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Nino Andrés/ Cosac Naify

Com apenas 27 anos, ela já integrou mesa de discussão na Flip (Festa Literária Internacional de Paraty) e, em 2009, levou para casa o prêmio Jabuti na categoria Reportagem com O Livro Amarelo do Terminal. Falo de Vanessa Barbara, que se formou em jornalismo pela Cásper Líbero, apresentando como TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) exatamente a obra que mais tarde lhe valeria um troféu em forma de tartaruga. A escritora, que está abandonando a carreira jornalística para se dedicar exclusivamente a textos de ficção e trabalhos de tradução, concedeu por e-mail para o Canto dos Livros a bem-humorada entrevista abaixo, onde, dentre outras coisas, relata como começou sua paixão por pudim.

Canto dos Livros: De onde surgiu a idéia de falar do terminal do Tietê?

Vanessa Barbara: Queria fazer um livro sobre as ruas de São Paulo, mas teria que falar de calçadas, semáforos e meios-fios, o que me deixaria imensamente avoada, então acabei escolhendo a rodoviária porque é o lugar que mais se parece com a rua. O terminal traz histórias que ilustram contradições da metrópole: a modernização, o movimento repetitivo das pessoas que vão-e-vêm, a inconstância, a idéia de massas; e, por outro lado, a sensação de não-pertencimento, a vontade de retornar ao lugar de partida, o anacronismo dos personagens, a permanência – aquilo que nunca muda.

Canto dos Livros: Como foi o processo de apuração e redação d’O Livro Amarelo do Terminal?

Vanessa Barbara: Foi uma apuração de aproximadamente um ano, durante o qual vivia apavorada. O que mais me incomodava, além dos entraves burocráticos, era a minha completa inaptidão para conversar com as pessoas. Às vezes eu ficava em silêncio ao lado de algum entrevistado vendo os ônibus passarem, por puro pânico e falta de perguntas. Isso às vezes era uma vantagem, porque o sujeito acabava falando qualquer coisa que lhe viesse à mente.

Já a parte da redação foi mais tranquila e correu bem. De início, seria um livro de crônicas, mas os textos foram saindo num gênero mais híbrido e, como no formulário de inscrição dos TCCs não havia a opção “crônica”, acabei me rendendo ao formato de reportagem.

Canto dos Livros: O livro tem forma e linguagem que foge totalmente do que vemos na grande imprensa e do que é ensinado nos cursos de jornalismo. Como ele foi recebido pelos professores e avaliadores do seu TCC?

Vanessa Barbara: Meus orientadores, Marcelo Coelho e Welington Andrade, gostaram bastante do trabalho e me deram liberdade para fazer o que eu bem entendesse. A banca avaliadora era formada por Sérgio Alcides, Flávio Lobo e Nanami Sato, que a propósito caiu da cadeira logo no início da apresentação – mas não porque estivesse impressionada com o trabalho, como se poderia supor. De qualquer forma, eles gostaram do livro, me deram nota 10 e sugeriram algumas alterações, que mais tarde acabei incorporando.

Canto dos Livros: O seu livro se encaixa nos preceitos do Jornalismo Literário. Em algum momento você se preocupou com que o livro se encaixasse neste “rótulo”?

Vanessa Barbara: Jornalismo Literário não é nada mais do que escrever não-ficção usando uma técnica narrativa de ficção. Não é intrinsecamente bom ou mau, é uma técnica. Se for malfeito, pode ser tão ruim quanto uma matéria convencional mal apurada. Como falei, tentei misturar o estilo mais convencional com um tom de crônica, sabe-se lá Deus por quê.

Canto dos Livros: Qual era a sua expectativa para o Jabuti e o que ganhar este prêmio representa para você?

Vanessa Barbara: Não achava que um livro totalmente amarelo pudesse vencer o Jabuti, mas veja só que surpresa. É um livro incomum, diferente e um tanto experimental, então fiquei surpresa de ver que uma coisa esquisita assim também podia ganhar prêmios. Acho que os jurados se convenceram ao tomar conhecimento de uma frase do John dos Passos (“Repara no amarelo, é lindo”) e de outra do Van Gogh (“Como é agradável o amarelo! Ele simboliza o sol”).

