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Posts Tagged ‘Filosofia’

Por João Dutra

david_guetta_one_more_lovePoucas experiências são tão bacanas quanto sentar à mesa, na companhia de amigos, para uma boa refeição. Além da comida, parte do prazer vem da conversa, da troca de experiências e ideias.

 

Isso vale para hoje, como valia em 380 a.C. Enorme salto temporal! Estamos em Atenas, democracia Grega. Na segunda esquina à esquerda, depois da Ágora, mora o poeta Agatão, que, nesta noite, convida alguns de seus colegas para um jantar, cujo prato principal é… o Amor. “Diálogos sobre o Amor”. Esse é o cenário de um dos livros essenciais da filosofia: O Banquete, de Platão.

 

Nesses diálogos, várias são as explicações sobre o que é Eros, conceito grego que descreve esse sentimento que nos move. Por exemplo, aquela ideia (que você já deve ter ouvido) das metades da laranja, de que as pessoas que se amam, se completam, nasceu aqui. O autor dessa peça é o dramaturgo Aristófanes, um dos convidados.

 

Mas falemos de Aristófanes e suas laranjas em outra oportunidade. Aqui, o que nos importa é o amor definido por Sócrates, aquele filósofo que só sabe que nada sabe, que te incita a conhecer-te a ti mesmo. Para ele, é muito simples:

 

Eros é o desejo pelo que não se tem, “carência em busca de plenitude”.

 

Platão curte, comenta e compartilha essa ideia. É a sua preferida.

 

Quando nos referimos, até hoje, ao amor platônico, em certa medida estamos admitindo se tratar de um sentimento que se realiza na falta, não na presença. Algo que se projeta no mundo das ideias, mais do que se vive no mundo real. Intenso, uma força que assume o controle de nós. A pessoa amada se torna a razão do viver, gerando demanda para todo tipo de propaganda nos postes da cidade.

 

Agora, voltemos a 2014. Novo salto! Brasil, ano de Copa. Naquela balada, que fica ali na travessa da Rua Augusta, toca David Guetta. DJ internacional, famoso por parcerias surpreendentes com cantores de diversos estilos. Algo me diz que ele também curte, comenta e compartilha as ideias de Sócrates.

 

Tomemos de exemplo a parceria com a talentosa (e bela) Kelly Rowland, que você pode ver e ouvir aqui:

 

Na canção, há versos que não deixam margem para dúvida, descrevem o poder que Eros exerce sobre nós:

 

Head under water, now I can’t breath

It never felt so good

When love takes over (yeah-ah-eah)

You know you can’t deny

Esse prazer, que nos invade, nos impede de respirar… essa é a falta, avassaladora, que toma nossos pensamentos. Mergulhados no Eros socrático-platônico, estamos à mercê da maré do amor.

 

Mas nosso DJ não para por aí. Uma outra parceria, desta vez com os rappers Chris Brown e Lil Wayne, é descaradamente clara: David Guetta – I Can Only Imagine (feat Chris Brown and Lil Wayne)

 

Aqui, podemos parar no título da canção. É literal. O Eros em questão só se realiza na imaginação. No mundo das ideias, tão valorizado por Platão, em detrimento ao pobre e limitado mundo do corpo.

 

Não fossem os 2.300 anos de distância, acredito que David Guetta e Platão fariam uma bela parceria, reforçando, quase que didaticamente, o conceito de Eros proposto por Sócrates. O mesmo ritmo, a mesma melodia, o mesmo som. Eros, o amor-desejo, que se realiza na falta e desaparece na presença.

 

Alguém, porém, levanta a mão e diz que esse conceito de amor pode ser um tanto triste, desanimador. incapaz de descrever a complexidade do sentimento. Afinal, quando acaba a falta, acaba o desejo, acaba o amor.

 

Pois então, não é que o DJ também fez coro pra que o Usher se declarasse perdido sem seu amor? – David Guetta – Without You (feat Usher).

