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Archive for the ‘Literatura & Cerveja’ Category

duas cabeçasA relação entre literatura e cerveja acaba de ganhar um novo e instigante capítulo. Para promover o lançamento da cerveja Saison à Trois, a cervejaria carioca 2cabeças pediu para que três escritores escrevessem contos que, obrigatoriamente, deveriam apresentar um ménage à tróis dentro de uma cervejaria.

“Nós gostamos de criar cervejas que tenham história para contar, além do próprio líquido. Trazer uma forma de arte para o lado da cerveja foi uma estratégia para diferenciar o produto. Já há uma tendência muito grande em relacionar cerveja e música. Mas por que só música? Hoje, para mim, fazer cervejas é uma forma de me manifestar artisticamente”, conta o cervejeiro Bernardo Couto, um dos líderes da 2cabeças.

Quem criou e comandou o projeto foi Bruno Couto, que convidou o escritor Aleksandro Nunes da Costa para ser o curador dos textos, também assinados pelas escritoras Adrienne Myrtes e Alessandra Safra. “A criatividade é uma arma poderosa para as micro cervejarias, pois precisam chamar a atenção e educar um consumidor que, em sua maior parte, não faz idéia do quanto é amplo e rico o universo das cervejas artesanais”, afirma Bruno.

Os contos “O garanhão do Sacomã”, de Alessandra, e “A espada do imperador”, de Aleksandro, já podem ser vistos no site da Saison à Trois, enquanto o de Adrienne estará disponível apenas no dia 28 de junho – dizem que é um suspensa para apimentar a relação. Bernardo esperará a cerveja chegar efetivamente aos pontos de venda para analisar o resultado da campanha e possíveis desdobramentos. “Já tem gente brincando que é a cerveja oficial do ‘por que você não chama uma amiga’. Como é uma cerveja que nasce de uma relação coletiva, vamos deixar também os amantes de cerveja e literatura entrarem na brincadeira… Vamos ver no que dá”.

A Saison à Trois é, como o próprio nome indica, uma saison, estilo da escola belga. Tem cor amarelo palha, leve turbidez e teor alcoólico de 5,8%. Na sua receita, além dos maltes de trigo e cevada, utiliza lúpulo neozelandês e sementes de coentro. Criação da 2cabeças, é produzida na cervejaria Invicta, de Ribeirão Preto.

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Por Rodrigo Casarin

A_MONTANHA_MAGICA_“Desde cedo eram um pouco anêmico, conforme verificou o Dr. Heidekind, que lhe prescreveu, para antes do almoço, após a aula, um volumoso copo de cerveja porter, bebida substancial, como se sabe, e considerada pelo doutor como altamente sanguificativa. Em todo caso a porter tranqüilizava consideravelmente a vitalidade de Hans Castorp e aumentava nele de modo benéfico uma determinada tendência para a ‘basbaquice’, como dizia o seu tio Tienappel, ou seja, aquela sua inclinação para sonhar, de boca aberta, sem pensar, e com o olhar cravado no espaço”.

Mais uma para a seção “Literatura & Cerveja”. Dessa vez, uma combinação entre uma das grandes obras da literatura alemã e um dos estilos mais tradicionais dentre os ingleses: A montanha mágica e porter. Hans Castorp, o protagonista da famosa – e magnífica – obra de Thomas Man n, é apaixonadoporter pela bebida, que toma inclusive em seu café da manhã. Uma pena que em nenhum momento a marca das cervejas tomadas pelo personagem seja citada – diferentemente dos charutos fumados, referencialmente Maria Mancini – mas com certeza lhe agradaria uma London Porter, da Fuller’s, o melhor exemplar do estilo que já provei.

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Por Alberto Nannini

vertigo02_escalpo2Uma crítica certeira o descreve como “Família Soprano indígena”. Trata-se de Escalpo (Scalped), série em quadrinhos de Jason Aaron e R.M. Guéra, publicada pelo selo Vertigo de quadrinhos adultos.

O enredo é o seguinte: houve um crime na reserva Rosa da Pradaria, na década de 70. Um índio, Lawrence Beaucourt, cumpre prisão perpétua, mas o grande chefe do grupo, Lincoln Corvo Vermelho, acusado de chefiar a Sociedade de Soldados Cães – o grupo que assassinou dois agentes federais do FBI – está solto, e se tornou uma espécie de chefão do crime, que vai inaugurar, nos dias atuais, um cassino na reserva.