Canto dos Livros: Você já participou de mesa na Flip e levou um Jabuti com 27 anos. Como uma jovem é recebida no meio literário, cujas pessoas costumam ser mais velhas?

Vanessa Barbara: Tenho 27, mas sou a mais idosa das escritoras. Gosto de usar pijamas, de escrever com uma manta xadrez nos joelhos e até hoje não aceito a reforma ortográfica de 1971, aquela que aboliu a maioria dos acentos diferenciais, como o de flôres e de agôsto. Aos 30 anos, estarei nas ruas protestando contra as discotecas, esses templos de licenciosidade pagã.

Canto dos Livros: Você já está trabalhando em algum outro livro? Sobre o que será? Já tem previsão de lançamento?

Vanessa Barbara: Estou escrevendo uma história em quadrinhos em parceria com o ilustrador Fido Nesti, que se chama A máquina de Goldberg. Tenho um livro infantil que vai sair ano que vem pela editora 34, ilustrado pelo Andrés Sandoval, que se chama Endrigo, o escavador de umbigo. E estou escrevendo um romance, mas esse é segredo.

Canto dos Livros: Quais são as suas principais referências literárias?

Vanessa Barbara: Para o Amarelo, li alguns jornalistas e escritores como Joseph Mitchell, Gay Talese, Truman Capote, Hemingway, John dos Passos, João do Rio, Rubem Braga, Luis Fernando Verissimo, George Orwell, Charles Dickens e até um quadrinista, o Will Eisner. Na literatura de ficção, gosto de Flaubert, Cortázar, Borges, Kafka, Campos de Carvalho, Cervantes, Sterne, Drummond, Poe, Svevo e Lewis Carroll.

Canto dos Livros: É verdade que você quer parar de escrever não-ficção? Por quê?

Vanessa Barbara: Como ficou sabendo? Sim, é verdade. Dei um tempo no jornalismo porque tenho muita dificuldade de fazer a apuração, de conversar com as pessoas, e percebi que ficava cronicamente apavorada com a obrigação de fazer isso. Então, decidi me dedicar mais a ficção, crônica e tradução. Também reviso legendas de filmes em polonês.

Canto dos Livros: De onde vem e como você lida com o seu fascínio por pudim?

Vanessa Barbara: Começou em 1984, quando eu estava ocupada mastigando os meus próprios dedos e de repente me deparei com um grande e translúcido pudim. Meus preferidos são os de leite, mas os de laranja também são dignos de nota e – por que não? – os flans de chocolate e de ameixa têm um espaço cativo no meu coração. É tudo questão de consistência e da qualidade dos ovos.

O escritor Sérgio Rodrigues promoveu recentemente em seu blog um campeonato para eleger qual era o melhor começo de livro da história da literatura. Quem levou o título foi o russo Leon Tolstoi que iniciou o romance Ana Karenina com as seguintes palavras: “Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira”. O segundo lugar também foi para um russo, Vladimir Nabokov, que começou Lolita dizendo “Lolita, luz de minha vida, labareda em minha carne. Minha alma, minha lama. Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lo. Li. Ta”. Por fim, o lugar mais baixo do pódio foi para o francês Albert Camus que escreveu as primeiras linhas de O Estrangeiro com frases fortes: “Hoje, mamãe morreu. Ou talvez ontem, não sei bem. Recebi um telegrama do asilo: “Sua mãe faleceu. Enterro amanhã. Sentidos pêsames”. Isso não esclarece nada. Talvez tenha sido ontem”.

O meu preferido é este último, de Camus. Os livros como um todo que costumam me marcar, não apenas frases ou pequenos trechos, mas a aparente indiferença retratada no início desta obra me causou até um certo desconforto. Talvez a única passagem de uma história que tenha me chamado tanta atenção seja a morte da cachorra Baleia, em Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Os começos que ocuparam os dois primeiros lugares considero bons, mas me soam muito mais como frases de efeitos do que de real impacto. (hahahaha até parece que sou alguém para julgar Tolstoi e Nabokov, né!? Mas beleza, segue o texto!!)