 

O amor de Usher se faz na presença, representa um sentimento diferente, menos intenso, mais perene. Aí, já saímos da casa de Agatão e das ideias de Platão. Agora estamos junto a um outro grande pensador, Aristóteles e o amor Philia, autor de Ética a Nicômaco. Mas essa já é a introdução da próxima música. Será o tema do meu próximo post.

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Por Igor Antunes Penteado

Quando pequenos, temos em nós um profundo ímpeto em saber as coisas, que é constantemente tolhido pelos adultos que nos cercam.

“Por que, pai? Por que, mãe? – Porque sim, moleque chato.”

O intrigante é que essa curiosidade infantil é justamente uma das características que mais deveriam ser incentivadas e cultivadas em nós. Talvez, se fôssemos estimulados a sempre buscarmos respostas para as coisas que não entendemos, o percentual de leitores não ficasse sempre com as médias vergonhosas de sempre.

Querer saber mais, por si só, já é meio caminho andado para gostar de ler. Quanto mais você lê, mais você sabe; quanto mais você sabe, mais você quer saber. E aí o processo se retroalimenta sem necessidade de maiores explicações. Entretanto, o que fazemos com nossas crianças é, aos poucos, tentarmos enquadrá-las em fôrmas pré-moldadas de comportamentos “aceitos” socialmente – muitas vezes, fôrmas baseadas em nossas próprias atitudes, que foram baseadas nas de nossos pais etc.

Mas o maior agravante é que não somos os únicos responsáveis por moldar as crianças. A escola é, certamente, a maior vilã de toda essa história. Primeiramente porque, desde que o método moderno de ensino foi implantado, foi responsável por nos moldar, assim como moldou nossos pais, avós, bisavós ad aeternum. Dessa forma, nós também somos obviamente produtos pré-moldados.

O principal problema reside no fato de que nossas escolas não nos ensinam a pensar. O que a gente aprende desde cedo é pensar de acordo com o que outros já pensaram, com suas realizações e descobertas. Quantos de nós podemos levantar a mão e dizer que tiveram um professor que não seguia estritamente o que constava nos livros e apostilas? Ou, mais ainda, que se prestavam a discutir o que estava sendo ministrado em aula não como verdade absoluta, mas como uma das versões da história, um dos jeitos de fazer, uma das soluções?

Pensando por esse lado, não espanta o fato de chegarmos ao Ensino Médio odiando a Filosofia, por exemplo. Aposto que não raro você, leitor, depara-se com um adolescente reclamando que estudar Filosofia é chato e só maluco faz isso. Isso porque a Filosofia (claro, isso conforme o jeito com o qual ela é ensinada) força a gente a pensar. E a gente não está acostumado a pensar. Acomodados, não gostamos de ter que pensar por nós mesmos. Essa é mais uma verdade constrangedora que muitas vezes não conseguimos enxergar e, não enxergando, continuamos a dar seguimento ao sistema já implantado. A velha história do dado viciado. Não adianta mudar os jogadores se o jogo é o mesmo, o resultado sempre vai ser igual.

Por isso é tão importante incentivarmos a curiosidade infantil e o anseio de sempre saber mais. Aos poucos, os pequenos começam a aprender a ir, por eles mesmo, atrás das verdades e inevitavelmente viram leitores vorazes. Essa é uma teoria particular, e sei que pode parecer simplista e até otimista demais. Mas justamente por ser simples que acredito fielmente em sua eficácia.

Como tradição, sempre indicamos um ou mais livros em nossos posts. Mas, dessa vez, farei diferente. Neste caso, indicar um livro seria ir contra meu próprio texto e tentar enquadrar sua capacidade de pensar, leitor. Entretanto, sugiro autores que podem ajudá-lo a entender melhor o mundo que o cerca e responder algumas de nossas maiores perguntas. Leia Marcelo Gleiser, leia Mario Sergio Cortella, leia Florestan Fernandes, leia Ruben Alves, leia Paulo Freire. Leia de tudo um pouco e explore que lhe serve. Esse é o melhor caminho.