Pois o agente federal Nitz, que era apadrinhado pelos dois agentes mortos, não esqueceu sua vingança, e sabe que Lawrence nada mais é que um bode expiatório. Ele jurou pegar Corvo Vermelho, custe o que custar.

E vai traçando um plano: traz de volta Dashiel Cavalo Ruim, índio muito problemático e de passado atribulado, que havia se exilado da reserva, como agente do FBI. Por meio de chantagem, o infiltra na organização criminosa, para flagrar Corvo Vermelho num crime e poder levá-lo preso.

O detalhe é que Dashiel é filho de Gina Cavalo Ruim: ex-amante de Corvo Vermelho, e integrante da Sociedade dos Soldados Cães, além de ter estado, com certeza, presente na noite do assassinato dos dois agentes, junto com Corvo Vermelho, Lawrence e um outro índio, o Apanhador.

Agentes duplos ou até triplos, traição, vingança, sexo, drogas e muita, muita desesperança. Tudo isso misturado num caldo de suspense por vezes insuportável, onde são todos contra todos, e ninguém é confiável.

Parcialmente inspirado em fatos reais – de um índio sioux, Leonard Peltier, preso e condenado à prisão perpétua acusado de assassinato de dois agentes federais em 1978, e que seria inocente (leia mais sobre este caso aqui) – , repleta de referências variadas, que vão desde as literárias às históricas e fantasticamente escrito, Escalpo é literatura pura, e uma série de aulas: de como escrever, como desenhar, como criar personagens, como traçar seus perfis psicológicos, como encadear uma história no limite da tensão, como tratar a violência brutal como algo meramente coadjuvante… Enfim, como escrever uma série tida como uma das melhores de todos os tempos.

Os quadros desenhados e a colorização remetem à aridez do clima, e há uma série de mensagens subliminares por todo o cenário: pichações nas paredes, camisetas dos personagens, a própria linguagem chula, tudo é orquestrado para virar um retrato cru e hiper realista de como é uma reserva indígena no meio do nada, afrontada em seu orgulho e violentada em seus costumes.

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Foi publicada em 60 capítulos nos EUA, e aqui, sai pela Panini, mensalmente, na revista “Vertigo”, que está no número 38.

É narrada na forma de arcos, que vão se encadeando e formando uma história coesa. Por exemplo, logo após o primeiro arco, de três edições, saiu um novo arco com uma espécie de introdução de alguns dos personagens, onde se conta um pouco do passado e se revela algumas de suas motivações.

Cerveja de trigo

Na edição nº 9, somos apresentados ao Apanhador, índio já na casa dos 60 anos, integrante da Sociedade dos Soldados Cães e cúmplice esquecido do crime. Com ele, o autor aproveita para revelar vários costumes dos índios Oglala Lakotas, como orações, crenças, termos, entre outros. Apanhador tem um dom: ele enxerga os totens das pessoas, ou seja, o animal que “empresta” suas habilidades ao seu hospedeiro. Seu totem é uma coruja, animal sábio, que muito observa. O problema é que ele não consegue ficar longe de uma tentação… As cervejas de trigo.

Dá para entender: uma outra história diz que a reserva indígena tem uma população minúscula e o maior consumo de cerveja dos EUA, e um dos maiores consumos per capita no mundo, o que procede: em reservas como a retratada, uma em cada quatro crianças nasce com a Síndrome do Alcoolismo Fetal.

Mas temos que convir que cervejas de trigo são mesmo uma enorme tentação. A cervejaria mais antiga do mundo, a Weihenstephaner, desde 1040 produz estas “perdições”. Sua cerveja Vitus, uma weizenbock, ganhou diversos prêmios, inclusive o de “Melhor Cerveja do Mundo”, no WBA – World Beer Awards, em 2011.

Afinal, é para se pensar: tomar uma ou duas cervejas de trigo, como eu faço para curtir, é uma escolha consciente. Tomar várias, até se entorpecer, adoecer e morrer, também é? Talvez a pergunta esteja mal formulada, e os conceitos precisem ser mais bem definidos. Mas “escolha” não tem o mesmo sentido no meu caso e no caso de índios abaixo da linha da miséria, muitas vezes mantidos apenas pelos programas assistenciais. E o prazer de ser tomar uma weiss, que eu tenho, não é o mesmo que eles buscam – e muito menos o que eles obtém. Veja este estudo.