Agora eu gostaria de saber: na sua opinião, qual o melhor começo de um livro? Não precisa ser nenhum dos citados acima e nem um clássico da literatura, apenas algo que realmente tenha lhe chamado a atenção!

livroamareloAinda que com algum atraso, acho bastante válido registrar aqui no blog algo sobre o Jabuti deste ano, que agraciou Vanessa Barbara, pelo seu O Livro Amarelo do Terminal, com o primeiro lugar na categoria Reportagem.

A obra retrata o cotidiano na Rodoviária do Tietê, narrando histórias de pessoas que trabalham e transitam pelo local. Aliás, explorar o ser humano comum, aquele que está longe das câmeras de televisão e da grande imprensa – este que é uma das recomendações básicas do Jornalismo Literário – é o grande trunfo do livro.

Vanessa imprime na narrativa uma velocidade rápida, com personagens que aparecem, tem suas histórias muito bem contadas em algumas páginas e logo voltam ao seu anonimato. Entretanto, todas as passagens ajudam a formar o grande mosaico que é a rodoviária.

Tudo isso é narrado de forma bem humorada, mas com uma sutil ironia em determinados momentos, principalmente quando supostas autoridades tentam interferir na apuração do livro, escrito inicialmente como trabalho de conclusão de curso da repórter. A única parte em que a leitura fica um pouco pesada, mas que serve para quebrar o ritmo do livro, é quando a construção da rodoviária é contada através de trechos de reportagens de jornais da época das obras.

Não nego que torci muito para que O Livro Amarelo do Terminal fosse o premiado, desbancando nomes de peso, como O Olho da Rua, de Eliane Brum. A obra é daquelas que são lidas de uma só vez e que faz com que o leitor fique triste ao perceber que o livro vai chegando ao fim.

Por fim, quem também merece os parabéns é a editora Cosac Naify, que publicou o livro com um ousado visual gráfico e apostou em um texto bastante diferente do padrão!

Laranja Mecânica

laranjaMais conhecida pela sua versão cinematográfica, dirigida Stanley Kubrick, Laranja Mecânica é uma grande obra também da literatura. Escrito pelo inglês Anthony Burgess, o livro aborda a violência praticada por gangues de jovens, como ela interfere na sociedade – também responsável pelo problema – e a forma como os sistemas políticos se aproveitam disso tudo.

A história é dividida em três partes. Na primeira, o jovem Alex – personagem principal e narrador da trama – e seus amigos Pete, Georgie e Tosko andam pela cidade cometendo atrocidades. Divertem-se espancando mendigos, brigando com outras gangues, estuprando mulheres e invadindo casas para agredir os residentes. Em uma destas invasões, o desfecho acaba sendo infeliz para Alex, que, sozinho, acaba preso.

A segunda parte da história se passa no presídio. Alex se torna um detento de boa conduta, porém com uma grande vontade de conseguir sua liberdade o mais rápido possível. Por isso se candidata e é escolhido para ser cobaia de um novo experimento, desenvolvido por cientistas, que promete eliminar a violência que há nas pessoas. O tratamento consiste em imobilizar o “paciente” de maneira com que ele não consiga sequer piscar os olhos e expô-lo a filmes com diversas cenas brutais.

Ao final do tratamento, realizado com êxito, Alex é devolvido à sociedade, mas, ao chegar a sua casa, encontra seu quarto ocupado por um inquilino de seus pais. Sem ter para onde ir, começa a vagar pelas ruas até ser espancado por um grupo de velhos após um deles reconhecê-lo como o delinquente que era. Sem conseguir reagir, devido à repugnância à violência que o tratamento lhe impusera, o jovem só é salvo com a chegada da polícia, que o leva para um lugar afastado da cidade e também o agride.

Todo machucado, Alex consegue achar uma casa, pede auxilio e é ajudado por pessoas do partido opositor ao governo, que tentam usar o jovem como uma prova de como os mandatários do país maltratam os humanos.  A partir deste ponto, tanto dirigentes da oposição quanto da situação governamental buscam utilizar Alex de acordo com seus próprios interesses.

