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O antropólogo, sociólogo e filósofo francês Edgar Morin apresenta hoje, às 20h, no Sesc Consolação, a palestra “Consciência Mundial: por um conceito de desenvolvimento para o século XXI”, que abordará os dilemas que desafiam a humanidade nesse início de milênio, colocando em xeque os modelos hegemônicos de desenvolvimento que mostram estar em desacordo com os ritmos dos ciclos do planeta.

Os ingressos para assistir à palestra, que também será transmitida ao vivo pelo Portal SESCSP, são gratuitos e serão distribuídos com uma hora de antecedência no próprio local do evento..

Fonte: Portal Sesc

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Por Igor Antunes Penteado

O Beto, também colunista aqui no Canto, propôs, só pra variar, uma discussão interessante em seu último post, sobre a que ponto nossa natureza pode chegar se submetida e exposta a determinados tipos de situações, ainda que em ambiente controlado. Para tal, fez referência a um texto que fala um pouco sobre experimentos famosos, como os de Milgram e Zimbardo, que faço questão de linkar novamente aqui, de tão interessantes que são.

Esse é um assunto – e, de certa forma, tudo que gira em torno da “natureza humana” e determinados tipos de comportamento – que sempre despertou minha curiosidade. Às vezes, de maneira tão obsessiva que ajo como um próprio “retroalimentador” dessa questão de “até que ponto…”, tornando um tanto profundas demais certas buscas por esse conhecimento. E um dos assuntos que talvez mais me intrigue em todo esse cenário (e que obviamente se enquadra nesse questionamento do “até que ponto…”) é o da psicopatologia forense. O nome é tão feio quanto o objeto de estudo, ou seja, as mentes criminosas por trás de assassinatos e crimes hediondos.

Essa busca me levou até uma leitura bem indigesta, mas boa para aproximar a gente de situações que bastam um estopim para que aconteçam: Serial Killer – Louco ou Cruel?, da pesquisadora Ilana Casoy. Basicamente, o livro destina-se aos interessados em procurar descobrir até que ponto a mente humana é capaz de chegar, e tenham estômago forte.

Ilana também sempre foi curiosa sobre o que levava alguém a praticar atos tão bizarros como assassinatos em série e decidiu tirar um ano sabático para pesquisar o tema. A pesquisa acabou virando livro; ela, especialista no assunto (hoje, inclusive, Ilana trabalha em conjunto com a polícia para tentar desvendar crimes e prender os culpados).

Entre tantos e tantos questionamentos interessantes, a autora consegue nos levar por caminhos múltiplos nesse emaranhado que é a cabeça do ser humano, tentando compreender a fundo como uma mente pode ser tão perversa a ponto de não perceber o quão horrendos são alguns de seus atos. Como diz Percival de Souza (que assina o prefácio do livro), “Como não existem monstros, é um desfile incessante de parte da raça humana”.

É estarrecedor perceber que um episódio esporádico, de muito tempo atrás, pode dar início a uma natureza psicopata, a ponto de uma pessoa não saber sentir compaixão pelas outras, tampouco como se relacionar com elas, precisando aprender a imitar o comportamento de pessoas normais a fim de mascarar sua personalidade obscura.

Às vezes a máscara que o indivíduo cria é tão verossímil que nem ele próprio consegue se distinguir como uma única pessoa. É como se a mente perversa e doentia se separasse daquela que convive em harmonia com a sociedade (Ilana ilustra esse fato com casos bastante perturbadores ao longo do livro).

Outra questão interessante é notar que esse desvio básico na conjuntura que forma a personalidade de alguém – grosso modo, fatores biológicos, psicológicos e sociais – pode fazer um estrago irreparável, o que é sempre representado no livro por estudos interessantes sobre o comportamento, como, por exemplo, no trecho a seguir, que discorre sobre o momento em que descobrimos o quanto podemos interferir na vida do outro:

“Quando uma criança começa a provocar outra, notamos imediatamente um novo estágio em seu desenvolvimento: significa que ela já é capaz de se colocar no lugar de outra pessoa, concluir qual atitude sua vai irritá-la e então se utilizar desse raciocínio para aborrecer o outro.”

Em um mundo que cada vez mais nos submete a episódios traumáticos, de violência absurda e gratuita, Serial Killer – Louco ou Cruel?, que, como disse no começo,  não é uma leitura fácil, é fundamental pra quem pretende ir além na compreensão do comportamento humano, cobrindo até as facetas mais horrendas que existem. Você certamente sairá desconcertado, mas entenderá como poucos a origem e os mecanismos da violência.

Serial Killer – Louco ou Cruel?

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admiravelUma história atemporal é um dos requisitos mais lembrados dentre as razões que tornam um livro um clássico. “Admirável mundo novo”, do inglês Aldous Huxley, vai além. Escrito em 1932, a história é uma das principais referências quando o assunto é ficção cientifica, rótulo bem estipulado para os padrões da época. Acontece que, com o passar do tempo, o livro se tornou (e se torna) cada vez mais atual.

A história mostra uma sociedade onde as pessoas são produzidas em série, com características em comum e divididas em castas. Cada uma serve para algum tipo de trabalho especifico e os modos de vida são semelhantes. A história é ambientada em uma Inglaterra do futuro, onde Deus é banido e passa se chamar Ford, clara alusão aos donos de empresas e detentores da grana que comandam a sociedade.

Nas castas mais baixas, os livros são objetos proibidos e autores ocultados, para que as pessoas não questionem a teoria de que nada que é velho pode ser melhor do que as coisas novas. Por interesse das autoridades, a privacidade do individuo é banida e os sentimentos suprimidos pela “soma”, uma espécie de droga, que pode ser comparada ao álcool ou calmantes.

Talvez uma das partes mais emblemáticas do livro seja quando o administrador da sociedade explique o porquê as pessoas são feitas com repudio as flores: não poderiam gostar de alguma coisa com a qual não se pode ganhar dinheiro, pois os campos e jardins são gratuitos.

O ponto alto da história acontece quando um “selvagem” é integrado à sociedade. Vindo de Malpaís, lugar sem atrativos financeiros – portanto desprezado pelos ingleses – ele começa questionar de vida das pessoas vivem e a reivindicar seus direitos, funcionado como uma espécie de filósofo em uma sociedade que não pensa.

O que em 1932 foi escrito como uma obra de ficção cientifica hoje pode muito bem ser considerada uma abordagem de como pode ser o futuro (ou até mesmo o presente) da humanidade.

*Resenha resgatada do meu antigo blog

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