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Por Rodrigo Casarin

A filosofia está na moda. Em uma rápida visita à livraria é possível encontrar livros que usam ideias de Platão para combater o estresse, Sun Tzu para orientar empresários, Maquiável para quem quer se achar malvado e poderoso, lições de Sócrates, enfim, uma grande variedade de títulos que transformam (e muitas vezes distorcem) os pensamentos de grandes filósofos em máximas fáceis que podem ser aplicadas conforme o interesse do leitor.

Seguindo a linha de títulos que simplificam a filosofia para que o leitor dito comum tenha acesso a ela, a Civilização Brasileira, que pertence ao Grupo Editorial Record, lançou Casos Filosóficos, um apanhado de curiosidades sobre alguns dos maiores pensadores da história com algumas pinceladas de suas ideias. O autor da obra é Martin Cohen, professor e escritor especializado em filosofia, que já escreveu outros livros sobre o assunto e desde 1995 é editor da revista inglesa “The Philosopher”.

Apesar da obra não se aprofundar nas ideias de nenhum dos filósofos, ela é uma boa opção para quem busca um conhecimento raso sobre pensadores, o que já pode ser mais do que muitos intelectuais que se gabam de conhecer a fundo a filosofia mas não sabem mais do que algumas ideias ou frases isoladas e descontextualizadas de nomes da moda, como Sartre ou Foucault.

Além disso, o leitor poderá perceber o quanto esses grandes nomes da história eram pessoas comuns, repletas de defeitos e de posições condenáveis nos dias de hoje. Há filósofos que defendiam a escravidão, que estavam no embrião do nazismo, que apoiavam as condutas extremistas da igreja… Enfim, uma porção de posturas comuns às pessoas de determinados lugares em determinadas épocas, comuns às pessoas médias em qualquer momento da história. E aí mora um dos problemas de Cohen em Casos Filosóficos, não explicar para o leitor que o que é condenado hoje podia ser a coisa mais banal do mundo em outros tempos. Não dá para condenar o que alguém fazia há 3 mil anos levando em conta os valores atuais.

Casos Filosóficos vale pela diversão e pela curiosidade, mas pouco pela filosofia em si. A melhor forma de se aprofundar no pensamento de Aristóteles, Pitágoras, Agostinho, Spinoza, Kant, Hegel, Marx ou Russel, dentre outros, continua sendo a leitura de suas obras ou, ao menos, de obras de autores que se preocupem mais com as ideias dos filósofos do que com as particularidades de suas vidas.

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A apresentação do filósofo Mario Sérgio Cortella é um tanto antiga e já há algum tempo rola pela internet. Contudo, para quem ainda não viu, vale muito a pena:

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Por Alberto Nannini

Tudo depende da perspectiva[1]. Olhar algo de diferentes planos muda totalmente a percepção. Na verdade, vai ainda muito mais longe: nossos sentidos não são infalíveis (vide ilusões de ótica[2]  e afins), e nosso cérebro pode não processar – e via de regra não processa – uma mesma informação, vista duas vezes, da mesma maneira, já que estamos sujeitos a influências externas e à nossa própria “evolução”, por assim dizer: com um segundo de diferença, já não somos os mesmos. Como se não bastasse, o simples fato de se observar algo já o modifica, segundo a Física Quântica.

Daí que nossa noção de realidade é muito mais precária do que supomos.

Ouça esta conversa animada numa fábrica:

–         O mundo não tem forma definida!

–         Imagina, claro que tem! Tem forma circular!

–         Vocês dois não sabem nada! O nosso planeta é muito maior do que vocês imaginam! O que a nossa fábrica produz segue para os confins do planeta, pelos milhares de km de rios!

–         Ih, disfarça, olha o chefe chegando!

Nada de tão extraordinário, certo? A não ser que os operários fossem suas células hepáticas, da “fábrica” de seu fígado, “vigiados” por enzimas. Logo, elas falavam de você.

Consequentemente, sob esta perspectiva, você é um planeta [3].