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De volta à história

De qualquer forma, esta história magnífica nos permite desfrutar de uma trama cheia de suspense, violência, sexo, dor e humanidade, do conforto de nossas casas, talvez até bebendo uma cerveja de trigo – coincidentemente, minha predileta. Recomendo a experiência!

E assim, podemos, de uma feita só, se deleitar com a genialidade da dupla Aaron/Guéra, contando a melhor história em quadrinhos dos últimos tempos, enquanto nos interamos também da denúncia de toda a miséria dos estados mais pobres e da população mais desgraçada do poderoso Estados Unidos da América. Estas infelizes vítimas são justamente os habitantes originais: desalojados, humilhados, explorados e “civilizados”, a ponto de se perderem em tudo de ruim que este processo traz, e usufruírem quase nada de bom, em contrapartida.

Para refletir sobre esta condição, ou somente para curtir uma história magnificamente escrita – tomando ou não uma cerveja enquanto isso – procure Escalpo Se não curte muito histórias em quadrinhos, experimente começar com esta. Se já gostar, o que está esperando?

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“Postou-se em frente à modesta seleção de cervejas nacionais da Cooperativa de Fen City, Miller, Coors e Budweiser, e tentou se decidir. Sopesou um pacote de seis latas, como se pudesse avaliar de antemão, através do alumínio das latas, como iria se sentir se as tomasse. Richard lhe tinha dito que devia beber menos; bêbada, ela lhe parecera feia. Ela devolveu a cerveja à prateleira e forçou-se a procurar áreas menos atraentes da loja, mas era difícil planejar o que fazer à noite com vontade de vomitar. Voltou para as prateleiras de cerveja como um passarinho que repete seu canto. As diversas latas tinham decorações diferentes, mas continham todas a mesma cerveja fraca de baixa qualidade. Ocorreu-lhe ir até Grand Rapids e comprar vinho de verdade.” – trecho de Liberdade, de Jonathan Franzen, onde, infelizmente, a personagem pensa em trocar as cervejas vagabundas por vinho, não por cervejas de alta qualidade.

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Por Rodrigo Casarin

A variedade de cervejas no Brasil está cada vez maior. Principalmente nas grandes cidades, é possível achar uma enorme quantidade de rótulos dos mais diversos estilos. Frequentemente travestidas de cervejas especiais, artesanais, gourmets e afins, aqui trataremos estas maravilhas apenas como cervejas – o que realmente são, sem qualquer tipo de afetação.

Acompanhando esse momento cervejeiro, diversas editoras vêm colocando no mercado obras a respeito da nobre bebida. Uma das últimas a fazer isso foi a Senac, que lançou A mesa do mestre-cervejeiro – Descobrindo os prazeres das cervejas e comidas verdadeiras, escrito por Garret Oliver, o responsável pelo comando das panelas da cervejaria estadunidense Brooklyn, uma das mais renomadas do mundo.

Como o próprio nome já explicita, o calhamaço com quase 550 páginas trata da combinação entre boas cervejas e boas comidas, casamento conhecido como zitoharmonização, mas é muito mais do que isso.

Antes de se transformar em um dos cervejeiros mais renomados do mundo, Oliver se formou em cinema. Com certeza na faculdade ele adquiriu uma maior sensibilidade para a arte. Talvez também tenha sido por lá que tenha desenvolvido um pouco seu talento para a escrita. Mesmo quando deixa as preocupações de ser técnico e didático de lado, o texto de Oliver flui muito bem. Os melhores momentos do livro são quando conta suas próprias histórias com as cervejas e cervejarias. Talvez, se tivesse explorado mais este lado intimista, poderia ter transformado o texto em um bom ensaio pessoal, o que transformaria A mesa do mestre-cervejeiro em um livro interessante para quem está além dos meios cervejeiro ou gastronômico.