Alguns pontos da narrativa chamam bastante atenção, como a forma que o personagem principal acaba passando de criminoso para vitima de todo um sistema. Além disso, a violência de Alex contrasta com sua paixão pela música clássica, que acaba tendo um papel primordial na história.

Também merece destaque o cuidado que Burgess teve ao criar diversas palavras para construir o dialeto dos jovens da história. A mais recente versão em português do livro, publicada em 2004 pela editora Aleph, traz um interessante prefácio, escrito por Fábio Fernandes – tradutor da obra – contando como o escritor criou estas gírias e o trabalho para adaptá-las ao português.

Elogio da madrasta

elogioDom Rigoberto e dona Lucrécia vivem um grande romance. O respeito, carinho e admiração entre os dois são grandes; o sexo, pleno e satisfatório. Além dos dois, a mansão em que moram é habitada por empregadas e Alfonso, filho de dom Rigoberto, fruto de seu primeiro – e mal sucedido – casamento. Fonchito, como é chamado carinhosamente o menino, é um pré-adolescente exemplar, bom aluno e filho disciplinado, e com os desejos sexuais começando a aflorar.

Certo dia, enquanto Rigoberto realiza o seu ritual de banho – quando, após passar pelo chuveiro, dedica-se longamente à higienização de alguma parte do corpo – Lucrécia vai, somente com sua sensual roupa de dormir, ao quarto de Fonchito lhe dar boa noite. Ao perceber as curvas do corpo da madrasta o garoto se encanta e, ao ser abraçado pela mulher, agarra-se a ela como jamais havia feito. A partir daí, começa a vê-la com outros olhos. O menino, então, passa a fazer de tudo para agradar, chamar a atenção e aproveitar cada momento, cada toque, de Lucrécia. Todavia, após perceber a mudança de postura de Fonchito e se afastar por um momento do jovem – que chega a cogitar um suicídio por isso – a relação entre os dois se torna mais intensa, até o momento em que acabam transando.

Incursão do renomado e influente escritor peruano Mario Vargas Llosa no gênero romance erótico (como está escrito na orelha do livro), um dos principais trunfos de “Elogio da Madastra” é, ao final, deixar o leitor com a dúvida de até que ponto as atitudes de Fonchito são realmente ingênuas, como sugere praticamente toda a narrativa. Outro ponto alto é a descrição da relação sexual entre dom Rigoberto e dona Lucrécia, ainda no começo do livro.

Os capítulos que tratam da história em si são intercalados por outros menores, no qual quadros são apresentados e inspiram uma narrativa paralela que, de alguma forma, relaciona-se com a trama principal.

A parte desagradável do livro acaba sendo a escolha de palavras excessivamente rebuscadas em determinados momentos, só não sei se isso foi uma opção do próprio Vargas Llosa ou de Remy Gorga, que traduziu a versão que li (cuja capa não é esta que ilustra o post e o título foi traduzido como “Elogio à madrasta”), publicada em 1988 pela editora Francisco Alves.

admiravelUma história atemporal é um dos requisitos mais lembrados dentre as razões que tornam um livro um clássico. “Admirável mundo novo”, do inglês Aldous Huxley, vai além. Escrito em 1932, a história é uma das principais referências quando o assunto é ficção cientifica, rótulo bem estipulado para os padrões da época. Acontece que, com o passar do tempo, o livro se tornou (e se torna) cada vez mais atual.

A história mostra uma sociedade onde as pessoas são produzidas em série, com características em comum e divididas em castas. Cada uma serve para algum tipo de trabalho especifico e os modos de vida são semelhantes. A história é ambientada em uma Inglaterra do futuro, onde Deus é banido e passa se chamar Ford, clara alusão aos donos de empresas e detentores da grana que comandam a sociedade.

Nas castas mais baixas, os livros são objetos proibidos e autores ocultados, para que as pessoas não questionem a teoria de que nada que é velho pode ser melhor do que as coisas novas. Por interesse das autoridades, a privacidade do individuo é banida e os sentimentos suprimidos pela “soma”, uma espécie de droga, que pode ser comparada ao álcool ou calmantes.