Se admitíssemos que nossas células conversadeiras ali tivessem esse nível de consciência, será que compreenderiam o que formam juntas, isto é, que a somatória de todas elas mais seus respectivos desempenhos e funções, perfeitamente sincronizados, mais todo o meio físico em que vivem (seu corpo), formam você, e as minhas, formam a mim, e respectivamente todas as outras pessoas e seres? Não, não entenderiam. E não só não entenderiam, como qualquer célula que tivesse uma conversa estranha sobre “formamos um todo”, ou “em nossos núcleos[4], somos todas iguais”, “uma mesma linha[5] nos une”, seria ou vista como excêntrica, ou seria até eliminada, por desvio de função. E como posso afirmar que elas não compreenderiam o todo do qual fazem parte? …Bom, eu não entendo o Todo do qual faço parte. Sem contar que nós, como espécie, fomos especialmente cruéis com alguns visionários (crucificados, lapidados, queimados…)[6] que diziam algo não muito diferente do que diriam estas tais células subversivas. E olha que digo isso sendo só mais um pensando (e escrevendo) sobre este assunto, apoiado no ombro de gigantes muito melhor capacitados, que pensavam nisso desde… desde quando existimos como esta cruel espécie, praticamente.

Pensar no que consistiria este tal “Todo” é “apenas” o berço de toda a ciência, de toda a filosofia e de todo o progresso que fizemos.

Vejamos: da mesma forma que o personagem A. Quadrado da “Planolândia”¹, depois de uma jornada quase de herói, onde foi apresentado a um mundo “menos complexo” para entender o mundo “mais complexo”, intuiu que deveria haver mais do que aquilo que podia ser visto… O que poderíamos intuir, do ponto de vista macro, se pensármos que, do ponto de vista micro, seríamos, metaforicamente, considerados como planetas?

Aqui as coisas começam a ficar bem interessantes. Expandindo a analogia de sermos planetas para nossas células, e se fossêmos células para nosso planeta? A Terra, conosco e toda a biodiversidade como componentes, poderia ser também um ente vivo? Parece loucura, mas é uma teoria séria, que resume, bem a grosso modo, a Hipótese Gaia[7].

É uma questão de escala: ante a embabascante e incompreensível vastidão do Universo, o que é um pálido ponto azul no espaço? Ou mesmo nosso Sol, uma estrela entre bilhões e bilhões, de grandeza apenas mediana?

Os números nos entontecem, e entender o mundo macro parece muita pretensão. Daí o  recurso de se fazer essas analogias, e de usar perspectivas e proporções.

Proporcionalmente, somos um “planeta” para nossas células, ao mesmo tempo que, invertendo totalmente a perspectiva, a própria Terra é só uma minúscula célula no universo! E ainda, se para algum organismo unicelular que viva alguns segundos, nossos 80 anos de labuta, em média, são quase a eternidade, perto dos 10 bilhões de anos que vivem uma estrela, nossa vida é ainda mais ínfima, uma fração de fração de segundo, uma fagulha que se apaga praticamente ao mesmo tempo em que se acendeu.

Mas o mais lindo, absurdo e fascinante disso tudo é justamente o que há em comum em todos estes exemplos: nós, e as células, e os planetas e as estrelas, e quiçá o mundo, temos uma “arquitetura” muito semelhante. Somos mundos dentro de mundos. Como Matrioshkas[8].

Mundos dentro de mundos. Nada mais verdadeiro. O micro espelha o macro, vertiginosamente. A relação inevitável aqui é com os fractais. Talvez conheça o Conjunto de Mandelbrot[9], belíssimo. Trata-se de um construto matemático, onde, por mais que se vá recortando a figura inicial, que é muito mais complexa do que aparenta à 1ª vista, os recortes resultam em algo muito semelhante ou até absolutamente idênticos ao original! Mesmo reduzida sucessivamente, revela mais e mais detalhes, e ainda espelha a “matriz”. Não se parece isso conosco, ou com a vida como a conhecemos? Mesmo reduzida a algo aparentemente insignificante (recordemos que insignificância é só uma questão de escala), ainda é Vida, pulsando contra todas as chances.