A obra também traz alguns dos que parecem se estabelecer como paradigmas do setor. Chamar a boa e competente Cilene Saorin para prefaciá-la é de uma obviedade enorme. Nenhum problema com Cilene, mas o meio cervejeiro nacional já conta com diversos nomes tão capacitados quanto ela para assinar um prefácio. Também não há como não considerar um grande exagero falar que uma cerveja possui sabor de lã úmida. Além disso, a insistência demasiadamente grande na comparação entre a cerveja e vinho, como se a primeira só pudesse ter sua importância se superasse a segunda em quase tudo, chega a irritar. Por fim, o preço, que parece ser o grande empecilho para o definitivo estouro dos mais variados estilos da bebida no Brasil, é outro problema do livro: uma obra de R$ 99,90 parece decididamente focar nos mais abonados, contribuindo para que continue havendo uma elitização do setor.

Contudo, apesar do preço elevado, A mesa do mestre-cervejeiro é, junto com Larousse da cerveja, de Ronaldo Morado, o que há de melhor sobre o assunto no país, uma obra fundamental para quem quer se aprofundar no assunto. Oliver não se limita apenas à combinação de cerveja e comida, resgata muito da história da bebida, de seus estilos, dos métodos de produção e hábitos cervejeiros. Como se não bastasse (e não bastaria, na verdade), tem o grande mérito de entregar ao leitor um texto legítimo, não um apanhado de informações e verdade absolutas. Apesar de contar com um quadro de harmonizações para consulta rápida, quem quiser realmente aprender com a obra terá que realmente lê-la e, ao fazer isso, muito provavelmente também se divertirá. Mesmo em um livro de essência técnica, um bom texto faz toda a diferença. Aliás, um bom texto faz toda a diferença, sempre.

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“No domingo, Viramundo, depois do almoço, ou seja, depois de comer num botequim um metro de lingüiça frita e tomar uma garrafa de cerveja Weiss, não tendo o que fazer nem aonde ir, estava zanzando nas proximidades do quartel, quando viu o tenente Fritas passar a cavalo em companhia de uma jovem graciosa e louçã, montada justamente no tordilho”.

Grande e agradável surpresa ver a inusitada preferência do personagem principal de O grande mentecapto, livro de Fernando Sabino lançado em 1979, por cervejas de trigo.

Atualização às 15h: fã de O grande mentecapto, o amigo Fred Lima, da Cervejaria Rock Beer, alertou que existia em Juiz de Fora uma cervejaria chamada Fábrica de Cerveja Weiss, que pertencia a José Weiss e produzia apenas uma “pilsen” de arroz com milho. Levando em conta a época e os lugares onde a história se passa, a chance de Viramundo ter consumido uma cerveja da marca Weiss, não uma de trigo, é bastante grande.

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Dois dos principais eventos dos meios literário e cervejeiro acontecem essa semana. Paraty receberá entre os dias 6 e 10 uma enxurrada de leitores e escritores para a Flip, enquanto São Paulo recepcionará hordas de beberrões (e não me venham com essa história de “bebo menos, pois bebo melhor”, por favor) para a 11ª edição da Brasil Brau, que acontece do dia 5 ao 7 no Transamérica Expo Center.

A Festa Literária Internacional de Paraty já é o principal evento do setor no Brasil, já que as Bienais passaram a ter um perfil muito mais voltado para a venda de livros do que para a divulgação e, principalmente, discussão da Literatura. Apesar da imprensa estar, como sempre, fazendo muito alarde para os nomes estrangeiros que estarão na cidade carioca, como James Ellroy e Joe Sacco, acredito que a discussão entre o cientista Miguel Nicolelis e o filosofo Luis Felipe Pondé tem tudo para ser o ápice da festa.

Já no evento cervejeiro, direcionado principalmente à tecnologia empregada no processo de fabricação da bebida, atenção total voltada para o espaço Degusta Beer, no qual os visitantes poderão experimentar por 3 reais pequenas (pequeníssimas, aliás, de 50ml ou 100ml) amostras de rótulos que ainda serão lançados no mercado. Dentre as cervejas que estarão sendo servidas, provavelmente a que está sendo mais comentada e aguardada pelos apreciadores da nobre bebida é a Vivre pour Vivre, da mineira Falke Bier, uma Lambic que leva jabuticaba em sua receita. Outra que está gerando bastante curiosidade é a Grão-Pará, da Colorado, uma American Brown Ale com castanha-do-pará em sua composição.

E os apaixonas por livros e cervejas e, principalmente, os fanáticos pelos dois, que se preparem para uma ótima semana.

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