Talvez uma das partes mais emblemáticas do livro seja quando o administrador da sociedade explique o porquê as pessoas são feitas com repudio as flores: não poderiam gostar de alguma coisa com a qual não se pode ganhar dinheiro, pois os campos e jardins são gratuitos.

O ponto alto da história acontece quando um “selvagem” é integrado à sociedade. Vindo de Malpaís, lugar sem atrativos financeiros – portanto desprezado pelos ingleses – ele começa questionar de vida das pessoas vivem e a reivindicar seus direitos, funcionado como uma espécie de filósofo em uma sociedade que não pensa.

O que em 1932 foi escrito como uma obra de ficção cientifica hoje pode muito bem ser considerada uma abordagem de como pode ser o futuro (ou até mesmo o presente) da humanidade.

*Resenha resgatada do meu antigo blog

mafiosostaleseEscrito pelo jornalista estadunidense Gay Talese, um dos autores mais famosos do Jornalismo Literário, “Os honrados mafiosos”, publicado em 1971, conta a história da família Bonnano, importante grupo de mafiosos dos Estados Unidos durante o meio do século passado.. Para construir a narrativa, o autor levou cerca de sete anos realizando pesquisas, entrevistas e convivendo com os mafiosos, principalmente Bill Bonnano, filho do patriarca da família Joseph Bonnano.

Com uma escrita leve (exceto quando descreve cenas de tribunais) e precisa, Talese dividiu o livro em quatro partes. Na primeira, intitulada “O desaparecimento”, narra o sumiço de Joseph e dá uma espécie de introdução ao leitor no mundo da Máfia. O segundo, “A guerra”, mostra a crise que assolou nove famílias de mafiosos dos Estados Unidos durante o período em que o autor escreveu o livro. Depois vem “A família”, a estrutura da Máfia e a importância da confiança entre seus integrantes é descrita aqui. Por último está “O julgamento”, que é o desfecho de toda a trama.

O livro serve como um registro histórico de um fenômeno que influiu e ditou moda na vida de muitas pessoas. Até hoje a Máfia – a original, que surgiu na Sicília, sul da Itália – é vista com certo glamour.

*Resenha resgatada do meu antigo blog

Dom Quixote

domquixoteEscrito em 1605 pelo espanhol Miguel de Cervantes, é praticamente impossível escrever algo inédito sobre o maior clássico da literatura mundial. “Dom Quixote de la Mancha” é o segundo livro com mais cópias feitas em todo o mundo, perdendo apenas para a Bíblia. A história é de um fidalgo da Mancha, região da Espanha, que, apaixonado por literatura de cavaleiros, resolve ir realizar a sua própria aventura.

Junto de Sancho Pança, seu fiel escudeiro gorducho e Rocinante, o cavalo, Quixote cria uma espécie de mundo paralelo ao seu, onde procura realizar grandes feitos para seduzir Dulcinéia de Toboso, sua musa inspiradora imaginária. O universo criado pelo Cavaleiro da Triste Figura proporciona histórias maravilhosas. Dentre elas merecem destaque os conflitos com os moinhos de vento que viram dragões, a briga com as ovelhas e a grande batalha contra tonéis de vinho.

Ao perceber os inimigos com os quais travava duras batalhas não existiam no plano real, o cavaleiro culpa o mago Frestão de ser o responsável por fazer tudo mudar de figura, transformando os adversários em objetos comuns. Para tentar ajudar ao fidalgo, um grupo de pessoas inventa a princesa Micomicona, do reino imaginário Micomicão, que havia perdido suas terras e pede ajuda a Dom Quixote.

Um livro maravilhoso, tido por muitos como o melhor já publicado em toda a história. Sua leitura compensa, mas deve ser feita por quem realmente esteja interessado em devorá-lo. Por ter sido escrito há muito tempo, com uma linguagem bastante diferente da utilizada hoje em dia, a leitura torna-se vagarosa, mas nada que atrapalhe o encanto do personagem que para muitos é um herói, para outros, um louco.

*Resenha resgatada do meu antigo blog