Então, um planeta, um mundo, e mesmo a própria Divindade. Isto és Tu. Você contém em si todo o mistério e toda a maravilha do mundo, perambulando faceiro(a) por aí, nas suas tantas dezenas[10] de quilogramas de água, carbono e outros elementos básicos.

Concluindo, como no caso acima da descrição que fiz de você, é bastante fácil provar que há muitas situações nas quais o todo resulta maior do que a simples reunião de suas partes, da culinária ao futebol[11]. E a nossa somatória? Todas as nossas vidas, nossas lutas, nossa história, o que formam juntas?

Formam uma tapeçaria intrincadíssima, da qual nós somos os fios, entrelaçados caóticamente no avesso dela. Nos enrolamos uns com os outros, numa “costura” aparentemente aleatória, e damos origem a outros fios, até o dia em que “acaba” (noss)o fio[12]. Não fazemos ideia de qual “figura” esta tapeçaria forma, nem se há um Tecelão ou se é obra do acaso, ops!, Acaso. Inclusive, mesmo nessa metáfora, se fôssemos fios, mesmo o mais fino deles é composto de uma série de fios menores emaranhados, e as próprias moléculas que os compõem se enovelam em cadeias também. Recortes auto-semelhantes.

O que, finalmente, leva à conclusão que, já que mesmo as menores partes costumam espelhar o todo, uma forma de intuir o que formamos no macro, de qual é a figura (e o propósito) da tal “tapeçaria”, é ver o que formamos no micro, no aqui e agora. Não apenas somar as partes, mas “exponenciar”, e transcender. Não apenas o físico e material e toda a vaidade[13] derivada deles, mas o imaterial, aquilo que mesmo as mais inteligentes e sensíveis células de um todo, quando as há, tem extrema dificuldade de apre(e)nder.

Se existe dor, intriga, o mal e a morte, existe também a alegria, a paz, o amor e a vida, a (re)nascer. E costumamos preferir os primeiros aos últimos, de forma que podemos deduzir que participamos de algo incomensurável e lindo, mas que não sabemos bem o que seja.

Como nós mesmos.

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Para saber mais, indico:

Intuições fractais, da revista Piauí;

Incríveis Passatempos Matemáticos, Ian Stewart, Ed. Zahar, e

Almanaque das Curiosidades Matemáticas, idem (estes dois de novo!).

Planolândia, Edwin Abott Abott, Ed. Conrad (e este também!)

Bilhões e Bilhões, Carl Sagan, Cia de Bolso.

Pálido Ponto Azul, idem, Cia das Letras (esse é bem difícil de achar…)

O Dom Supremo, Henry Drummond (adaptação de Paulo Coelho), Ed. Rocco (este por causa da última citação, a seguir…)

Para terminar, uma citação, cuja interpretação, após lido tudo isso, poderia pender para uma tal que não se escore apenas numa determinada religião ou doutrina, mas que revele uma verdade profunda:

“Porque agora vemos como por espelho, em enigma, mas então veremos face a face; agora conheço em parte, mas então conhecerei (o Todo), como também sou conhecido.”

                        I Coríntios 13, 12

 Somos Todos Um.


[2]                 http://www.ilusoes.com.br ; Vale a visita!

[3]                Esta analogia pode ir bastante longe: temos trilhões de células (“seres vivos”), que vivem em diversas partes do corpo (“habitats”), com muitas especialidades (“espécies”), reguladas por um mecanismo compensatório (“cadeia alimentar”)… E por aí vai.

[4]               Eucariontes; caso fossem mesmo trabalhadores como conhecemos, teriam um sindicato e discriminariam as procariontes, a não ser que conviesse uma aliança política. Aí, como resultado, talvez até fizéssemos a fotossíntese.

