibilidade de nomes consagrados e que nada têm a ver com o que foi escrito.

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Ainda em tempo, já que o papo é incentivar a leitura por meios honestos e legais, uma dica é um movimento literário mundial que chegou ao Brasil e felizmente cresce a cada dia, o BookCrossing. Todas as informações a respeito podem ser encontradas no site (www.bookcrossing.com.br), mas a ideia central pode ser definida em três pilares básicos: ler, registrar e libertar. Resumidamente, o objetivo é transformar o mundo todo em uma biblioteca e, para isso, basta que você pegue um livro que já leu, registre-o e deixe em um lugar público para ser encontrado e lido por outro leitor, que por sua vez deverá fazer o mesmo. Sabemos o quanto às vezes é difícil promover o desapego com livros que fizeram e fazem tanta diferença em nossa formação, mas o Canto dos Livros apoia e incentiva o BookCrossing!

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A Casa do Saber irá realizar entre os dias 10 e 31 de maio o curso Futebol e Literatura. Serão quatro encontros que explorarão textos sobre futebol de nomes como Albert Camus, Carlos Drummond de Andrade, Eduardo Galeano, Luis Fernando Veríssimo, João Saldanha e João Cabral de Mello Neto. O escritor central do curso será Nelson Rodrigues

Dêem uma olhada na programação:

10/05 – A crônica esportiva como forma de arte

17/05 – Explicando o Brasil através do futebol

24/05 – O Fla X Flu do texto futebolístico: os irmãos Mario Filho e Nelson Rodrigues

31/05 – O futebol na poesia, nos roteiros de cinema e nas letras de música

Quem ministrará o curso será Marcos Caetano, cronista dos jornais O Estado de São Paulo e Jornal do Brasil, das revistas Piauí, Football e O2 e comentarias da RedeTV e ESPN.

Os encontros acontecerão na Casa do Saber Unidade Jardins / Mario Ferras das 20h às 22h. O preço é de 210 reais na inscrição e mais uma parcela do mesmo valor. Para mais informações, clique aqui.

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Luis Fernando Veríssimo é o tipo de pessoa que praticamente dispensa apresentações. Filho do grande escritor Érico Veríssimo, seguiu os mesmos caminhos de seu pai e, diferente do que acontece com muitos rebentos de grandes personalidades, não ficou apenas à sombra de seu progenitor.

Autor de textos memoráveis, cuja presença do humor e da ironia são elementos quase obrigatórios, Veríssimo (o Luís) funciona muitíssimo bem em crônicas e contos, tanto que há diversas antologias do autor com obras desses gêneros. Nas novelas e romances não atinge o mesmo padrão de excelência de seus textos mais curtos, porém, ainda assim realiza bons trabalhos. Seu vasto repertório também conta com tirinhas em quadrinhos, dentre as merece destaque As Cobras, publicadas às segundas-feiras no Terra Magazine. Gaúcho, é torcedor fanático do Internacional de Porto Alegre e quando se mete a escrever sobre futebol o faz muito bem, algo raro até entre os grandes nomes de nossa literatura.

Apesar de extremamente tímido e caseiro, Veríssimo tem certa relação com a noite. Apaixonado por Jazz, integra o grupo Jazz 6, que se autodenomina o menor sexteto do mundo, afinal, conta com somente cinco integrantes. Além disso, como uma forma de homenagem ao escritor, existe em São Paulo o Veríssimo Bar, um espaço que junta gastronomia com literatura e, obviamente, possui muitos detalhes inspirados na obra do gaúcho, como pratos com nomes de livros.

Uma justa homenagem que o Veríssimo Bar poderia prestar à alta qualidade do trabalho de seu homenageado seria trabalhar com uma das melhores cervejas do Rio Grande do Sul: a Abadessa, que chegou em São Paulo no começo deste ano e foi muito elogiada pelos cervejeiros paulistanos. Fundada em 2006, a cervejaria segue o estilo alemão de produzir cerveja, e nem poderia ser diferente, afinal, é do país dos chucrutes que seus donos vieram. Sua linha regular é composta por três rótulos: Slava Pilsen, Abadessa Helles e Abadessa Export.

Claro que nada mais típico do Rio Grande do Sul do que churrasco e chimarrão (e mulheres bonitas!), contudo, boa literatura (Veríssimo, no caso) e boas cervejas (como a Abadessa) também combinam bastante com o Estado!

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