[5]                [ou uma mesma fita de dupla hélice…]

[6]                Esta citação é menção a um dos capítulos finais do “Evangelho Segundo Jesus Cristo”, de José SARAMAGO, onde Jesus, em conversa com o diabo, ouve ele dizer o que acontecerá a alguns dos santos e mártires que o seguirão. Leitura forte, duma temática sensacional, que bem pode ser meu próximo tema…

[7]                Veja http://www.terrabrasil.org.br/noticias/materias/pnt_gaya.htm [O que leva a outra correlação: quando nossas células se multiplicam desordenadamente e atuam de forma desarmônica, temos um câncer, que consome tudo á sua volta, e possivelmente nos matará. E o que fazemos nós hoje, ou o que somos hoje, para nosso planeta Terra?]

[8]                  Lembra? São aquelas bonecas russas que vão se escondendo uma dentro da outra. Falei que você era uma Matrioshka Planetária, não falei?

[9]                 http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao-50/obituario/intuicoes-fractais; não deixe de dar uma “googlada” em ‘“Conjunto de Mandelbrot” – Imagens’, há umas de cair o queixo!

[10]               Centenas de kg, no caso de alguns ex-jogadores de futebol fenomenais.

[11]              O exemplo mais famoso da culinária é “não é apenas se juntando farinha, manteiga, açucar, ovos e fermento que se tem um bolo”, pois é necessário um complexo processo, que envolve misturar, assar e ter uma tia para fazer tudo isso. No futebol, não é se juntando 11 jogadores que se tem necessariamente um time. Alguém, por favor, avise o técnico do meu…

[12]               Aí, literalmente, é o fim da linha.

[13]              “Vaidade das vaidades, tudo é vaidade!” É o mote do livro do “Eclesiastes”, da Bíblia; é uma leitura interessantíssima, curta e impressionante, que pode ser lida tranquilamente como literatura, sem fins religiosos.

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Você é curioso(a)?

Por Alberto Nannini

Não sei se você se considera muito curioso(a), mas todos temos uma curiosidade natural, está escrito em nossos genes. As crianças saem por aí aprendendo as coisas numa velocidade vertiginosa, e se maravilham com uma fileira de formigas, ou com o pairar de um beija-flor, ou com o ronco de um avião.

Suas primeiras associações, embora soem simplórias, têm sofisticação, considerando seu repertório: “Pai, o beija-flor tem um motorzinho silencioso?” Ora, se ele voa como o avião, e este faz um barulhão de motor, ele deve ter um motorzinho silencioso. Não há nada de absurdo, a princípio, nesta associação.

Mas viramos adultos e estrangulamos nossa curiosidade, ou a dirigimos para alvos irrelevantes: “Com quem a atriz da novela das 8 está namorando? Qual o último carro que o jogador Cleidimundílsson comprou?” Até há explicações para este tipo de curiosidade, mas meu ponto é que ela nos desvia daquilo que é muito mais assombroso.

E o que é muito mais assombroso nos cerca, 24 horas por dia. Olhe a sua mão: ela é um prodígio de eficiência e funcionalidade! Imagine quantas coisas são possíveis fazer com a precisão dela e de máquinas por ela construídas: inseminação artificial, operação intercraniana, projeto de arranha-céus, design de chips processadores, escrever poemas, construir armas…

Eu conversava com minha namorada, perguntando por que vamos desligando nossa curiosidade natural, se um efeito inexorável do conhecer é se dar conta que há muito mais a se descobrir. Não sei. Talvez por estarmos acostumados, desde a aurora dos tempos, que pessoas pensem e descubram por nós, e nos contem depois.

E como vamos saber se estas informações que nos chegam são verdadeiras? É difícil, e depende do que é investigado. Se for algo abstrato e/ou imaterial, dependerá de nossa crença; mas, se for algo material, dependerá de evidências.

Para este último caso, desenvolvemos, com o passar dos séculos, a mais formidável ferramenta: o método científico.

Relendo meu texto, peço desculpas pelo tom excessivamente didático (releve! sou frustrado por não ser professor! rs), e me dou conta que não preciso descrever o que é o método científico para os leitores deste blog, e passo adiante no meu raciocínio: como ficamos sabendo das inovações científicas? Geralmente, com alguma nota superficial na mídia, ou já com a aplicação a algo prático e utilizável. Assim, a miniaturização dos chips só nos interessa pela capacidade de processamento do último celular da moda.

Mas e o caminho para se descobrir isso? E todo o resto que é descoberto?

Finalmente, cheguei aonde queria: antigamente, o conhecimento científico era hermético, quase inacessível a leigos. O “cientifiquês” torna ininteligível para a pessoa comum a pesquisa que possibilitou aquele avanço. Isso não é de todo mal, seria absolutamente impossível ler toda pesquisa científica que é feita, e há as tecnicalidades que só vão importar mesmo aos iniciados naquela ciência.

Mesmo assim, poderia haver algo a ser compartilhado deste conhecimento, para poder até ser acrescentado ou corrigido, mecanismo aliás indissociável do método científico. Mas quem poderia ler aqueles tratados e torná-los “palatáveis” a nós, simples mortais? Quem teria a paciência e o conhecimento para fazê-lo?

Há alguns destes por aí. Talvez o mais conhecido deles tenha morrido já há alguns anos, mas deixou um legado impressionante: o astrônomo norte-americano Carl SAGAN. Escreveu muitos livros de divulgação científica numa linguagem simples e direta. E inspirou muitos outros a segui-lo: cientistas que não ficam apenas em seus laboratórios, dando risadas malignas assim que ouvem trovões, mas que divulgam também para os leigos seus avanços e os de seus colegas.

Eles tentam tornar acessíveis os conceitos e ciências mais difíceis, e nos dão, de bandeja, um conhecimento que será útil até o fim da vida, e que custou milhares de horas de pesquisa e esforço.

Por exemplo, Leonard MLODINOW, que torna a matemática prazerosa! (talvez eu apanhe por causa desta ironia…) E há os brasileiros também (músiquinha do Senna tocando de fundo: tã-tã-tããããmmm!!! tã-tã-tããããmmm!!!), como Marcelo GLEISER, e seus escritos de física, tornando teorias cabeludas de fácil compreensão, aplicando-as a situações corriqueiras, e Fernando REINACH, e seus conhecimentos de biologia, traduzindo pesquisas da área em descobertas inacreditáveis!

E por último, um italiano, Julian BAGGINI, que torna minha ciência predileta fácil: filosofia pronta-para-consumo!

Este post foi bem além do que eu imaginava, e vou confessar qual era meu intuito: fazer você voltar a ser criança, ou melhor, a ter a curiosidade que tinha quando era criança! Quando você queria saber de tudo, e perguntava a quem estivesse disponível.

Adultos, sabemos bastante (será?), mas ainda assim, a maioria de nós ignora o repertório científico mínimo, aquele que nos assegura que, por trás de “mágicas”, como creme emagrecedor, pulseira do equilíbrio, e-mails que distribuem prêmios em dinheiro, e praticamente qualquer baboseira que venha com o aval de “saiu publicado na Época-Veja-etc” ou “desenvolvido pela NASA”, se escondem espertalhões que dominam este repertório mínimo e jamais se deixariam enganar assim.

Caso você queira saber mais sobre algumas ciências notáveis, se munindo de conhecimento salutar em muitas situações (ou apenas prazeroso de se ter!!!), pode encontrar em nossas boas revistas científicas, como a SuperInteressante e a Galileu. Mas, se quiser saber mais ainda, te indico, de início, estas obras, dos autores que citei:

O mundo assombrado pelos demônios, Carl SAGAN, Cia das Letras (e Cia de Bolso);

O andar do bêbado, Leonard MLODINOW, ed Zahar.

Micro e Macro” (1 e 2), Marcelo GLEISER, Publifolha

O porco filósofo, Julian BAGGINI, Ed Relume-Dumara

É um melhor que o outro! Compre, peça de amigo-secreto, de Natal, pegue emprestado, mas leia! E me diga depois se não teve a sensação de estar com um tesouro nas mãos!

A quantas anda sua curiosidade?

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